Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus foi uma autora brasileira do século XX. Suas obras são marcadas pela crítica social e a mais famosa é “Quarto de despejo: diário de uma favelada”.

A escritora Carolina Maria de Jesus foi uma autora cujas obras fazem importantes críticas sociais.[1]
A escritora Carolina Maria de Jesus foi uma autora cujas obras fazem importantes críticas sociais.[1]

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em Sacramento, no estado de Minas Gerais. Negra e de origem pobre, sofreu preconceito durante toda a sua vida. Encontrou na escrita uma forma de resistir à realidade miserável da favela do Canindé, em São Paulo, cidade onde trabalhava como catadora de papel para sustentar seus filhos.

A autora, que faleceu em 13 de fevereiro de 1977, em Parelheiros, ficou nacionalmente conhecida quando publicou seu livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, em 1960. Nessa e em outras obras da escritora, predominam a crítica social e a narrativa de caráter autobiográfico.

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Resumo sobre Carolina Maria de Jesus

  • A escritora brasileira nasceu em 1914 e faleceu em 1977.

  • Além de ser escritora, foi catadora de papel na cidade de São Paulo.

  • Suas obras apresentam uma linguagem coloquial e poética, além de crítica social.

  • Seu livro mais famoso é Quarto de despejo: diário de uma favelada, um diário de sua vida entre 1955 e 1960.

Videoaula sobre Carolina Maria de Jesus

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Biografia de Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em Sacramento, no estado de Minas Gerais. Mais tarde, em 1921, iniciou seus estudos no Colégio Espírita Allan Kardec, onde estudou por apenas dois anos. Depois disso, a escritora não teve mais contato com o ensino formal.

No ano de 1923, ela e a família foram morar em Lajeado, ainda em Minas Gerais, para trabalhar como lavradores. Quatro anos depois, mudaram-se para Franca, no estado de São Paulo. Nessa cidade, a autora trabalhou como lavradora e empregada doméstica. No ano seguinte, a família voltou para Sacramento.

Novamente, em 1929, a família se mudou, agora para Conquista, em Minas Gerais. Não ficou muito tempo lá e logo voltou para a cidade natal. No ano seguinte, Carolina Maria de Jesus decidiu ir embora para o estado de São Paulo, onde viveu em Ribeirão Preto e Orlândia.

De volta a Sacramento, a escritora e sua mãe foram presas em 1933, e o motivo era que a filha sabia ler. Autoridades acharam que ela lia textos de feitiçaria. Liberadas, elas se mudaram novamente para Franca. Três anos depois, a mãe voltou para a cidade natal, mas a futura escritora permaneceu na cidade paulista.

Em 1937, ela partiu rumo à cidade de São Paulo. Anos depois, em 1948, foi morar na favela do Canindé, onde se tornou mãe pela primeira vez, depois de um relacionamento com um português. Dois anos depois, teve seu segundo filho, agora com um espanhol. Nesse ano, em 1950, publicou um poema no jornal O Defensor.

Vera Eunice, a filha de Carolina Maria de Jesus, nasceu em 1953. Mãe solo, com três filhos para criar, a autora encontrava tempo para o trabalho, para a leitura e para a escrita. Assim, em 1958, o jornalista Audálio Dantas (1929-2018) a conheceu e publicou trechos de seu diário no jornal Folha da Noite.

Dois anos depois, em 1960, aconteceu a publicação de Quarto de despejo. O sucesso foi imediato, e a escritora virou notícia no país. Então, em 1960, Carolina Maria de Jesus finalmente conseguiu sair da favela do Canindé para morar em Osasco, e, no ano seguinte, conheceu a Argentina, o Chile e o Uruguai.

Na Argentina, ela enfrentou os mesmos preconceitos da sua vida inteira, e recebeu a Orden Caballero del Tornillo. Também lançou, no Brasil, um disco de composições próprias. Mais tarde, em 1969, a escritora se mudou para um sítio em Parelheiros, distrito da cidade de São Paulo.

