Mato Grosso

O estado do Mato Grosso está localizado na Região Centro-Oeste do Brasil, fazendo fronteira com seis estados brasileiros (Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins, Goiás e Mato Grosso do Sul) e com a Bolívia. É um estado que lidera na produção de alguns itens da agropecuária do país, como gado bovino, soja, milho e algodão.

Confira alguns dados selecionados do Mato Grosso, estado que é o campeão da agricultura brasileira, conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Dados gerais do Mato Grosso

  • Região: Centro-Oeste do Brasil.
  • Capital: Cuiabá.
  • Gentílico: mato-grossense.
  • Governo: democrático representativo, com eleições periódicas.
  • Área territorial: 903.207,050 km² (IBGE, 2020).
  • População: 3.526.220 de habitantes (estimativa IBGE, 2020).
  • Densidade demográfica: 3,36 hab./km² (IBGE, 2010).
  • Fuso: - 4, ou seja, atrasado 4 horas em relação ao Meridiano de Greenwich.
  • Clima: pode variar entre tropical e tropical superúmido, a depender da localidade estadual.

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Geografia do Mato Grosso

O estado do Mato Grosso é o terceiro maior em extensão territorial do Brasil, atrás apenas do Amazonas e Pará. Faz fronteira com seis estados brasileiros e com a Bolívia (oeste), constituindo um ponto importante da fronteira internacional entre os dois países. Os estados brasileiros fronteiriços com Mato Grosso são:

A imensidão do território mato-grossense abriga belezas e recursos naturais que são únicos no Brasil. Na hidrografia, o estado conta com nascentes e afluentes de importantes bacias nacionais, como a Bacia Amazônica e a Bacia do Tocantins, além da Bacia Platina, um regime hídrico internacional. O Planalto dos Parecis, no norte do estado, é um dos divisores dessas águas. Os principais rios são: Araguaia, Cuiabá, Guaporé, Paraguai, Teles, Xingu, Jauru, além de inúmeros afluentes desses principais.

Três biomas podem ser encontrados no estado:

O relevo pode ser dividido em três partes de acordo com as áreas de ocorrência: planaltos no centro, planícies a oeste, depressões ao sul e chapadas nas áreas de transição. As altitudes variam entre 400 m e 800 m, com destaque para a Chapada dos Guimarães, ponto turístico para aventureiros e amantes da natureza. Diferentemente do restante do Mato Grosso, as temperaturas na chapada são amenas, com ventos durante o dia e quedas de temperatura à noite.

Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, Mato Grosso.
Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, Mato Grosso.

A cidade de Cuiabá, capital do estado, é uma das mais quentes do país, com temperaturas que podem atingir 40 ºC em determinadas épocas do ano. Esse índice é uma característica do estado, que apresenta clima tropical e altas médias termais. No norte do Mato Grosso, a proximidade com a Floresta Amazônica faz com que os índices pluviométricos anuais atinjam 2000 mm. O clima tropical no estado é marcado por verões chuvosos e invernos secos.

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História do Mato Grosso

Antes da expansão do território brasileiro para além do Tratado de Tordesilhas, o atual estado do Mato Grosso era território espanhol. A assinatura do Tratado de Madrid, em 1750, reconheceu o feito de bandeirantes que atingiram essas terras e iniciaram a colonização da região. Contudo, vale dizer que tal região já era habitada pelos indígenas Parecis.

No século XVIII, os irmãos Paes de Barros descobriram minas de pedras preciosas, em 1734, e se surpreenderam com a imensidão de mato espesso, que cobria mais de 7 léguas de distância nas margens do Rio Galera. Esse episódio deu nome ao local, que, dois séculos depois, foi batizado oficialmente de Província de Mato Grosso, transformando-se em Estado do Mato Grosso após a Proclamação da República, em 1899.

Com as expedições dos bandeirantes, foi criada, em 1748, a Capitania de Cuiabá, um local que oferecia isenções fiscais para quem se disponibilizasse a ocupá-la. Mesmo com a assinatura do Tratado de Madrid, disputas na região foram travadas entre portugueses e espanhóis, o que só cessou em 1802.

No século XIX, Mato Grosso foi palco de uma grande guerra entre países sul-americanos, a Guerra do Paraguai. Foi pelo estado que o governo paraguaio invadiu o Brasil, por vias fluviais e terrestres, em dezembro de 1864. As cidades de Coimbra e Corumbá foram os principais alvos, além de servirem como campo de concentração de tropas paraguaias. Anos depois, em 1870, sob o comando de Duque de Caxias, o Brasil venceu o exército paraguaio, encerrando esse sangrento conflito.

No século XX, após a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903, parte do estado foi cedida à Bolívia em razão de um acordo feito para o reconhecimento do Acre como território definitivo do Brasil.

Anos depois, com a chegada de telégrafos e ferrovias, imigrantes do Nordeste partiram para o estado para criar gado, explorar seringueiras e povoar a região. Na década de 1970, sob o incentivo do governo federal, em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), imigrantes do Sul e Sudeste se instalaram no Mato Grosso para contribuir com o desenvolvimento regional. Esse estado tinha grandes extensões territoriais, mas ainda buscava o povoamento de imensos vazios demográficos.

Em 1977, parte do território mato-grossense deu origem ao estado vizinho Mato Grosso do Sul.

