Antítese

Antítese é uma figura de linguagem que aproxima termos contrários que fazem oposição entre si com relação aos seus respectivos sentidos.

Caderno com escrito “Antítese”, em superfície amarela
Como pode duas ideias distintas e opostas construírem um mesmo significado? É justamente isso que a antítese se propõe a fazer.

A antítese é uma figura de linguagem que faz uma aproximação de termos contrários em relação aos seus respectivos sentidos. Ela é muito utilizada no cotidiano, em textos jornalísticos e, principalmente, em produções literárias.

Por ser uma figura de linguagem, a antítese é entendida como um recurso linguístico capaz de trazer maior expressividade ao texto, chamando a atenção do leitor e produzindo certo efeito de sentido pretendido por parte do autor.

Veja também: Figuras de linguagem no Enem — como esse tema é cobrado?

Resumo sobre antítese

  • A antítese é uma figura de pensamento que aproxima termos de sentidos contrários entre si.

  • A figura de linguagem é um recurso linguístico que objetiva trazer maior expressividade ao texto, chamar a atenção do leitor, gerar curiosidade, destacar uma ideia ou produzir determinado efeito de sentido.

  • A antítese e o paradoxo tratam de ideias contrárias. No entanto, o paradoxo é considerado uma antítese radical por trazer elementos que não são apenas opostos, mas contraditórios.

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Conceito de antítese

A antítese é uma figura de linguagem que aproxima termos contrários e que se opõem pelo sentido. Ela é utilizada principalmente em produções literárias, no intuito de enfatizar, por meio dessa aproximação entre termos opostos, o efeito que o autor quer atribuir ao seu texto.

Exemplos de antítese

“Se no desejo você fosse amor

Durante o frio, fosse o calor

(Dominguinhos e Nando Cordel)

No trecho da música “Dedicado a você”, temos, na segunda estrofe, o uso da antítese por meio dos termos “frio” e “calor”. A contradição está justamente na afirmação de que “Durante o frio, fosse o calor”. Assim, pode-se questionar: como ser calor durante o frio? O recurso foi utilizado pelo autor para ressaltar as relações amorosas por meio da oposição entre frio e calor.

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes)

O poema “Soneto de fidelidade”, em seu último verso, faz uso da antítese ao trazer ideias opostas de algo infinito, mas que possui uma durabilidade. Se analisarmos ambos exemplos, encontraremos as seguintes relações de oposição:

FRIO X CALOR

INFINITO X DURABILIDADE

Nos dois casos, a antítese foi utilizada como recurso estilístico na escrita para enfatizar o sentido que os autores se propuseram a compor. Em outros termos, utilizou-se duas ideias diferentes a fim de criar um significado pela oposição. A seguir, temos mais alguns exemplos de antítese:

“Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios

(Vinícius de Moraes)

“Já estou cheio de me sentir vazio, meu corpo é quente e estou sentindo frio

(Renato Russo)

“Será que eu sou medieval?/ Baby, eu me acho um cara tão atual/ Na moda da nova Idade Média.”

(Cazuza)

“Do riso se fez o pranto

(Vinicius de Moraes)

Leia também: Função poética — a função da linguagem que, ligada à estética, utiliza recursos estilísticos

Diferenças entre antítese e paradoxo

O paradoxo ou oximoro é uma figura de linguagem que traz expressões opostas (antitéticas) cujos termos (opostos pelo sentido) se convergem em outra expressão aparentemente contraditória. Segundo o gramático Ernani Terra, o paradoxo “é uma antítese radical”, uma vez que os termos são opostos e contraditórios.

  • Exemplo:

“O mito é o nada que é tudo

(Fernando Pessoa)

O paradoxo, ao apresentar elementos contraditórios, gera uma estranheza ao seu leitor. Para muitos autores, o paradoxo é classificado como um tipo de antítese ou, conforme vimos, uma espécie de antítese mais radical por evidenciar e ressaltar as contradições.

Figuras de linguagem

As figuras de linguagem são um recurso linguístico muito utilizado na linguagem coloquial, nas produções artísticas musicais, em textos jornalísticos e, principalmente, na literatura ficcional em formato prosa ou poesia. Elas têm como principal objetivo destacar, por meio da expressividade, uma mensagem.

Elas costumam ser classificadas em figuras de som, de construção, de pensamento e de palavras. Assim, pode-se dizer que, ao utilizar uma figura de linguagem em um texto, o autor pretende:

  • dar maior expressividade ao seu produto final (poema, música, texto em prosa etc.);

  • chamar a atenção do seu leitor;

  • gerar curiosidade ou destacar certa ideia defendida por ele;

  • produzir certo efeito de sentido quando o seu leitor for interpretar o texto.

Videoaula sobre figuras de pensamento

Exercícios resolvidos sobre antítese

Questão 1

(UFPB)

I. “À custa de muitos trabalhos, de muitas fadigas, e sobretudo de muita paciência...”

II. “...se se queria que estivesse sério, desatava a rir...”

III. “...parece que uma mola oculta o impelia...”

IV. “... e isto (...) dava em resultado a mais refinada má-criação que se pode imaginar.”

Quanto às figuras de linguagem, há nas alternativas, respectivamente,

A) gradação, antítese, comparação e hipérbole.

B) hipérbole, paradoxo, metáfora e gradação.

C) hipérbole, antítese, comparação e paradoxo.

D) gradação, antítese, metáfora e hipérbole.

E) gradação, paradoxo, comparação e hipérbole.

Resolução:

Alternativa D

A primeira frase é uma gradação, pois apresenta uma sucessão de acontecimentos e sentimentos (trabalho, fadiga e paciência). Já a segunda corresponde a uma antítese, pois há uma oposição entre ser sério e rir. A terceira frase é uma metáfora que pode ser identificada pelo uso do termo “parece” associado a “uma mola oculta”. Por fim, o último trecho é uma hipérbole por trazer um exagero na sentença “a mais refinada má-criação”.

Questão 2

Monte Castelo

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria

É um não querer mais que bem-querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dorme
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face

(Legião Urbana)

No trecho grifado, ocorre o uso da seguinte figura de linguagem:

A) metáfora

B) hipérbole

C) antítese

D) gradação

E) metonímia

Resolução:

Alternativa C

A antítese é a figura de linguagem caracterizada por trazer ideias opostas. No trecho “estou acordado, todos dormem”, há uma oposição entre acordar x dormir. O principal questionamento é sobre a possibilidade do eu lírico estar acordado e, ao mesmo tempo, dormindo. 

Por: Rafael Camargo de Oliveira

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