Língua Brasileira de Sinais (Libras)

A Língua Brasileira de Sinais, ou libras, é uma língua gestual-visual e utilizada na comunicação dos surdos. Surgiu no século XIX e derivou diretamente da Língua Francesa de Sinais. Atualmente, a libras é reconhecida, por lei, como meio de expressão e comunicação oficial da comunidade surda no Brasil.

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Características da libras

É importante começarmos pelo fato de que a libras é uma língua e não uma linguagem. Essa ideia é transmitida pelo próprio nome: Língua Brasileira de Sinais, e é reconhecida pelos linguistas, uma vez que a libras possui características próprias e bem definidas que a distinguem da língua portuguesa e dão-lhe o status de língua.

Isso nos leva a outro ponto importante que é o fato de a libras não ser uma versão sinalizada do português, mas, com ele, ela faz uma interlocução, sofrendo suas influências. Ainda assim, como já mencionado, ela mantém características peculiares a si. Como língua de sinais, a libras é uma língua gestual-visual, isto é, que depende dos sinais e das expressões faciais e corporais para que a comunicação possa acontecer corretamente.

Outra característica importante é a datilologia. Quando não há um sinal específico para uma palavra, a pessoa que está se comunicando pode soletrá-la por meio dos sinais de cada letra. A datilologia pode, portanto, ser usada para referir-se ao nome de um local ou de um objeto que ainda não possui sinal específico.

Surgimento da libras

O surgimento da libras tem relação com o estabelecimento da educação para surdos no Brasil, na segunda metade do século XIX.
O surgimento da libras tem relação com o estabelecimento da educação para surdos no Brasil, na segunda metade do século XIX.

A Língua Brasileira de Sinais, também conhecida como libras, surgiu no século XIX e foi derivada da Língua Francesa de Sinais. O surgimento de uma língua de sinais no Brasil está relacionado como a criação da primeira escola para surdos de nosso país. Isso aconteceu na segunda metade do século XIX.

Em 1855, chegou ao Brasil o professor francês Ernest Huet. Ele era surdo desde os 12 anos de idade e era adepto do método de comunicação e ensino que havia se estabelecido com Charles Michel de l’Épée no século XVIII. No Brasil, Huet estabeleceu a educação de surdos por incentivo do imperador d. Pedro II.

Para dar suporte ao trabalho do professor, o imperador autorizou a criação do Imperial Instituto dos Surdos-Mudos (o termo “surdo-mudo” caiu em desuso porque os surdos podem aprender a falar com as técnicas de oralização) em 1857. Essa criação aconteceu por meio da Lei nº 839, de 26 de setembro de 1857, e atualmente a instituição é conhecida como Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), sendo uma das referências na área no Brasil.

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Foi nessa instituição que se estabeleceu a Língua Brasileira de Sinais, e a escola foi dirigida por Huet entre 1857 a 1861, quando o professor decidiu mudar-se para o México. Na época, o Ines atendia somente a alunos do sexo masculino em caráter de internato, mas agora atende alunos dos dois gêneros, dando suporte para cerca de 600 alunos, desde o Ensino Infantil até o Ensino Médio|2|.

Após o fim da Ditadura Militar, uma série de medidas visando à inclusão dos surdos começaram a ser tomadas. Uma das medidas de maior destaque foi a Lei nº 40.436, de 24 de abril de 2002, que reconheceu a libras como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira.

Além disso, existem leis que defendem a inclusão da comunidade surda e garantem o seu direito e acesso à educação. A luta pela inclusão também levou à criação de datas comemorativas importantes para a comunidade surda. Entre essas datas está o Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro como homenagem à fundação do Ines.

Acesse também: Você sabe quando surgiu a língua portuguesa?

Os surdos e a língua de sinais na história

O uso de sinais como forma de comunicação é uma prática bem antiga na história da humanidade, embora, muitas vezes, a comunicação por meio de sinais tenha sido vista com muito preconceito. Os primeiros registros de que se tem conhecimento sobre os surdos são de civilizações da Antiguidade, e a forma como o surdo era encarado variava de sociedade para sociedade.

