Lygia Fagundes Telles

Lygia Fagundes Telles foi uma escritora de narrativas pós-modernistas. Um de seus livros mais famosos é o romance “Verão no aquário”.

Lygia Fagundes Telles, em 2011. Foto de Augusto Canuto. [1]
Lygia Fagundes Telles, em 2011. Foto de Augusto Canuto. [1]

Lygia Fagundes Telles nasceu em 19 de abril de 1923, na capital de São Paulo. Mais tarde, ela se formou em Direito e se tornou procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, cargo no qual se aposentou em 1991. Além disso, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras em 1985.

A escritora, que faleceu em 03 de abril de 2022, em São Paulo, foi um dos principais nomes da terceira fase do modernismo brasileiro (ou pós-modernismo). Seus textos apresentam caráter intimista e monólogo interior. Uma de suas obras mais conhecidas é o romance Verão no aquário.

Veja também: Clarice Lispector — outra importante autora da terceira fase do modernismo brasileiro

Resumo sobre Lygia Fagundes Telles

  • A escritora paulista Lygia Fagundes Telles nasceu em 1923 e faleceu em 2022.

  • Além de contista e romancista, fez faculdade de Direito na USP.

  • A autora pertenceu à terceira geração do modernismo brasileiro (ou pós-modernismo).

  • Suas obras apresentam conflito existencial e monólogo interior.

  • Seu romance Verão no aquário é um de seus livros mais conhecidos.

Videoaula sobre Lygia Fagundes Telles

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Biografia de Lygia Fagundes Telles

Lygia Fagundes Telles nasceu em 19 de abril de 1923, na capital de São Paulo. Como o pai era promotor público, durante a infância da autora, sua família morou em algumas cidades do interior do estado, como Sertãozinho. Ainda, durante cinco anos, a escritora viveu no Rio de Janeiro.

Voltou a morar na capital paulista em 1937, quando seus pais já tinham se separado. Com a ajuda financeira paterna, no ano seguinte, em 1938, publicou seu primeiro livro de contos — Porão e sobrado. Em 1941, após receber o título de bacharel em Educação Física, na Universidade de São Paulo, passou a estudar na Faculdade de Direito, também na USP.

Além de fazer faculdade, a jovem escritora trabalhava na Secretaria de Agricultura, pois a condição financeira de sua família não era mais tão boa quanto antes. Durante esse período, fez parte de passeatas estudantis que protestavam contra a ditadura de Vargas, reprimidas violentamente pela polícia.

A romancista se casou, em 1947, com Goffredo da Silva Telles Jr. (1915-2009). O casamento durou até 1960. No ano seguinte, ela assumiu o cargo de procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo. Além disso, também foi presidenta da Cinemateca Brasileira, fundada por Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977), seu segundo marido.

No ano de 1977, foi o principal nome de uma comissão de escritores que condenava a censura imposta pelo regime militar, os quais foram responsáveis pelo Manifesto dos Mil. Nesse mesmo ano, ficou viúva e não mais se casou. Já a aposentadoria do Instituto de Previdência chegou em 1991.

A partir daí, a autora passou a ter mais tempo para se dedicar à escrita de suas narrativas, além de participar de conferências e congressos no Brasil e em outros países. Faleceu em 03 de abril de 2022, na cidade de São Paulo, após uma bem-sucedida carreira literária.

→ Lygia Fagundes Telles e a Academia Brasileira de Letras

A autora, no ano de 1985, foi eleita a quarta ocupante da cadeira de número 16 da Academia Brasileira de Letras. A posse ocorreu em 12 de maio de 1987, quando Lygia Fagundes Telles foi recebida pelo acadêmico Eduardo Portella (1932-2017).

Características literárias de Lygia Fagundes Telles

Lygia Fagundes Telles foi uma representante da terceira geração modernista (ou do pós-modernismo). Assim, as obras da escritora apresentam estas características:

  • narrativa intimista;

  • protagonismo feminino;

  • questões existenciais;

  • monólogo interior;

  • fragmentação;

  • caráter psicológico;

  • traços de realismo fantástico;

  • elementos sociopolíticos.

