Mercantilismo

Mercantilismo foi o conjunto de práticas econômicas adotadas pelas nações absolutistas da Europa entre os séculos XV e XVIII.

Várias moedas de ouro sendo pesadas em escala.
O acúmulo de metais preciosos era uma das características do mercantilismo.

O mercantilismo é o nome das práticas econômicas que foram adotadas pelas nações absolutistas da Europa entre os séculos XV e XVIII. É considerado um momento de transição que marcou o fim do feudalismo e o surgimento do capitalismo. O principal objetivo dessas práticas era garantir a acumulação de riquezas.

O mercantilismo buscava a obtenção de metais preciosos a todo custo, por isso, no comércio, o ideal era garantir uma balança comercial favorável. Além disso, as nações que o adotavam tinham posturas protecionistas e incentivavam o desenvolvimento de manufaturas. Por fim, o mercantilismo ficou marcado por uma grande intervenção do Estado na economia.

Veja também: Karl Marx o fundador do socialismo científico como crítica ao capitalismo

Resumo sobre mercantilismo

  • O mercantilismo foi o conjunto de práticas econômicas executadas entre os séculos XV e XVIII.

  • Marcou o fim do feudalismo e o surgimento do capitalismo.

  • Estabeleceu-se durante a formação do absolutismo e o surgimento dos Estados Nacionais modernos.

  • Procurou garantir o acúmulo de riquezas para fortalecer o monarca e seu reino.

  • Adotou práticas protecionistas, como as taxas alfandegárias.

  • Teve três tipos: metalista, comercial e industrial.

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O que foi o mercantilismo?

O mercantilismo foi o conjunto de práticas econômicas utilizadas entre os séculos XV e XVIII. Associou-se diretamente com os governos absolutistas, sendo a forma como eles defendiam seus interesses na economia. O mercantilismo é entendido como um período de transição entre o fim do feudalismo e o surgimento do capitalismo.

Como se associava com o absolutismo, o mercantilismo tinha como interesse o fortalecimento do monarca e do reino pelo acúmulo de metais preciosos. Esse sistema econômico permitiu o enriquecimento da burguesia por meio de seu incentivo ao comércio e ao já mencionado acúmulo de riquezas.

→ Principais características do mercantilismo

O objetivo mais básico do mercantilismo era o acúmulo de riquezas, sobretudo, de metais preciosos, o lastro para muitas moedas correntes na época. Por isso, os reinos absolutistas que praticavam o mercantilismo faziam o possível para impedir a saída desses metais.

Os laços do mercantilismo com o absolutismo iam além pelo fato de que a prosperidade de uma nação era transformada em fortalecimento do poder real, que usava essa riqueza para se consolidar em sua posição. O fortalecimento do poder do rei foi incentivado pela burguesia, classe que mais conquistou riquezas com o mercantilismo.

A burguesia identificou, no fortalecimento do poder real e na concentração de poder, uma forma de combater ou diminuir os privilégios que a nobreza europeia possuía. O incentivo ao absolutismo e ao mercantilismo foi o caminho encontrado por essa burguesia para prosperar, e, dentro desse sistema, havia inúmeras formas de se obter riqueza.

Os reinos absolutistas poderiam cobrar impostos de sua população, exportar mercadorias, impor taxas alfandegárias, incentivar ações de pirataria (para saquear riquezas de outros países), cargos públicos e títulos de nobreza poderiam ser vendidos, bens poderiam ser confiscados, privilégios comerciais poderiam ser estabelecidos, entre outras formas.

Essas formas e muitas outras foram utilizadas na obtenção de riquezas, e os países europeus faziam de tudo para obterem uma receita maior que as suas despesas. Essa procura era conhecida como balança comercial favorável, e, assim, os Estados que adotavam o mercantilismo deveriam ter mais vendas do que compras.

O aumento na quantidade de vendas passou pela importância do colonialismo para as nações mercantilistas, uma vez que as colônias eram fontes de matérias-primas bem como mercados consumidores das mercadorias manufaturadas produzidas pelas metrópoles. Uma das formas das nações mercantilistas executarem isso foi o exclusivo comercial, prática que obrigava as colônias a comprarem e venderem unicamente para sua metrópole.

Além disso, a procura por impedir que metais preciosos saíssem dos cofres reais forçava os países mercantilistas a adotarem práticas protecionistas sobre o comércio. Com isso, as mercadorias estrangeiras eram taxadas com um imposto alfandegário, cujo objetivo era encarecê-las para tornar as mercadorias nacionais mais interessantes.

Ainda, as nações mercantilistas incentivavam que as mercadorias fossem produzidas internamente, o que retirava a dependência sobre o mercado exterior e, consequentemente, reduzia a saída de moeda dos cofres reais. Com isso, alguns países incentivavam o surgimento de manufaturas em seus territórios.

Os Estados mercantilistas também recorriam aos impostos, quando fosse necessário. Os saques, por meio de ações de pirataria, foram muito utilizados pelos ingleses para obter-se os metais preciosos que eram transportados pelos espanhóis da América para a Espanha. O confisco de bens também foi utilizado como forma de obtenção de riquezas, entre outros.

Os países mercantilistas, ademais, adotavam monopólios comerciais que atuavam, principalmente, nas colônias, como forma de estabelecer uma atividade econômica que seria financiada de maneira particular e que geraria um retorno econômico para o Estado, pois havia a cobrança de taxas que esse particular deveria pagar ao Estado.

Podemos perceber aqui que o mercantilismo possuía outra característica extremamente importante: o Estado estava constantemente intervindo na economia, pois era obrigação dele garantir a permanência de moeda e a acumulação de riquezas. Para isso, o Estado agia diretamente na economia.

Veja também: Abertura dos portos — a ação tomada no Brasil que deu fim ao pacto colonial

Surgimento do mercantilismo

O mercantilismo se relacionou como o contexto de surgimento dos Estados Nacionais modernos, tendo em vista sua associação direta com o absolutismo. Nesse período, ocorria a ascensão da burguesia, que desejava enfraquecer os privilégios da nobreza para garantir o desenvolvimento de seus negócios.

Com isso, o fortalecimento do poder do monarca passou a ser defendido e entendido como a forma ideal de governo. A consolidação dessa ideia garantiu que a nobreza fosse obrigada a abrir mão de muitos de seus privilégios originados no período feudal. Junto da concentração de poder nas mãos do rei, veio o mercantilismo.

Tipos de mercantilismo

Com o estabelecimento do mercantilismo, essas práticas econômicas não se mantiveram estáticas, mas passaram por algumas transformações ao longo do período em que foram adotadas. Por isso, diferentes tipos de mercantilismo se estabeleceram em diferentes nações europeias, sendo eles: metalista, comercial e industrial.

O metalista defendia a acumulação de metais preciosos a todo custo e dependia diretamente da exploração colonial; o comercial defendia a exploração das colônias, mas baseava-se, principalmente, no princípio do exclusivo comercial; o industrial defendia a construção de manufaturas como forma de proteger sua economia de mercadorias estrangeiras.

Por: Daniel Neves Silva

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