Nos anos 1970, durante a ditadura militar, um curta-metragem sobre sua vida foi censurado. O título da obra é Favela: a vida na pobreza. A produção, de 1971, é alemã, com a diretora Christa Gottmann-Elter. Carolina Maria de Jesus faleceu em 13 de fevereiro de 1977, em Parelheiros.

Saiba mais: Cecília Meireles — uma das primeiras expressões femininas na poesia brasileira

Características da obra de Carolina Maria de Jesus

As obras de Carolina Maria de Jesus têm as seguintes características:

  • caráter memorialístico;

  • realismo e crítica social;

  • linguagem coloquial e poética;

  • protagonismo feminino;

  • ironia;

  • elementos trágicos;

  • literatura de testemunho;

  • literatura periférica;

  • temática do cotidiano;

  • narrativa autobiográfica.

Veja também: Cora Coralina — outra escritora brasileira de obras marcadas pelo caráter memorialístico

Obras de Carolina Maria de Jesus

  • Quarto de despejo (1960)

  • Casa de alvenaria (1961)

  • Pedaços da fome (1963)

  • Provérbios (1963)

  • Diário de Bitita (1986)

  • Meu estranho diário (1996)

  • Antologia pessoal (1996)

Quarto de despejo: diário de uma favelada

Capa do livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, publicado pela editora Ática.[1]
Capa do livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, publicado pela editora Ática.[1]

A obra mais famosa de Carolina Maria de Jesus é seu diário Quarto de despejo: diário de uma favelada. Esse diário narra o período de 1955 a 1960 na vida da escritora. Nessa narrativa, a autora expõe fatos ocorridos em sua vida durante essa época e seus pensamentos acerca da existência, da sociedade e da política do país.

Ela demonstra a sua paixão pela leitura, que está acima de qualquer dificuldade, e são muitas dificuldades. Ela vive na favela do Canindé, na cidade de São Paulo, e testemunha essa realidade de exclusão. Em seu diário, ela denuncia o preconceito racial e de classe, além de contar a realidade miserável de muitas pessoas.

Por meio da escrita, ela tenta entender o mundo em que vive, mas também quer deixar impressa a sua voz. Carolina Maria de Jesus quer ser ouvida, e consegue, pois o sucesso de seu livro foi impressionante. Assim, sabemos que ela é solteira por opção e cata papel para se sustentar e aos filhos.

É leitora, escritora e uma mulher de personalidade forte, que se impõe não só no dia a dia, mas principalmente em sua escrita. É uma mulher negra e pobre, “uma favelada”, como ela própria se autodenomina em seu diário. Assim, Carolina Maria de Jesus é uma representante das minorias brasileiras, que, pela obra da autora, podem finalmente ser ouvidas.

Por fim, a fome talvez seja a grande protagonista da obra, fato mencionado incansavelmente pela autora. A consciência da realidade, da qual a escritora não pode fugir, leva Carolina Maria de Jesus a refletir sobre sua condição de mulher negra, mãe, favelada e artista em um país caracterizado pela segregação social.

  • Videoaula sobre a análise literária de Quarto de despejo

Frases de Carolina Maria de Jesus

A seguir, vamos ler algumas frases de Carolina Maria de Jesus, retiradas de seu livro Quarto de despejo:

  • “Quando despertei o astro rei deslisava no espaço.”

  • “Tenho apenas dois anos de grupo escolar, mas procurei formar o meu carater.”

  • “A unica coisa que não existe na favela é solidariedade.”

  • “Não invejo as mulheres casadas da favela que levam vida de escravas indianas.”

  • “Eu não consegui armazenar para viver, resolvi armazenar paciência.”

  • “Quero enviar um sorriso amavel as crianças e aos operarios.”

  • “É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la.”

Créditos de imagem

[1] Domínio Público / Arquivo Nacional

[2] Editora Ática (reprodução)  

Por: Warley Souza

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