Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva é um político brasileiro reconhecido por ter sido presidente em dois mandatos, que se estenderam de 2003 a 2011.

Lula foi presidente do Brasil de 2003 a 2011.[1]
Lula foi presidente do Brasil de 2003 a 2011.[1]

Luiz Inácio Lula da Silva é um conhecido político brasileiro que migrou de Pernambuco para São Paulo quando criança. Começou a trabalhar cedo, tornou-se uma importante liderança sindical no ABC Paulista e ingressou na política a partir da década de 1980. Disputou a presidência por três vezes, sendo eleito presidente do Brasil em 2002 e reeleito em 2006.

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Resumo sobre Luiz Inácio Lula da Silva

  • Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em uma família de lavradores que moravam no agreste, no interior de Pernambuco.

  • Migrou para São Paulo ainda criança e começou a trabalhar cedo.

  • Envolveu-se com o sindicalismo na década de 1960 e se tornou liderança sindical em 1975.

  • Liderou greves de trabalhadores operários no ABC Paulista no final da década de 1970.

  • Foi eleito presidente do Brasil em 2002 e reeleito em 2006.

Origens de Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio da Silva, nacionalmente conhecido como Lula, nasceu no dia 27 de outubro de 1945. Lula é originário de Caetés, município localizado no interior de Pernambuco, mas que, na época, era vinculado ao município de Garanhuns. Seus pais eram Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Melo.

Lula foi o sétimo de oito filhos que os seus pais tiveram e que sobreviveram à infância (ao todo foram 12 filhos), e quando ele nasceu, seu pai havia se mudado para Santos, em São Paulo, para trabalhar no porto local. Antes da migração, seu pai e sua mãe trabalhavam como lavradores e eram analfabetos.

Quando tinha sete anos, Lula, com sua mãe e todos os seus irmãos, mudou-se para Guarujá, no estado de São Paulo, com o objetivo de juntar-se a Aristides. Chegando lá, descobriram que o pai havia formado uma segunda família, e, após uma breve convivência, Eurídice decidiu se mudar para a cidade de São Paulo em 1954. Lula se mudou para a casa da mãe dois anos depois.

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Líder sindicalista

Durante sua infância, Lula dividiu o seu tempo com os estudos e com o trabalho, uma vez que, desde criança, foi colocado para ajudar no sustento da família. Com 12 anos, passou a trabalhar em um tinturaria, e, com 14 anos, teve a sua carteira assinada pela primeira vez. Em 1961, ingressou em um curso do Senai de tornearia mecânica, encerrando-o em 1963.

Em 1964, Lula ingressou em uma siderúrgica que produzia parafusos, e foi nesse local que ele sofreu o acidente que o levou a ter um de seus dedos da mão decepado. No final da década de 1960, Lula iniciou sua trajetória como sindicalista, principalmente por influência de seu irmão José Ferreira da Silva, um militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Em 1969, foi eleito diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, cidade localizada na região metropolitana de São Paulo. Em 1972, foi eleito 1º secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, e com isso ele abandonou o trabalho como operário para dedicar-se integralmente ao sindicalismo.

Lula ganhou projeção enquanto figura vinculada aos sindicatos e, em 1975, antes de completar seus 30 anos, foi eleito presidente do sindicato. Nesse cargo, Lula teve uma atuação firme na defesa dos trabalhadores. Reivindicava melhorias salariais, e as más condições de trabalho no final da década de 1970 o levaram a liderar grandes greves de operários.

Lula liderou as primeiras greves de operários desde o final da década de 1960, momento em que a repressão da Ditadura Militar tinha levado a um enfraquecimento dos movimentos de trabalhadores. Lula comandou greves que paralisaram milhares de trabalhadores na região do ABC entre 1978 e 1980, e por isso acabou sendo preso.

  • Videoaula sobre sindicalismo

Atuação no PT

Lula foi preso no dia 19 de abril de 1980, passando 31 dias na cadeia e tendo os seus direitos como presidente do sindicato cassados. Antes de ser preso, ele se envolveu em negociações feitas por lideranças sindicais, intelectuais de esquerda e outros grupos militantes para formar um partido que representasse os trabalhadores.

Assim nasceu o Partido dos Trabalhadores, mais conhecido como PT. A fundação do PT inaugurou também a carreira política de Lula, que, progressivamente, tornou-se o maior nome da história desse partido. Já em 1982, Lula decidiu participar de sua primeira disputa eleitoral e se candidatou para o cargo de governador de São Paulo. Não foi eleito, mas obteve quase 11% dos votos.

No contexto político da década de 1980, Lula apoiou as Diretas Já, e, após a derrota da Emenda Dante de Oliveira, cujo objetivo era restaurar as eleições diretas, tanto ele quanto o PT se abstiveram da eleição presidencial de 1985, marcada por ser indireta, isto é, sem a participação popular.