Mapa do Mato Grosso

Fonte: IBGE.
Fonte: IBGE.

Divisão geográfica do Mato Grosso

Segundo a divisão regional do Brasil em regiões intermediárias, proposta pelo IBGE em 2017, o Mato Grosso conta com cinco regiões intermediárias.

As cinco regiões intermediárias são:

  • Região Intermediária Barra do Garças;
  • Região Intermediária Cáceres;
  • Região Intermediária Cuiabá;
  • Região Intermediária Rondonópolis;
  • Região Intermediária Sinop.

Economia do Mato Grosso

Conhecido como o celeiro do país, Mato Grosso é destaque na produção agropecuária nacional. O estado é líder em várias produções (soja, milho, algodão, criação de gado bovino, pescados de água doce), além de incentivar pesquisas para a produção de borracha.

Colheitadeiras em plantação de soja, no Mato Grosso.
Colheitadeiras em plantação de soja, no Mato Grosso.

Segundo estimativas do IBGE, o estado contava com quase 32 milhões de cabeças de gado em 2019, sendo o maior rebanho do Brasil. Ademais, a produção de milho e de soja são as maiores do país, o que faz com que o Produto Interno Bruto do estado seja composto de 50,5% do setor agropecuarista.

Contudo, outros setores também se destacam na economia mato-grossense. De acordo com dados do governo do estado, 20% da produção nacional de peixes de água doce está no Mato Grosso, além de 88% da produção brasileira de diamantes.

O turismo também se faz presente em Mato Grosso. Cidades como Poconé e a localidade de Porto Jofre são bastante visitadas por turistas que desejam conhecer o Pantanal. Em Barra do Garças, fronteira com Goiás, a atração fica por conta do Rio Araguaia, divisa natural entre os dois estados.

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Demografia do Mato Grosso

A história de Mato Grosso nos mostra a grande miscigenação que houve no território brasileiro ao longo dos anos. Negros, indígenas, europeus, nordestinos e sulistas moldaram a população mato-grossense, que possui quantitativo considerável de migrantes em sua composição populacional. Segundo o governo do estado, 41% dos habitantes de Mato Grosso não nasceram no estado.

Sua imensa área também impacta a distribuição populacional. Com pouco mais de 3,5 milhões de habitantes (IBGE, 2020), distribuídos em 141 municípios, Mato Grosso tem uma densidade demográfica muito baixa, de 3,3 hab/km², o que gera diversas áreas inabitadas. As cidades mais populosas são:

  • Cuiabá (618.124 pessoas);
  • Várzea Grande (287.526 pessoas);
  • Rondonópolis (236.042 pessoas);
  • Sinop (146.005 pessoas); e
  • Cáceres (94.861 pessoas).
Cuiabá, capital de Mato Grosso.
Cuiabá, capital de Mato Grosso.

A presença indígena no Mato Grosso é significativa. No estado, está localizado o Parque Nacional do Xingu, importante área de reserva indígena e conservação ambiental.

Cerca de 51% da população corresponde ao sexo masculino, e 49%, ao sexo feminino, segundo dados do IBGE. A maioria da população concentra-se na zona urbana (82%), sendo a zona rural pouco ocupada (18%).

Governo do Mato Grosso

O governo mato-grossense é exercido pelo governador de estado, chefe do Executivo local, que é eleito por meio eleições periódicas, realizadas de quatro em quatro anos. A sede do governo do estado é o Palácio Paiaguás, localizado na capital, Cuiabá.

Bandeira do Mato Grosso

Infraestrutura do Mato Grosso

Grande destaque na agropecuária nacional, Mato Grosso dispõe de inúmeras rodovias que interligam o estado, além de uma ferrovia e um aeroporto internacional.

As principais rodovias do estado são federais, como a BR-163, que liga Cuiabá a Santarém (PA); a BR-364, que cruza todo o estado em direção ao Acre; a BR-070, que dá acesso a Brasília; além da BR-158, que parte de Barra do Garças em direção ao Pará.

Uma ferrovia está em franca expansão, a Ferronorte, que conta com um grande terminal intermodal na cidade de Rondonópolis. Outras duas ferrovias estão sendo projetadas para o estado: a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) e a Ferrogrão, as quais ajudarão a escoar a produção agropecuarista do estado.

Mato Grosso ainda conta com o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, localizado na cidade de Várzea Grande, que é vizinha da capital, Cuiabá.

Cultura do Mato Grosso

A cultura mato-grossense é bem similar à composição populacional, com uma gama de misturas das tradições africanas, europeias e indígenas. As combinações oriundas dessa diversidade resultaram em uma cultura peculiar.

Danças típicas do estado, como Siriri, Cururu, Chorado, Congo e a Dança dos Mascarados, são exemplos da fusão de variados elementos culturais em Mato Grosso.

Em Serra Nova Dourada, uma tradicional competição de quadrilhas deu origem ao Festrilha, que acontece em diversos municípios do estado com a função de manter viva a tradição junina, uma herança dos imigrantes nordestinos. 

Algumas lendas folclóricas do Brasil têm sua origem em terras mato-grossenses, como o Boitatá (uma cobra transparente que parece estar queimando por dentro), que tem suas raízes no Pantanal, e a Cabeça de Pacu, a qual afirma que quem come a cabeça do peixe pacu (bastante comum em Mato Grosso) nunca mais sai do estado.

Por: Átila Matias

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