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Elegia

Elegia é uma poesia caracterizada pelo lamento, pranto e melancolia. Em sua origem, na Grécia Antiga, era um poema de forma fixa, composto por um dístico (estrofe de dois versos), cujo primeiro verso é um hexâmetro (seis pés métricos) e o segundo, um pentâmetro (cinco pés métricos). Com o passar do tempo, no entanto, esse tipo de poesia passou a ser definido pelo seu conteúdo, e não mais pela sua estrutura.

De acordo com sua temática, a elegia pode ser classificada em:

  • marcial ou heroica;
  • amorosa ou erótica;
  • moral ou filosófica;
  • gnômica ou moralista;
  • fúnebre;
  • religiosa.

Esse subgênero literário foi utilizado por escritores como: Ovídio, Petrarca, Paul Verlaine, Rainer Maria Rilke, Federico García Lorca, Pablo Neruda, Luís de Camões, Manuel du Bocage, Fernando Pessoa, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes.

Leia também: Gêneros literários — quais são e características

O que é elegia?

A tristeza é um sentimento presente nos poemas elegíacos.
A tristeza é um sentimento presente nos poemas elegíacos.

Elegia é um tipo de texto poético que se originou, possivelmente, no século VII a.C., na Grécia Antiga. Depois, caiu no gosto dos poetas romanos e acabou sendo utilizado em todo o Ocidente. Esse subgênero literário pode tratar de diversos temas.

Tipos de elegia

De acordo com a sua temática, a elegia pode ser classificada em:

  • marcial ou heroica: guerra e heroísmo;
  • amorosa ou erótica: amor e sofrimento amoroso;
  • moral ou filosófica: morte, espiritualidade etc.;
  • gnômica ou moralista: inspira à elevação moral;
  • fúnebre: lamentação pelos mortos;
  • religiosa: transitoriedade da vida, pecado etc.

Leia também: Dez haicais de Paulo Leminski

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Exemplos de elegia

No poema Elegia, de Fagundes Varela, a temática do amor, em tom melancólico, perpassa os versos do poeta. Neles, o eu lírico fala de um amor da juventude, sem final feliz, pois ocorre a morte da amada:

A noite era bela — dormente no espaço
A lua soltava seus pálidos lumes;

Das flores fugindo, corria lasciva
A brisa embebida de moles perfumes.
[...]

Nós éramos jovensardentes e sós,
Ao lado um do outro no vasto salão;

E as brisas e a noite nos vinham no ouvido
Cantar os mistérios de infinda paixão!

Nós éramos jovens — e a luz de seus olhos
Brilhava incendida de eternos desejos,

E a sombra indiscreta do níveo corpinho
Sulcava-lhe os seios em brandos arquejos!
[...]

Ah! mísero aquele que as sendas do mundo
Trilhou sem o aroma de pálida flor,

E à tumba declina, na aurora dos sonhos,
O lábio inda virgem dos beijos de amor!
[...]

Vestida de branco — nas cismas perdida,
Seu mórbido rosto pousava em meu seio,

E o aroma celeste das negras madeixas
Minh’alma inundava de férvido anseio.

Nem uma palavra seus lábios queridos
Nos doces espasmos diziam-me então:

Que valem palavras, quando ouve-se o peito
E as vidas se fundem no ardor da paixão?
[...]

Ligeira... essa noite de infindas venturas
Somente em minh’alma lembranças deixou...

Três meses passaram, e o sino do templo
À reza dos mortos os homens chamou!

Três meses passaram — e um lívido corpo
Jazia dos círios à luz funeral,

E, à sombra dos mirtos, o rude coveiro
Abria cantando seu leito afinal!...
[...]

Nós éramos jovens, e as vidas e os seios,
O afeto prendera num cândido nó!

Foi ela a primeira que o laço quebrando
Caiu soluçando das campas no pó!

Não são dos invernos as frias geadas,
Nem longas jornadas que os anos apontam,

O tempo descora nos risos e prantos,
E os dias do homem por dores se contam!

