Holocausto

Holocausto ou Shoá (como é conhecido entre os judeus) foi o genocídio realizado pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Esse extermínio deliberado foi responsável pela morte de seis milhões de pessoas, e o grupo mais atingido foram os judeus. Milhões deles morreram por ação dos grupos de extermínio ou em campos de concentração e extermínio.

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Contexto: antissemitismo na Alemanha

O Holocausto, mais conhecido pelos judeus como Shoá, foi o genocídio promovido pelos nazistas na Europa durante os anos da Segunda Guerra Mundial. O principal grupo vítima desse genocídio foram os judeus, mais outras minorias, como: ciganos, negros, homossexuais e deficientes físicos. De toda forma, o grande mobilizador do Holocausto foi o antissemitismo.

Fila de judeus à espera de embarcar no trem que os levaria para algum campo de concentração.[1]
Fila de judeus à espera de embarcar no trem que os levaria para algum campo de concentração.[1]

A perseguição dos judeus na Alemanha era algo que remontava ao século XIX, período em que discursos antissemitas ganharam força lá e em outras nações da Europa. Além disso, muitas das práticas horrendas cometidas no Holocausto foram colocadas em prática pelos alemães durante o neocolonialismo, ainda no século XIX.

Portanto, antissemitismo e genocídio eram dois conceitos bem presentes na sociedade alemã. As condições que levaram ao Holocausto começaram a despontar após a Primeira Guerra Mundial. A derrota na guerra, a humilhação internacional, a crise econômica e o descrédito na democracia social-democrata permitiram o crescimento de uma retórica extremista de viés conservador.

Essa retórica extremista conservadora espalhou-se pelos grupos da extrema-direita, incluindo o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista. A ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha, em 1933, possibilitou que práticas de perseguição aos judeus se consolidassem no território alemão.

Uma das primeiras práticas contra os judeus na Alemanha foi a expulsão deles do serviço público. Essa medida ficou conhecida como Lei para a Restauração do Serviço Público Profissional, sendo aprovada em 7 de abril de 1933. Com o crescimento do antissemitismo, estabelecimentos administrados por judeus começaram a ser boicotados por parte da população.

Essas ações contra os judeus estenderam-se para diferentes esferas e chegaram ao ponto em que violências físicas começaram a ser realizadas e coordenadas pelo próprio Estado alemão. Os judeus, que eram uma minoria na Alemanha (cerca de 1% da população do país), começaram a ter a sua cidadania retirada.

Dois momentos marcantes da história do Holocausto foram as Leis de Nuremberg e a Noite dos Cristais, ambos na década de 1930. Esses acontecimentos foram importantes indicativos do avanço do antissemitismo na Alemanha.

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  • Leis de Nuremberg

O conjunto de dispositivos jurídicos conhecido como Leis de Nuremberg foi estabelecido no ano de 1935 e legislava, sobretudo, sobre a questão da cidadania alemã, mas também ditava algumas normas quanto aos costumes e ao âmbito privado da população alemã. Determinou-se que aqueles que tivessem ¾ de sangue judeu ou mais não seriam considerados cidadãos alemães.

Os judeus tornaram-se “sujeitos de Estado”, perderam seus direitos, mas, ainda assim, deveriam cumprir suas obrigações para com o Estado alemão. Por fim, dentro dessas leis, estavam incluídas normas que determinavam que judeus e não judeus não deveriam relacionar-se sexualmente. Casamentos inter-raciais foram proibidos e passaram a ser considerados “corrupção sexual”. Caso queira aprofundar-se nessa legislação antissemita, leia: Leis de Nuremberg.

  • Noite dos Cristais

A Noite dos Cristais foi um pogrom, isto é, um ataque violento coordenado pelo Partido Nazista contra os judeus em toda a Alemanha. Esse ataque aconteceu na virada do dia 9 para o dia 10 de novembro de 1938 e ficou marcado pela violência contra sinagogas, residências e estabelecimentos comerciais de judeus.

A Noite dos Cristais causou uma destruição material significativa em toda a Alemanha, uma vez que milhares de sinagogas e lojas foram atacadas em todo o país. Milhares de judeus foram agredidos, e especula-se que milhares morreram, apesar de os números oficiais apontarem para 91 mortes.

A Noite dos Cristais também deu início ao aprisionamento de judeus na Alemanha, uma vez que cerca de 30 mil foram presos e levados para três campos de concentração: Buchenwald, Dachau e Sachsenhausen. O extermínio dos judeus, no entanto, só se iniciou de maneira regular a partir da Segunda Guerra Mundial. Para saber mais sobre esse ataque aos judeus, leia: Noite dos Cristais.

Solução Final: o genocídio judeu

Heinrich Himmler (esquerda) e Reinhard Heydrich (centro) foram os idealizadores da Solução Final, o plano de extermínio dos judeus.[1]
Heinrich Himmler (esquerda) e Reinhard Heydrich (centro) foram os idealizadores da Solução Final, o plano de extermínio dos judeus.[1]

Com a Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939, a violência contra os judeus aumentou ao ponto de tornar-se um genocídio. A cúpula nazista debatia o que fazer com os judeus na Europa quando a Alemanha ganhasse o conflito. Enquanto isso, judeus eram aprisionados em guetos e em campos de concentração em todos os territórios ocupados pelas tropas alemãs.