Entre os persas e os egípcios, por exemplo, os surdos eram vistos como figuras abençoadas e considerados enviados dos deuses. Acreditava-se também que a surdez era uma característica que permitia a comunicação direta do indivíduo com os deuses. Esse imaginário a respeito dos surdos nessas civilizações fazia com que eles fossem tratados com grande respeito e, até mesmo, com certa devoção.

Entre os hebreus, por sua vez, havia apelos para que os surdos não sofressem nenhum tipo de exclusão ou perseguição. Na Torá, conjunto de livros escritos por Moisés, fala-se, em determinada passagem, que os surdos não sejam amaldiçoados. Podemos entender isso como uma expressão contrária à discriminação que os surdos poderiam sofrer por sua condição.

No entanto, em outras civilizações, os surdos eram vistos com preconceito e acabavam sendo socialmente excluídos. Muitos relatos tinham um viés místico que associava a condição dos surdos com punição divina, como era o caso de Heródoto, historiador grego que afirmava que a surdez era uma consequência do pecado de antepassados e, portanto, era um castigo dos deuses|1|.

A exclusão do surdo também existia entre os romanos e entre os bizantinos e permaneceu na Europa durante a Idade Média. Considerava-se que a alma dos surdos era mortal porque eles não conseguiam pronunciar os sacramentos da Igreja Católica. Na Alta Idade Média, mais especificamente no século VII, houve uma das primeiras iniciativas de educar-se um surdo de que se tem conhecimento.

No ano de 673, registrou-se que o arcebispo inglês John of Beverley, que residia em York, havia conseguido ensinar um surdo a falar. Entretanto, não sabemos qual foi o método utilizado por ele para ensinar a oralização a um surdo (o ato de ensinar um surdo a falar é conhecido como oralização).

O monge espanhol Pedro Ponce de León é considerado um dos pioneiros na educação de surdos no mundo.[1]
O monge espanhol Pedro Ponce de León é considerado um dos pioneiros na educação de surdos no mundo.[1]

Somente na Idade Moderna é que se considera que, de fato, tenha surgido a educação de surdos e que o monge beniditino Pedro Ponce de León tenha sido o pioneiro nessa ação. Ele foi o responsável por realizar a educação de filhos surdos da aristocracia espanhola, tendo iniciado com os irmãos Francisco e Pedro de Velasco y Tovar.

Pedro Ponce de León utilizava-se da datilologia (alfabeto em sinais), da escrita e da oralização dos surdos e visava à integração deles, fazendo com que pudessem inserir-se na sociedade e herdar todos os títulos e as riquezas de suas famílias, conforme afirmou a educadora Soraya Bianca Reis Duarte|1|. Depois de Pedro Ponce, outro espanhol sucedeu-o, o professor Manuel Ramírez de Carrión.

Depois desses dois professores, uma série de intelectuais dedicaram-se ao entendimento da surdez e contribuíram para o desenvolvimento do ensino dos surdos, podendo-se destacar: Juan Pablo Bonet, Wilhelm Kerger e Johann Conrad Ammann. Um dos grandes nomes nesse processo foi o abade francês Charles Michel l’Épée.

Esse abade aprendeu uma língua de sinais com os surdos que moravam nas ruas de Paris, e, a partir daí, desenvolveu um sistema de educação para surdos. Ele criou o que ficou conhecido como a primeira escola para surdos do mundo, atualmente o Instituto de Surdos de Paris.

Os estudiosos do assunto têm essa instituição como a primeira a ter tratado a educação de surdos como uma atividade que poderia ser feita coletivamente e não individualmente, como era até então. O método de L’Épée, inclusive, teve grande influência no desenvolvimento da Língua Brasileira de Sinais.

Notas

|1| DUARTE, Soraya Bianca Reis. Aspectos históricos e socioculturais da população surda. Para acessar, clique aqui.

|2| Conheça o INES. Para acessar, clique aqui.

Créditos da imagem

[1] aquatarkus e Shutterstock

Por: Daniel Neves Silva

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