Saiba mais: José J. Veiga — outro autor brasileiro que possui obras com traços de realismo fantástico

Principais obras de Lygia Fagundes Telles

  • Porão e sobrado (1938)

  • Praia viva (1944)

  • O cacto vermelho (1949)

  • Ciranda de pedra (1954)

  • Histórias do desencontro (1958)

  • Verão no aquário (1963)

  • Antes do baile verde (1970)

  • As meninas (1973)

  • Seminário dos ratos (1977)

  • A disciplina do amor (1980)

  • Venha ver o pôr do sol e outros contos (1987)

  • As horas nuas (1989)

  • A estrutura da bolha de sabão (1991)

  • A noite escura e mais eu (1995)

  • Oito contos de amor (1996)

  • Invenção e memória (2000)

  • Durante aquele estranho chá (2002)

  • Conspiração de nuvens (2007)

  • Passaporte para a China (2011)

  • Um coração ardente (2012)

  • O segredo e outras histórias de descoberta (2012)

Prêmios de Lygia Fagundes Telles

  • Afonso Arinos (1949), por O cacto vermelho;

  • Instituto Nacional do Livro (1958), por Histórias do desencontro;

  • Jabuti (1966, 1974, 1996 e 2001), por Verão no aquário, As meninas, A noite escura e mais eu, Invenção e memória;

  • Grande Prêmio Internacional Feminino para Contos Estrangeiros (1969) — França, por Antes do baile verde;

  • Candango (1969), pela coautoria do roteiro cinematográfico Capitu;

  • Guimarães Rosa (1972);

  • Coelho Neto (1974), por As meninas;

  • APCA (1974, 1980, 2001 e 2007), por As meninas, A disciplina do amor, Invenção e memória, Conspiração de nuvens;

  • PEN Clube do Brasil (1977), por Seminário dos ratos;

  • Pedro Nava (1989), por As horas nuas;

  • Arthur Azevedo (1995), por A noite escura e mais eu;

  • Aplub (1995), por A noite escura e mais eu;

  • Camões (2005), pelo conjunto da obra;

  • Mulheres mais Influentes (2007);

  • Dra. Maria Imaculada Xavier da Silveira (2008);

  • Juca Pato (2009);

  • Conrado Wessel (2015).

Análise literária de Verão no aquário, de Lygia Fagundes Telles

Capa do livro “Verão no aquário”, de Lygia Fagundes Telles, publicado pela editora Companhia das Letras. [2]
Capa do livro “Verão no aquário”, de Lygia Fagundes Telles, publicado pela editora Companhia das Letras. [2]

No romance Verão no aquário, uma jovem de classe média busca encontrar o sentido de sua existência. Raíza é a protagonista e narradora dessa obra. Ela alimenta a saudade do pai morto, que sofria com o alcoolismo, e a rivalidade com a mãe, uma escritora chamada Patrícia.

Quando o pai morreu, mãe e filha precisaram, por questões financeiras, mudar-se da casa onde viviam para um pequeno apartamento. Tendo isso em vista, o ambiente de vivência é totalmente feminino, pois, além de mãe e filha, também vive ali Graciana, tia de Raíza, além da empregada, Dionísia. Outra personagem feminina é Marfa, prima da narradora.

Essas jovens são festeiras e vivem intensamente. No entanto, um personagem invade esse mundo feminino. É o jovem André, que Raíza acredita ser amante de Patrícia. Assim, ela decide seduzir o rapaz. Depois que ela, finalmente, consegue ter relações sexuais com ele, André se mata.

Tal desfecho trágico leva Raíza a rever suas ações e tentar uma reaproximação de sua mãe. Assim, o livro mostra o conflito de gerações entre mãe e filha, duas mulheres com personalidades fortes e independentes, e que buscam sobreviver em um mundo cheio de desafios.

Frases de Lygia Fagundes Telles

A seguir, algumas frases de Lygia Fagundes Telles extraídas de seu livro Verão no aquário:

  • “A morte é castigo, mas a vida também é.”

  • “Não existe coisa mais triste no mundo do que fingir que há vida onde a vida acabou.”

  • “Sabia muito bem que a vida acabava sendo roída pelo tempo como qualquer sapato velho roído por um rato.”

  • “Na luta está a salvação.”

  • “Fidelidade é virtude de cão.”

  • “A posse sem amor é a mais triste das coisas.”

Créditos de imagem

[1] Wikimedia Commons (reprodução)

[2] Editora Companhia das Letras (reprodução) 

Por: Warley Souza

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