À medida que o conflito foi saindo do controle da Alemanha e que os Aliados começaram a conquistar territórios, os nazistas passaram a intensificar o genocídio judeu. O objetivo era promover uma limpeza racial para exterminar todos os judeus no continente europeu. Foi daí que surgiu um plano conhecido como Solução Final.

Essa plano visava ao extermínio dos judeus e foi usado como um eufemismo para a matança em curso. Seus dois idealizadores foram Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler. As duas principais formas de extermínio dos judeus deram-se por intermédio dos grupos de extermínio e dos campos de concentração. Os nazistas também exploravam a mão de obra judia em trabalhos escravos.

Acesse também: A Segunda Guerra Mundial no território da Iugoslávia

  • Grupos de extermínio

IMAGEM FORTE Judeus mortos depositados em valas comuns.[1]
Judeus mortos depositados em valas comuns.[1]

Os grupos de extermínio, conhecidos em alemão como Einsatzgruppen, eram uma tropa que atuava atrás das linhas nazistas no leste europeu. À medida que os soldados alemães avançavam pela frente soviética, os grupos de extermínio os acompanhavam, rastreando e executando milhares de judeus. Foram a primeira ação dos nazistas a fim de consolidar-se a limpeza étnica na Europa.

Os grupos de extermínio eram formados por membros do exército alemão, da Schutzstaffel (SS) e de outras polícias nazistas. Eles foram divididos em quatro grandes tropas que localizavam e fuzilavam os judeus, enterrando-os em grandes valas comuns. Locais como a Lituânia tiveram dezenas de milhares de judeus fuzilados pelo Einsatzgruppen.

Uma das ações mais conhecidas dos grupos de extermínio aconteceu em Kiev, atual Ucrânia, em setembro de 1941. Entre os dias 29 e 30 desse mês, os nazistas executaram 33.761 judeus em represália a um ataque sofrido pelos alemães e executado por grupos da resistência soviética.

Esse acontecimento ficou conhecido como Massacre de Babi Yar, e nele mais de 30 mil judeus foram mortos em um prazo de 36 horas. Ao todo, estima-se que os grupos de extermínio foram responsáveis pela morte de, pelo menos, um milhão de judeus.

Leia mais: Invasão da Polônia e início da Segunda Guerra Mundial

  • Campos de concentração e campos de extermínio

A ação dos grupos de extermínio tornou-se problemática para os nazistas porque as tropas responsáveis desenvolviam muitos problemas psicológicos por seu envolvimento direto na execução. Além disso, os fuzilamentos não aconteciam na velocidade desejada pela cúpula nazista.

Assim, os campos de concentração foram convertidos em campos de extermínio, e locais unicamente para a execução de judeus foram construídos pelos nazistas. Os campos de concentração continuaram a existir, e neles experimentos médicos e a exploração da mão de obra dos judeus aconteciam. As execuções, em menor volume, continuaram também.

Para ampliar o volume de execuções, os nazistas criaram seis campos de extermínio, locais em que os judeus eram enviados unicamente para sua execução. Eram os seguintes:

  • Auschwitz-Birkenau
  • Belzec
  • Chelmno
  • Majdanek
  • Sobibor
  • Treblinka

Somente o campo de Auschwitz-Birkenau foi o responsável pela morte de 1,2 milhão de pessoas. As execuções nesses locais eram feitas em câmaras de gás, que utilizavam monóxido de carbono ou Zyklon-B. Este último é um pesticida que solta um gás tóxico quando aquecido, o que fazia com que as vítimas que o inalavam nas câmaras falecessem por intoxicação.

As violências diárias, a falta de alimentação adequada e os problemas de saúde, que se multiplicavam nesses locais, foram outros fatores que contribuíram para a morte de milhares de judeus. Para saber mais sobre o tema deste tópico, leia: Campos de concentração.

Fim do Holocausto

Milhares de prisioneiros em péssimas condições foram soltos à medida que os campos de concentração eram liberados pelos Aliados.[1]
Milhares de prisioneiros em péssimas condições foram soltos à medida que os campos de concentração eram liberados pelos Aliados.[1]

O Holocausto encerrou-se com a derrota alemã na Segunda Guerra Mundial. À medida que as tropas Aliadas avançavam, novos campos de concentração foram liberados, e seus prisioneiros, libertos. Ao todo, o Holocausto foi responsável pela morte de seis milhões de pessoas, e horrores inimagináveis foram cometidos nesses locais. O Holocausto foi um dos acontecimentos mais horrendos da história da humanidade.

Os atos cometidos pelos alemães durante esse período sombrio fizeram com que diversos membros do Partido Nazista fossem julgados por crimes contra a humanidade. O julgamento mais significativo nesse sentido aconteceu durante o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg, que atuou entre os anos de 1945 e 1946.

Créditos das imagens

[1] Everett Collection e Shutterstock

Por: Daniel Neves Silva

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