Neonazismo

Neonazismo é a ideologia extremista que procura resgatar e reabilitar os ideais do nazismo. Estima-se que existam cerca de 10 mil neonazistas no Brasil.

O neonazismo resgata a ideologia nazista e procura reabilitá-la aos dias atuais. Muitos estudiosos apontam sua presença na política atual.[1]
O neonazismo resgata a ideologia nazista e procura reabilitá-la aos dias atuais. Muitos estudiosos apontam sua presença na política atual.[1]

O neonazismo é uma ideologia extremista que procura resgatar e reabilitar os valores defendidos pelo nazismo. Os neonazistas propagam um elevado discurso de ódio contra grupos minoritários da sociedade, como negros, LGBTQIAP+, mulheres, entre outros. Além disso, são defensores de ideais supremacistas e negacionistas sobre o Holocausto.

Os neonazistas atuam clandestinamente e atualmente camuflam sua ideologia com pautas defendidas por grupos e partidos conservadores. Além disso, muitos estudiosos dessa ideologia apontam que seus adeptos conseguiram penetrar em partidos políticos, sobretudo na Europa. No Brasil, estima-se que existam 10 mil neonazistas.

Acesse também: Leis de Nuremberg e a segregação dos judeus na Alemanha Nazista

Tópicos deste artigo

Resumo sobre neonazismo

  • O neonazismo é uma ideologia que resgata e reabilita os ideais do nazismo.
  • Surgiu logo após a Segunda Guerra e atua na clandestinidade.
  • Manifesta discurso de ódio contra determinadas minorias, como negros, mulheres, judeus e o grupo LGBTQIAP+.
  • Seus adeptos exaltam Adolf Hitler e negam a existência do Holocausto.
  • Atualmente, no Brasil, existem mais de 500 células neonazistas.

Videoaula sobre neonazismo

Neonazismo

O neonazismo é um movimento que objetiva resgatar os ideais nazistas, reabilitando-os para o contexto atual. O neonazismo surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial e tem conquistado espaço por meio de um discurso camuflado. Em geral, os neonazistas adotam os ideais nacionalistas e supremacistas.

A derrota na Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto fizeram com que o nazismo e outros ideais fascistas se enfraquecessem consideravelmente no mundo. Assim, os grupos que defendem o resgate dos ideais nazistas passaram a agir na clandestinidade porque suas manifestações foram proibidas em diversos locais.

Portanto, quando se fala de neonazismo, refere-se a grupos ou indivíduos que defendem os ideais nazistas. Estudiosos do assunto denunciam que, nas últimas décadas, uma série de grupos neonazistas tem conseguido penetrar na política profissional, sobretudo em nações europeias, mascarando suas ideias por meio da defesa de pautas conservadoras.

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Uma das bandeiras mais defendidas pelos neonazistas e que penetra na política é a sua oposição à entrada de imigrantes em seus países, sobretudo se esses imigrantes forem africanos e muçulmanos. Os grupos neonazistas defendem a marginalização e até mesmo a expulsão dessas minorias étnicas de seus países. Tal posição é considerada xenofóbica.

Além disso, os neonazistas defendem a supremacia e espalham falsas teorias sobre a suposta superioridade do homem branco. O supremacismo é uma concepção racista. Seus propagadores manifestam discurso de ódio contra negros, judeus, LGBTQIAP+ e defendem a misoginia, principalmente contra mulheres feministas.

Bandeira nazista
Muitos neonazistas colecionam artigos nazistas.[2]

Os neonazistas também promovem a exaltação de Adolf Hitler, líder do nazismo entre as décadas de 1920 e 1940. Muitos colecionam itens dessa época, como bandeiras, cartazes, livros e até uniformes e armas usados pelo exército alemão. Por fim, eles também negam o Holocausto.