Em 1986, Lula se candidatou ao cargo de deputado federal e foi eleito com mais de 650 mil votos, fazendo dele o candidato a deputado mais votado do Brasil. Na sua posse, ele se colocou como oposição ao governo de José Sarney e participou da Assembleia Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

Acesse também: Tancredo Neves o candidato que ganhou a eleição de 1985

Disputa pela presidência

Ao final da década de 1980, Lula era um dos grandes quadros do PT, e a busca desse partido por protagonismo político fez com que ele fosse lançado à disputa pela presidência do Brasil. A primeira eleição para presidente que contou com o voto popular após a Ditadura Militar foi a de 1989.

No primeiro turno, Lula obteve cerca de 11,5 milhões de votos, ficando em segundo lugar, com cerca de 500 mil votos a mais que o terceiro colocado, Leonel Brizola (PDT). No segundo turno, Lula disputou a presidência com Fernando Collor (PRN), que havia sido governador do estado de Alagoas.

As historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling contam que Collor teve o apoio de toda a grande imprensa e o grande empresariado. Elas definiram a campanha eleitoral contra Lula naquele cenário como suja, pois contra o ex-sindicalista foram utilizados inúmeros argumentos sem fundamentos, como a ameaça de que ele faria o confisco das poupanças de caderneta — algo que Collor fez em seu governo — e a desapropriação de imóveis.|1| Até de sequestro de empresários o PT, partido de Lula, foi acusado — sem provas — de participar.

O resultado foi a derrota de Lula nessa disputa com uma margem razoavelmente pequena, e Collor obteve 53% dos votos, enquanto Lula obteve 47% dos votos, tendo cerca de quatro milhões de votos a menos. No segundo turno da eleição presidencial de 1989, Lula obteve o apoio de Leonel Brizola e do PSDB.

Lula também se candidatou para a presidência nas eleições de 1994 e 1998, e em ambas foi derrotado pelo candidato Fernando Henrique Cardoso, muito conhecido por ter sido um dos idealizadores do Plano Real, que estabilizou a economia brasileira e controlou a inflação durante o governo de Itamar Franco.

Lula na presidência

Lula discursando em apoio a Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014.[2]
Lula discursando em apoio a Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014.[2]

Em 2002, novamente Lula se candidatou à disputa pela presidência do Brasil, e, nesse pleito, ele adotou a estratégia de apresentar-se como um político mais moderado. Uma das demonstrações dessa nova disposição foi a publicação de um documento que ficou conhecido como “Carta aos brasileiros”.

Nesse documento, Lula comprometia-se a garantir a estabilidade da economia brasileira bem como a manter os acordos que o Brasil tinha com o capital estrangeiro. O documento também apresentava a garantia de que ele respeitaria as propriedades, conforme salientou o historiador Rodrigo Patto Sá Motta.|2|

Durante a campanha eleitoral, Lula se aliou a grupos mais conservadores, de forma a dar mais força a sua chapa. Essa aliança fez com que seu vice fosse José de Alencar, político do Partido Liberal (PL). Nessa eleição, Lula venceu o candidato do PSDB, José Serra, no segundo turno, obtendo 61% dos votos contra 39% de seu adversário.

A política econômica do governo Lula, a princípio, ficou marcada por algumas posturas pragmáticas, como a manutenção dos juros altos e o controle dos gastos públicos. Seu governo também evitou grandes reformas e não desafiou os privilégios das classes econômicas mais ricas do Brasil.

De toda forma, seu governo ficou marcado pelo controle da inflação, que caiu de 12,5%, em 2002 (último ano do governo FHC), para 3,1%, em 2003 (quarto ano do governo Lula).|3| O real se manteve estável e teve uma notória valorização em relação ao dólar. O governo Lula também conseguiu alcançar um crescimento econômico significativo para o PIB brasileiro.

Um dos pontos mais significativos do governo Lula foi a implantação de políticas sociais que combateram a pobreza por meio de transferência de renda do Estado para os cidadãos. Além disso, o poder do Estado no planejamento da economia brasileira tornou-se mais forte e os investimentos realizados por bancos estatais na produção econômica aumentaram.

Dois programas sociais estabelecidos no governo Lula foram o Fome Zero e o Bolsa Família, e ambos tinham como alvo o combate à pobreza. Esses programas foram criticados internamente, mas internacionalmente foram bastante elogiados, sobretudo o Bolsa Família.

