Simón Bolívar

Simón Bolívar veio de uma família da elite venezuelana e era membro da classe dos criollos. Com 20 anos de idade, ele já tinha perdido seus pais e sua esposa, María Teresa, e logo após o falecimento dela, jurou dedicar sua vida ao fim do domínio espanhol sobre a América do Sul.

Esteve diretamente envolvido com os processos de independência de quatro nações (Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia) e idealizou a unificação da América do Sul em um projeto conhecido como Grã-Colômbia. Após o fracasso da Grã-Colômbia, Bolívar passou os últimos meses de sua vida sozinho e doente.

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Juventude

Simón Bolívar nasceu em uma família da aristocracia venezuelana e tornou-se um dos grandes revolucionários da América do Sul.
Simón Bolívar nasceu em uma família da aristocracia venezuelana e tornou-se um dos grandes revolucionários da América do Sul.

Simón Bolívar nasceu no dia 24 de julho de 1783, na cidade de Caracas, atual capital da Venezuela. Nessa época, a Venezuela ainda era uma colônia espanhola e fazia parte da Capitania-Geral da Venezuela. Simón Bolívar teve uma origem aristocrata, uma vez que sua família era de criollos donos de muitas propriedades.

Na América espanhola, os criollos eram descendentes de espanhóis que haviam nascido no continente americano. No caso de Simón Bolívar, ele era filho de Juan Vicente Bolívar y Ponte e María de la Concepción Palacios y Blanco, e sua família era dona de fazendas que produziam açúcar e cacau, além de possuir centenas de escravos.

O nome de batismo de Bolívar era Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Ponte y Palacios Blanco. Ficou órfão ainda na infância, seu pai morreu quando ele tinha dois anos, e sua mãe, quando tinha quase nove anos. Ao todo, Simón Bolívar teve quatro irmãos, dos quais uma faleceu durante o parto.

Com a morte dos seus pais, a criação de Bolívar ficou a cargo de seu tio Carlos Palacios y Blanco. Este contratou tutores para que Bolívar tivesse uma boa educação, e deles se destacaram Simón Rodríguez e Andrés Bello, intelectuais na Venezuela do século XIX. Bolívar ainda teve uma breve formação militar e, aos 16 anos, foi enviado para a Espanha, para continuar os estudos.

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Casamento

Chegando à Espanha, Bolívar foi tutorado por Jerónimo de Ustáriz y Tovar, o marquês de Ustáriz, um nobre que chegou a ter cargos importantes nesse país. Durante o seu período na Espanha, Simón Bolívar conheceu a espanhola María Teresa del Toro Alayza. Ela era filha de criollos venezuelanos, e sua família fazia parte da aristocracia de Caracas, apesar de residir em Madrid.

Bolívar ficou noivo de María Teresa em 1800, e, dois anos depois, eles se casaram em Madrid. Depois de um tempo em La Coruña, Bolívar e sua esposa mudaram-se para a Venezuela, onde passaram um tempo em Caracas e depois em San Mateo. Nesse último local, ao que tudo indica, María Teresa ficou doente, provavelmente febre amarela ou malária, e meses depois de casar-se com Bolívar, ela faleceu.

Os biógrafos de Bolívar contam que a morte de sua esposa foi um duro golpe para ele, e a tristeza tomou conta de sua vida por certo tempo. Bolívar decidiu então nunca mais se casar novamente, e partiu em uma nova viagem pela Europa.

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Vida revolucionária

Quinta de Bolívar, residência de Simón Bolívar em Bogotá, capital da Colômbia.[1]
Quinta de Bolívar, residência de Simón Bolívar em Bogotá, capital da Colômbia.[1]

Essa viagem pela Europa aconteceu no mesmo ano da morte de María Teresa (1803). Nesse trajeto ele esteve acompanhado de Simón Rodríguez, um de seus tutores, e de um primo de sua falecida esposa. O ponto mais marcante do roteiro foi a passagem de Bolívar pela Itália, onde ele fez o juramento do Monte Sacro.