A perda é uma temática recorrente nas elegias.
A perda é uma temática recorrente nas elegias.

Já o poema “Elegia”, do livro Mar absoluto, de Cecília Meireles, é dedicado à memória de Jacintha Garcia Benevides, avó da autora. Esse longo texto é, portanto, uma elegia fúnebre, caracterizada pelo lamento por uma pessoa morta:

Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos.
Tive medo de a enxugar: para não saberes que havia caído.

No dia seguinte, estavas imóvel, na tua forma definitiva,
modelada pela noite, pelas estrelas, pelas minhas mãos.

Exalava-se de ti o mesmo frio do orvalho; a mesma claridade da lua.

Vi aquele dia levantar-se inutilmente para as tuas pálpebras,

e a voz dos pássaros e das águas correr
sem que a recolhessem teus ouvidos inertes.

Onde ficou teu outro corpo? Na parede? Nos móveis? No teto?

Inclinei-me sobre o teu rosto, absoluta, como um espelho,
E tristemente te procurava.

Mas também isso foi inútil, como tudo mais.
[...]

Características da elegia

Estruturalmente, em sua origem, a elegia era composta por um dístico, isto é, estrofe de dois versos, sendo o primeiro verso um hexâmetro (seis pés métricos) e o segundo, um pentâmetro (cinco pés métricos). Cada pé é constituído por um variado número de sílabas curtas ou longas, tônicas ou átonas, de forma a imprimir certo ritmo ao poema. No entanto, com o passar do tempo, o chamado “dístico elegíaco” deixou de ter exclusividade na definição desse gênero de poesia.

A elegia passou a ser definida não pela sua estrutura, mas pelo seu conteúdo, sempre relacionado ao lamento e ao pranto, devido a questões amorosas ou a acontecimentos fúnebres, entre outros motivos. Dessa forma, a elegia está associada à temática da perda e da morte, além de trazer melancólicas reflexões sobre a mutabilidade das coisas ou mesmo mostrar a tristeza em um ambiente bucólico.

Veja também: Estrela da vida inteira: cinco poemas de Manuel Bandeira

Autores de elegia

  • Arquíloco (680 a.C.-645 a.C.) — grego.
  • Simónides (556 a.C.- 468 a.C.) — grego.
  • Catulo (84 a.C.-54 a.C.) — romano.
  • Tibulo (54 a.C.-19 a.C.) — romano.
  • Propércio (43 a.C.-17 d.C.) — romano.
  • Ovídio (43 a.C.-18 d. C.) — romano.
  • Petrarca (1304-1374) — italiano.
  • Giacomo Leopardi (1798-1837) — italiano.
  • François Villon (1431-1463) — francês.
  • Pierre de Ronsard (1524-1585) — francês.
  • Alphonse de Lamartine (1790-1869) — francês.
  • Paul Verlaine (1844-1896) — francês.
  • John Milton (1608-1674) — inglês.
  • Shelley (1792-1822) — inglês.
  • Rainer Maria Rilke (1875-1926) — tcheco.
  • Goethe (1749-1832) — alemão.
  • Jorge Manrique (1440-1479) — espanhol.
  • Garcilaso de la Vega (1503-1536) — espanhol.
  • Federico García Lorca (1898-1936) — espanhol.
  • Jorge Luis Borges (1899-1986) — argentino.
  • Octavio Paz (1914-1998) — mexicano.
  • Pablo Neruda (1904-1973) — chileno.
  • Sá de Miranda (1481-1558) — português.
  • Luís de Camões (1524-1580) — português.
  • Manuel du Bocage (1765-1805) — português.
  • Fernando Pessoa (1888-1935) — português.
  • Fagundes Varela (1841-1875) — brasileiro.
  • Cecília Meireles (1901-1964) — brasileira.
  • Vinicius de Moraes (1913-1980) — brasileiro.
Por: Warley Souza

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