Enquanto negacionistas, os neonazistas usam teorias da conspiração para defenderem que o Holocausto não foi um genocídio de judeus. Essa posição não é corroborada pela historiografia, uma vez que existem inúmeras comprovações acerca da dimensão do genocídio de judeus promovido durante a Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, muitos neonazistas usam fóruns e games on-line para promoverem suas ideias e conquistarem novos seguidores. Eles se valem do falso argumento de que suas posições podem ser defendidas pela liberdade de expressão, mas estudiosos do assunto definem que elas não se enquadram nesse direito por serem essencialmente discursos de ódios que contribuem para ações violentas.

Recentemente uma série de atentados aconteceram no planeta, e seus responsáveis foram identificados como indivíduos ligados a células neonazistas ou que, ao menos, defendiam esses ideais. Um exemplo ocorreu em 2019, na Nova Zelândia, quando um extremista invadiu duas mesquitas e abriu fogo contra os presentes. No total, 51 pessoas morreram vítimas desse atentado. A polícia descobriu que o autor do atentado, Brenton Tarrant, é neonazista.

Leia mais: Ku Klux Klan grupo terrorista supremacista que surgiu nos EUA, no século XIX

Neonazismo no Brasil

As células neonazistas brasileiras, historicamente, concentravam-se nas regiões Sudeste e Sul, sobretudo nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atualmente, os estudiosos do assunto apontam um crescimento dessas células em locais como a região Centro-Oeste e o estado de Minas Gerais.

A antropóloga Adriana Dias afirma que, em 2022, o Brasil já tinha 530 células neonazistas, que agrupam cerca de 10 mil pessoas, espalhadas pelo país. Seus estudos também apontam que, entre 2019 e 2021, tais grupos cresceram 270% aqui.|1|

No Brasil, os neonazistas defendem os mesmos ideais já mencionados, assim, procuram reabilitar os ideais nazistas, negam o Holocausto, exaltam Hitler e manifestam ódio contra mulheres, judeus, nordestinos, negros, imigrantes e LGBTQIAP+.

Acesse também: Einsatzgruppen — os grupos de extermínio nazistas

Nazismo

Foto de perfil em preto e branco de Adolf Hitler
Adolf Hitler foi o líder do Partido Nazista e responsável por seu crescimento a partir da década de 1920.[3]

O nazismo foi um ideal de extrema-direita que surgiu na Alemanha, em 1919, sendo marcado por suas posições extremistas e seu discurso de ódio. Ele surgiu no contexto do pós-Primeira Guerra Mundial, marcado pela humilhação alemã após sua derrota na guerra e pela crise política e social instalada no país. O discurso populista e a violência das milícias nazistas ganharam força na Alemanha, na década de 1920, sob a liderança de Adolf Hitler.

Em 1933, os nazistas ascenderam ao poder da Alemanha e deram início a transformações no país, o que incluiu a imposição de um regime totalitário que perseguiu opositores e minorias, como os judeus. Essa perseguição levou ao aprisionamento de social-democratas, comunistas e judeus em campos de concentração, já na década de 1930.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas iniciaram a uma política de extermínio dos judeus de toda a Europa. Esse extermínio se deu por meio do que ficou conhecido como Solução Final, o plano que estabeleceu como o genocídio de judeus e de outras minorias seria realizado.

Milhões de judeus foram levados a campos de concentração construídos em diversas partes da Europa, sobretudo na Polônia, e lá foram submetidos a todo o tipo de maus-tratos, incluindo a escravização. Os nazistas também construíram campos de extermínio, cujo único propósito era executar judeus e outras minorias. Estima-se que mais de seis milhões foram vítimas dos horrores nazistas durante o Holocausto.

  • Videoaula sobre quem foi Adolf Hitler 

Nota

|1| Grupos neonazistas crescem 270% no Brasil em 3 anos; estudiosos temem que presença on-line transborde para ataques violentos. Para acessar, clique aqui.

Créditos das imagens

[1] Alexandros Michailidis e Shutterstock

[2] Karolis Kavolelis e Shutterstock

[3] Elzbieta Sekowska e Shutterstock

Por: Daniel Neves Silva

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