No juramento do Monte Sacro, Bolívar afirmou que dedicaria sua vida à libertação da América do domínio espanhol. Esse ato tem relação com a grande influência dos ideais iluministas com que ele teve contato durante suas viagens pela Europa. O local no qual o juramento foi feito também tinha valor simbólico, pois foi onde uma revolta de plebeus havia acontecido em 494 a.C.

Bolívar ainda passou pelos Estados Unidos, que recentemente haviam conquistado sua independência, e os biógrafos falam que essa passagem teve grande impacto em Bolívar. Quando ele retornou à Venezuela, em 1807, encontrou a cidade de Caracas em estado de agitação política como consequência da destituição de Fernando VII do trono espanhol por ordem de Napoleão Bonaparte.

Influenciadas por ideais iluministas, as colônias espanholas perceberam, naquele momento em que a Espanha estava enfraquecida, a chance para conquistar sua independência. Esse contexto garantiu o início do movimento de independência da Venezuela, e a luta pelo fim do domínio espanhol estendeu-se por toda a década de 1810. Em abril de 1810, foi formada uma junta revolucionária, e, no ano seguinte, foi declarada a Primeira República venezuelana.

  • Independência

Esse contexto garantiu que Bolívar se projetasse como um líder militar e revolucionário na América do Sul. Sua primeira grande missão foi em Londres, onde esteve acompanhando de outros nomes importantes, como Andrés Bello e Luis López Méndez. Em Londres, Bolívar fazia parte de uma comitiva diplomática que buscava garantir o apoio dos ingleses à causa venezuelana.

Essa missão aconteceu no ano de 1810, e a primeira campanha militar de Bolívar só aconteceu em 1811. As tropas realistas (tropas espanholas) conseguiram uma série de vitórias contra forças venezuelanas, obrigando Bolívar e muitos outros a fugirem da Venezuela em 1812. Bolívar passou um tempo em Curaçao e depois foi para Nova Granada.

Em Cartagena, cidade litorânea de Nova Granada, Bolívar deu início à montagem de uma pequena tropa que tinha como objetivo reconquistar a Venezuela. Seus exércitos partiram de Cúcuta e marcharam na direção de Mérida. A conquista dessa cidade venezuelana rendeu ao líder militar o apelido de “libertador”.

Ele ainda conseguiu conquistar Caracas e fundar a Segunda República, mas suas forças  enfraqueceram-se, e ele foi obrigado a fugir novamente. Bolívar esteve em Nova Granada, Jamaica e Haiti, e então retornou para a Venezuela em 1816, com o apoio do presidente haitiano Alexandre Pétion.

Local onde aconteceu a Batalha de Boyacá, em 1819.
Local onde aconteceu a Batalha de Boyacá, em 1819.

A Terceira República foi fundada em 1817, sendo Bolívar também seu líder. Ele ainda liderou tropas contra os espanhóis em Nova Granada, e assegurou a independência de Nova Granada quando derrotou os espanhóis na Batalha de Boyacá. Em 1821, ele também liderou forças que expulsaram os espanhóis em definitivo do território venezuelano.

Depois de garantir a independência de Nova Granada (atual Colômbia, Panamá e Equador) e da Venezuela, Bolívar ainda se envolveu na independência do Peru e da Bolívia. Seu papel na independência de tantos países fez dele um dos revolucionários mais conhecidos da história sul-americana.

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Últimos anos

Depois de derrotar os espanhóis, Bolívar colocou em prática um dos seus sonhos: unificar as nações sul-americanas em um só país. Ele idealizou a Grã-Colômbia, uma nação formada pelos territórios de Colômbia, Panamá, Equador e Venezuela. Foi seu presidente de 1819 a 1830, mas divergências com as elites de cada local minaram sua popularidade.

Bolívar renunciou à presidência da Grã-Colômbia e passou os últimos meses de sua vida em relativo abandono e pobreza. Em 17 de dezembro de 1830, faleceu vítima de tuberculose, e seu projeto — a Grã-Colômbia — dissolveu-se no ano seguinte.

Créditos da imagem

[1] Mark Pitt Images e Shutterstock

Por: Daniel Neves Silva

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