21 de março — Dia Mundial da Poesia

21 de março — Dia Mundial da Poesia — é a data em que a arte poética, em todo o mundo, é reverenciada. Assim, desde 1999, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) oficializou essa data comemorativa, os países, nesse dia, têm a missão de, por meio da poesia, promover a diversidade das línguas e intensificar os intercâmbios entre culturas.

Desse modo, grandes obras poéticas e seus autores são homenageados. É, portanto, uma chance, para cada nação, de valorizar poetas nacionais e internacionais que contribuíram e contribuem para o fortalecimento da poesia, como: Charles Baudelaire, Walt Whitman, Lord Byron, Fernando Pessoa, Paulo Leminski, Hilda Hilst, Luís Vaz de Camões, Manuel du Bocage, Noémia de Sousa e Cora Coralina.

Veja também: 31 de outubro – Dia da Poesia no Brasil

Como surgiu o Dia Mundial da Poesia?

Da pena ao teclado de computador: a escrita poética resiste ao tempo e às novas tecnologias.
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21 de março — Dia Mundial da Poesia — foi a data escolhida, na XXX Conferência Geral da Unesco, em 1999, para celebrar a poesia em todo o mundo. Com isso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura buscava incentivar a criação poética nacional, regional e internacional.

Além disso, a Unesco pretendia valorizar os idiomas usados na composição de poesias em todo o mundo, já que essa arte pode ajudar na preservação da identidade linguística e cultural dos povos; e buscava, também, promover o intercâmbio cultural entre todos os países.

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O que se comemora no Dia Mundial da Poesia?

No Dia Mundial da Poesia, comemoramos, em todo o planeta, a arte poética. Por isso, celebramos, também, poetas e poetisas. Tais artistas exploram os múltiplos significados das palavras e da existência, inspiram, encantam e fazem pensar. Assim, a Unesco aproveita a data para lançar algum tipo de reflexão que norteie as comemorações desse dia.

Nas comemorações de 2020, por exemplo, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, iniciou sua mensagem com uma citação de Franz Kafka (1883-1924): “Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós”. O objetivo era colocar em foco o protagonismo dos leitores e leitoras de poesia. Ainda, foram homenageados os “poetas do passado e do presente que apoiam a biodiversidade e a conservação da natureza”.

Dessa forma, o Dia Mundial da Poesia de 2020 serviu também para valorizar os chamados “ecopoetas” e sua “ecopoesia” e, portanto, para incentivar leitoras e leitores de todo o mundo a refletir e agir em prol da biodiversidade e da conservação da natureza. Assim, em todos os anos, esse dia significa um momento de celebração, homenagens e muita reflexão.

Leia também: 8 de setembro — Dia Mundial da Alfabetização

10 grandes nomes da poesia que você precisa conhecer

1. Charles Baudelaire

Nasceu em 09 de abril de 1821, em Paris, França, e morreu em 31 de agosto de 1867, na mesma cidade. É considerado o precursor do simbolismo, com sua famosa obra As flores do mal, que contém o poema “A vida anterior”, do qual extraímos o seguinte trecho:

O mar, que do alto céu a imagem devolvia,
Fundia em místicos e hieráticos rituais
As vibrações de seus acordes orquestrais
À cor do poente que nos olhos meus ardia.|1|

2. Walt Whitman

Nasceu em 31 de maio de 1819, em West Hills, Estados Unidos, e morreu em 26 de março de 1892, em Camden. É considerado o precursor do verso livre. Sua principal obra é Folhas de relva, de onde retiramos, na íntegra, o poema “Por ele canto”:

Por ele canto,
Elevo o presente no passado,
(Feito alguma árvore perene em suas raízes, o presente no passado,)
Com tempo e espaço eu o dilato e fundo as leis imortais,
Para fazê-lo por elas a lei sobre ele.|2|

3. Lord Byron

Lord Byron com roupa albanesa, obra de Thomas Phillips (1770-1845).
Lord Byron com roupa albanesa, obra de Thomas Phillips (1770-1845).

