Tuberculose

A tuberculose é uma doença bacteriana grave que afeta, principalmente, os pulmões. Desencadeada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis, essa doença provoca tosse persistente, febre e emagrecimento. Apesar do número de casos ter diminuído nos últimos anos, a tuberculose ainda é considerada uma das doenças infecciosas que mais matam em todo o mundo.

De acordo com a Organização Pan Americana de Saúde, 500 vidas são perdidas diariamente em decorrência da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil ocupa o 18º lugar entre os 22 países responsáveis por 82% do total de casos de tuberculose no mundo.

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O que é tuberculose?

A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa desencadeada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Essa bactéria afeta, principalmente, o pulmão, entretanto, pode ser responsável por infectar outras partes do organismo, como o sistema nervoso, os rins e os ossos.

A doença já foi responsável por matar várias pessoas em todo o mundo, entretanto, a partir da metade do século XX, observou-se uma queda, tanto da sua incidência quanto da sua mortalidade. De acordo com a organização humanitária internacional Médicos Sem fronteiras, a taxa de mortalidade teve uma redução de 47% entre os anos de 1990 e 2015. No entanto, ainda de acordo com a organização, existem lacunas na cobertura e problemas relacionados com diagnóstico e tratamento, além do surgimento de casos resistentes aos medicamentos, que fazem da tuberculose um problema atual.

A tuberculose é causada por bactérias que atingem, principalmente, os pulmões.
A tuberculose é causada por bactérias que atingem, principalmente, os pulmões.

A tuberculose pode afetar diferentes órgãos do nosso corpo, entretanto, a tuberculose pulmonar é a forma mais frequente e a responsável pela cadeia de transmissão da doença. A tuberculose pulmonar apresenta como principais formas de apresentação: a primária e a secundária.

A forma primária ocorre em seguida do primeiro contato do indivíduo com o bacilo, podendo desencadear febre baixa, irritação, sudorese noturna e falta de apetite. A forma pós-primária ou secundária ocorre quando se tem uma nova infecção ou a reativação dos bacilos latentes. Ela apresenta como sintoma principal a tosse seca ou produtiva, podendo ser, nesse último caso, purulenta ou mucoide, com ou sem sangue.

Quando afeta outros órgãos, que não o pulmão, a tuberculose é denominada extrapulmonar. As principais formas de tuberculose extrapulmonar são: TB pleural, TB ganglionar periférica, TB meningoencefálica, TB pericárdica, e TB óssea.

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Transmissão da tuberculose

A tuberculose é uma doença transmitida, quase em sua totalidade, de uma pessoa para outra por meio de gotículas eliminadas pelo doente ao falar, tossir ou espirrar. Essas gotículas eliminadas pelo doente podem então ser aspiradas por outro indivíduo saudável.

Muitas vezes, quando a pessoa inala as gotículas, elas ficam no trato respiratório superior, uma condição improvável para o desenvolvimento da doença. Quando atingem os alvéolos, o sistema imunológico entra em ação e, muitas vezes, consegue manter os bacilos sob controle. Quando o sistema imune falha, os bacilos multiplicam-se e dão origem à forma primária da doença

Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil: “[...] estima-se que 10% das pessoas que foram infectadas pelo M. tuberculosis adoeçam: 5% nos dois primeiros anos que sucedem a infecção e 5% ao longo da vida, caso não recebam o tratamento preventivo preconizado”.

Vale salientar que a possibilidade de uma pessoa ser infectada pela bactéria depende de fatores como duração do contato com o doente, ambiente no qual o contato ocorre e infectividade do caso fonte.

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Sintomas da tuberculose

A maioria das pessoas expostas à tuberculose não desenvolve sintomas. Após contaminar-se com o bacilo, a progressão da doença dependerá de alguns fatores, como o funcionamento do sistema imunológico do indivíduo. Dentre os grupos de risco para o desenvolvimento da doença, podemos citar pessoas vivendo em situação de rua, pessoas HIV positivas, pessoas privadas de liberdade e indígenas.

A tuberculose apresentará sintomas a depender do órgão acometido. Quando falamos dos pulmões, por exemplo, os principais sintomas são tosse persistente, produtiva ou seca por três semanas ou mais; febre vespertina (geralmente inferior a 38,5 °C); sudorese noturna; fadiga; e emagrecimento.

Um dos sintomas da tuberculose é a tosse, a qual pode ser produtiva ou seca.
Um dos sintomas da tuberculose é a tosse, a qual pode ser produtiva ou seca.

Diagnóstico da tuberculose

A tuberculose pode ser diagnosticada analisando-se os sintomas do paciente e realizando-se exames como a baciloscopia do escarro, a radiografia do tórax e a prova tuberculínica. Em alguns lugares, está disponível também o teste rápido molecular para tuberculose, que apresenta resultado em cerca de duas horas e utiliza apenas uma amostra de escarro.

Tratamento da tuberculose

A tuberculose é uma doença que apresenta cura, sendo o tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS. O tratamento, baseado no uso de antibióticos, é relativamente longo, com duração de, no mínimo, seis meses. Cerca de 15 dias após seu início, a pessoa não é mais capaz de transmitir a doença a outras, entretanto, é fundamental que ele não seja interrompido.

A interrupção precoce do tratamento é responsável, por exemplo, pelo surgimento de resistência bacteriana, fazendo com que se tenha casos mais graves da doença. Nas formas resistentes a medicamentos, o tratamento pode durar anos e provocar efeitos colaterais.

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Prevenção da tuberculose

A prevenção da tuberculose pode ser conseguida, por exemplo, com a vacinação. A vacina BCG protege contra as formas mais graves da doença e deve ser dada, de acordo com o Ministério da Saúde, às crianças ao nascer ou, no máximo, até os quatro anos, 11 meses e 29 dias. Outras formas de prevenção da tuberculose são: evitar o contato com pacientes em ambientes fechados e evitar aglomerações.

Ainda, uma medida importante adotada pelo doente é: sempre que tossir ou espirrar, proteger a boca com um lenço ou utilizando o antebraço. Além disso, é fundamental que o doente realize seu tratamento sem interrupções, com o objetivo de impedir a cadeia de transmissão.

Por: Vanessa Sardinha dos Santos

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