Rodrigo Patto Sá Motta explica que o Bolsa Família concedia um auxílio financeiro para as famílias de baixa renda e exigia a manutenção das crianças matriculadas na escola e com a vacinação em dia. Assim, o auxílio financeiro ficava condicionado à melhoria da situação de saúde e educacional dessas famílias.|4|

Importante mencionar que o governo Lula também conseguiu garantir mais empregos e contribuiu para que a situação financeira da população brasileira em geral fosse melhorada. Por meio dos programas sociais, estima-se que cerca de 22 milhões de pessoas foram retiradas de situação de extrema pobreza.|5|

O governo Lula também foi corresponsável pelo aumento do salário-mínimo em 60% entre os anos de 2000 e 2013.|7| Ainda aponta-se para o fato de que, se levarmos em consideração somente os anos do governo Lula, o aumento do salário-mínimo, já descontada a inflação, foi de 70%.|7|

No campo educacional, também aconteceram avanços expressivos, uma vez que houve um grande investimento no desenvolvimento do Ensino Superior com a construção de novas universidades federais no país e com o aumento nos investimentos das que já existiam. Por fim, houve também incentivo do governo para estudantes que ingressavam no Ensino Superior em instituições privadas.

  • Videoaula sobre políticas públicas

Escândalos de corrupção

Em 2006, Lula conseguiu reeleger-se presidente do Brasil ao derrotar no segundo turno o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Novamente, ele obteve cerca de 61% dos votos válidos. Entretanto, ao final do primeiro mandato, seu governo passou a ser fortemente criticado por conta do escândalo que ficou conhecido como “mensalão”.

Lula segurando a bandeira do Brasil e sendo carregado por multidão após sua soltura
Recepção a Lula após a sua soltura, em novembro de 2019.[3]

A denúncia rendeu fortes críticas dos grupos de oposição, mas também de quadros do próprio PT, o partido do presidente. Basicamente, o mensalão consistia na compra de parlamentares por meio de um esquema de caixa dois com o propósito de que eles apoiassem os projetos do governo na Câmara, fazendo assim com que o governo tivesse a maioria.

Alguns dos envolvidos no esquema de caixa dois, como Roberto Jefferson e José Dirceu, acabaram tendo os seus mandatos políticos cassados. Lula, no entanto, sobreviveu ao escândalo porque as denúncias atingiram apenas a membros do governo e não houve denúncias contra o presidente em si.

Ao final do segundo mandato, a popularidade e o prestígio internacional de Lula eram altos, e ele conseguiu dar força para a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff. Entretanto, a partir de 2016, uma série de denúncias contra ele, por conta da Operação Lava-jato, começaram a ser feitas. Lula sofreu acusações de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, entre outros.

Uma das principais acusações fazia menção a um triplex que teria sido oferecido ao petista como parte de um esquema para conceder privilégios a duas construtoras em contratos com o governo de Dilma Rousseff. Lula também foi acusado de receber propina das mesmas construtoras e de tentar obstruir a Justiça (pois estava sendo investigado) ao cogitar assumir um ministério do governo Dilma.

As acusações contra o petista acabaram resultando em condenação na Justiça pelo juiz Sérgio Moro. No julgamento conduzido por Moro, Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão, e sua pena foi posteriormente aumentada para 12 anos e um mês. As acusações que resultaram em condenação foram lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Por fim, foi determinada a prisão de Lula, também pelo juiz Sérgio Moro.

Em 7 de abril de 2018, o ex-presidente compareceu perante a Justiça para ser preso e permaneceu em regime fechado por 580 dias. Em 8 de novembro de 2019, Lula recebeu ordem judicial para sair da cadeia porque sua condenação havia sido realizada em segunda instância, devendo ter seu caso transitado em julgado e as instâncias serem esgotadas para que ele fosse preso.

Em abril de 2021, todas as condenações contra Lula feitas por Sérgio Moro foram anuladas porque o Supremo Tribunal Federal considerou que o julgamento de Moro foi parcial, isto é, ele não foi considerado neutro durante o processo. As condenações anuladas envolviam o triplex do Guarujá e o sítio de Atibaia.

Por meio das condenações de Moro, Lula foi impedido de candidatar-se à presidência na eleição de 2018, e o próprio juiz acabou assumindo um cargo no governo do candidato eleito nessa disputa, Jair Bolsonaro.

Notas

|1| SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 492.

|2| MOTTA, Rodrigo Patto Sá. O lulismo e os governos do PT. In.: FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucília de Almeida Neves (org.). O Brasil republicano: da transição democrática à crise de 2016. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. p. 416.

|3| Idem, p. 417.

|4| Idem, p. 420.

|5| Idem, p. 425.

|6| SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 503.

|7| MOTTA, Rodrigo Patto Sá. O lulismo e os governos do PT. In.: FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucília de Almeida Neves (org.). O Brasil republicano: da transição democrática à crise de 2016. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. p. 422.

Créditos das imagens

[1] Gero Rodrigues e Shutterstock

[2] Nelson Antoine e Shutterstock

[3] LP Press e Shutterstock

Por: Daniel Neves Silva

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