Nasceu em 22 de janeiro de 1788, em Londres, Inglaterra, e morreu em 19 de abril de 1824, em Mesolóngi, Grécia. Poeta romântico, foi a grande inspiração dos poetas da segunda geração do romantismo brasileiro. Seu poema “A uma taça feita de um crânio humano”, cujo trecho apresentamos a seguir, foi traduzido por Castro Alves (1847-1871):

Vivi! amei! bebi qual tu. Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

4. Fernando Pessoa

Nasceu em 13 de junho de 1888, em Lisboa, Portugal, e morreu em 30 de novembro de 1935, na mesma cidade. Principal poeta do modernismo português, uma de suas obras mais importantes é o livro Mensagem, de onde retiramos o seguinte fragmento do poema “Mar português”:

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Leia mais informações da vida e obra desse importante poeta português: Fernando Pessoa.

5. Paulo Leminski

Nasceu em 24 de agosto de 1944, em Curitiba, e morreu em 07 de junho de 1989, na mesma cidade. Um dos principais nomes da poesia marginal dos anos 1970, escreveu livros como Distraídos venceremos, do qual extraímos esta passagem do poema “Aviso aos náufragos”:

Esta página, por exemplo,
não nasceu para ser lida.
Nasceu para ser pálida,
um mero plágio da Ilíada,
alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho,
muito depois de caída.

6. Hilda Hilst

Nasceu em 21 de abril de 1930, em Jaú, e morreu em 04 de fevereiro de 2004, em Campinas. É uma das principais representantes da poesia feminina brasileira do século XX. Sua obra mais famosa é Júbilo, memória, noviciado da paixão, onde encontramos seu poema “Dez chamamentos ao amigo”, do qual apresentamos o seguinte fragmento:

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora

Há tanto tempo sua própria tessitura.

Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.

7. Luís Vaz de Camões

Nasceu provavelmente em 1524, em Lisboa, Portugal, e morreu em 10 de junho de 1579 ou 1580, na mesma cidade. Principal representante do classicismo português, escreveu o poema épico Os Lusíadas, do qual vamos ler o trecho a seguir:

Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
[...]
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

8. Manuel du Bocage

Nasceu em 15 de setembro de 1765, em Setúbal, Portugal, e morreu em 21 de dezembro de 1805, em Lisboa. Um dos principais autores do arcadismo português, escreveu a obra Queixumes do pastor Elmano contra a falsidade da pastora Urselina, da qual vamos ler esta passagem:

Quem, senão ela (oh Céus!) me obrigaria
A tão pasmoso extremo? A Sorte ímpia
Com todo o seu poder nunca tem feito
Desmaiar a constância de meu peito:
Quem me abate é Amor, não o Destino.
Eu te conto o meu mal, eu vou, Francino,
Retratar-te a mais negra, a mais horrível
De todas as traições. Não é possível
Nos Ermos encontrar da Líbia ardente
Monstro, seja Leão, seja Serpente,
Que possa comparar-te à Fera humana,
Que com tanto rigor me desengana.

9. Noémia de Sousa

Nasceu em 20 de setembro de 1926, em Moçambique, e morreu em 04 de dezembro de 2002, em Cascais, Portugal. É considerada a “mãe dos poetas moçambicanos”. Do seu livro Sangue negro, extraímos esta parte do poema “Quero conhecer-te África”:

E quero mais!
Quero que os meus terríveis gritos de dor
sejam os gritos repetidos dos meus irmãos...
Que eu quero dar-te e dar-lhes todo o meu amor,
toda a minha vida, o meu sangue, a minha alma,
os versos que escrevo a sofrer e a cantar...
Só contigo e com meus irmãos quero lutar
por uma vida digna, livre, alevantada!

Leia também: Poesia de Mia Couto

10. Cora Coralina

Nasceu em 20 de agosto de 1889, em Goiás, e morreu em 10 de abril de 1985, em Goiânia. A autora publicou seu primeiro livro quando tinha 75 anos de idade. Após a publicação de um artigo elogioso de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), ela e sua obra Poemas dos becos de Goiás e estórias mais ficaram conhecidas no país inteiro. É desse livro o poema “Todas as vidas”, do qual apresentamos o seguinte trecho:

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai de santo…

Notas

|1| Tradução de Ivan Junqueira.

|2| Tradução de Gentil Saraiva Junior.

Crédito da imagem

[1] Editora Kapulana (reprodução) 

Por: Warley Souza

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