Joana D’Arc

Joana D’Arc foi uma camponesa nascida em 1412 e que dizia, desde a adolescência, ter visões divinas. Em uma dessas visões, ela foi chamada a participar do exército francês na luta contra os ingleses durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453). O rei francês Carlos VII a recebeu e, em 1429, ela foi enviada pelo rei para lutar contra os ingleses na região de Orleans.

As vitórias francesas fizeram com que Carlos VII mudasse seu posicionamento no conflito, optando pela diplomacia ao invés da guerra. Então, o exército francês foi dissolvido e Joana D’Arc perdeu suas forças militares. Nesse contexto, ela foi derrotada pelas tropas de Borgonha e entregue aos ingleses.

Em 30 de maio de 1431, ela foi queimada na fogueira, acusada de bruxaria, heresia e possessão demoníaca. Porém, perante a Igreja Católica, Joana D’Arc foi reabilitada em 1456 e, em 1920, o Papa Bento XV a canonizou.

Leia também: Formação da Monarquia Inglesa – processo marcado por disputa de poder entre o rei e a nobreza

Primeiros anos de Joana D’Arc

Não se sabe com precisão o dia do nascimento de Joana D’Arc. Acredita-se que foi no ano de 1412, na comuna de Domrémy (que depois foi rebatizada de Domrémy-la-Pucelle, em sua homenagem), na região de Lorena, na França. Caçula de quatro filhos de um casal de agricultores, Joana D’Arc aprendeu desde cedo a religiosidade e frequentava as celebrações da Igreja. Aos 13 anos, ela afirmou ter visões divinas e dizia ouvir vozes de santos. Foram essas visões e vozes que a fizeram participar da Guerra dos Cem Anos.

O pintor brasileiro Pedro Américo retratou Joana D’Arc ouvindo a mensagem do Arcanjo São Miguel, que determinou os rumos da sua vida.
O pintor brasileiro Pedro Américo retratou Joana D’Arc ouvindo a mensagem do Arcanjo São Miguel, que determinou os rumos da sua vida.

Guerra dos Cem Anos

A Guerra dos Cem Anos foi um dos eventos que marcaram a transição da Idade Média para a Idade Moderna. Ocorrida entre os anos de 1337 a 1453, esse conflito envolveu ingleses e franceses.

O rei da França, Carlos IV, morreu em 1328 sem deixar herdeiros. Eduardo III, rei da Inglaterra, reivindicou o trono francês, afirmando que era sobrinho do rei morto. Os franceses não concordaram com a reivindicação e empossaram o conde Felipe IV como novo rei da França.

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Começou, então, um período de guerras e instabilidade no trono francês. Como se não bastassem as dificuldades na sucessão real, a Inglaterra havia invadido o território francês, impondo sucessivas derrotas. Depois de Felipe IV, outros quatro reis passaram pelo trono francês até chegar a Carlos VII. Parte da população francesa do condado de Borgonha se colocou ao lado dos ingleses na guerra. A situação da França na Guerra dos Cem Anos era complicada tanto externamente como internamente, pois parte da população estava lutando com o inimigo. Para saber com mais detalhes o que ocorreu durante esse período, leia o texto: Guerra dos Cem Anos.

Rei Carlos VII, da França, foi quem ouviu Joana D’Arc relatar suas visões e, assim, aceitou sua participação no exército francês durante a Guerra dos Cem Anos.
Rei Carlos VII, da França, foi quem ouviu Joana D’Arc relatar suas visões e, assim, aceitou sua participação no exército francês durante a Guerra dos Cem Anos.

Joana D’Arc e a guerra

Joana D’Arc era criança, mas acompanhava os horrores da guerra. Aos 13 anos, ela teria ouvido vozes do Arcanjo São Miguel, de Santa Catarina de Alexandria e de Santa Margarida de Antioquia convocando-a para integrar as fileiras do exército francês na Guerra dos Cem Anos. Essas visões a motivaram a buscar um encontro com o rei Carlos VII e se colocar à disposição para lutar contra as tropas inimigas.

Porém, não foi fácil ter acesso ao rei. Joana D’Arc obteve inúmeras negativas e debocharam do seu pedido. Mesmo assim, ela não desistiu e, em 1429, obteve autorização para se encontrar com o rei. Antes do encontro, Joana D’Arc cortou os cabelos e se vestiu como homem.

Joana D’Arc lutou no exército francês contra as tropas inglesas durante a Guerra dos Cem Anos.
Joana D’Arc lutou no exército francês contra as tropas inglesas durante a Guerra dos Cem Anos.

Até hoje, estudiosos e historiadores não encontraram uma resposta exata para os motivos que levaram o rei da França a receber uma camponesa analfabeta que alegava ter revelações divinas sobre os destinos das tropas francesas na Guerra dos Cem Anos. Como os franceses sofreram sucessivas derrotas, o rei teria apostado em algo “místico” para derrotar os ingleses. Com apenas 17 anos, Joana D’Arc obteve autorização real para integrar o exército francês e lutar na região de Orleans, no centro-norte da França. Sua presença entre os soldados modificou o humor da tropa, e, logo após o seu ingresso no exército, a França conseguiu derrotar a Inglaterra e reaver vários territórios que estavam nas mãos do inimigo.

Essas vitórias fizeram com que Carlos VII saísse de Remis e se dirigisse para Paris. Ele decidiu dar uma trégua aos borganheses, que lutavam com os ingleses, e renunciar à luta. Porém, as tropas de Borgonha atacaram os franceses perto de Paris. Ao invés de convocar o exército francês para responder ao ataque, o rei optou pela diplomacia. O exército foi dissolvido, e Joana D’Arc não tinha mais o apoio real para continuar a batalha contra os ingleses.

Veja também: Formação da Monarquia Francesa – fato que permitiu a conquista de poder à França

Últimos anos e a morte de Joana D’Arc

Mesmo com a falta de apoio do rei Carlos VII, Joana D’Arc continuou lutando contra o inimigo, mas a falta de armas e soldados acabou impondo sucessivas derrotas. Em 23 de maio de 1430, ela foi capturada pelas tropas borganhesas. Joana D’Arc foi vendida por 100 mil libras para os ingleses, que fizeram o seu julgamento.

O rei francês não fez nada para salvar a vida daquela que colaborou para a vitória francesa em Orleans. As acusações contra ela eram baseadas em questões religiosas. Joana D’Arc foi acusada de bruxaria, heresia e possessão demoníaca, sendo condenada à fogueira. Em 30 de maio de 1431, ela foi morta. 

Canonização de Joana D’Arc

A reabilitação de Joana D’Arc pela história e pela Igreja começou décadas depois da sua morte. Em 1456, o Papa Calixto III a inocentou de todas as acusações feitas. O Papa Bento XV, em 1920, celebrou, no Vaticano, a canonização de Joana D’Arc. Em sua homilia, ele disse:

“Por disposição da divina clemência, após um longo período de tempo, enquanto a terrível guerra produzia tantos males, ofereceram um novo sinal da justiça e da misericórdia de Deus aqueles milagres que, operados pela intercessão da “Donzela de Orleans”, definitivamente comprovavam diante dos homens sua inocência, fé, santidade e obediência à vontade de Deus, aquela que tudo suportou, até uma morte cruel e injusta. Portanto, é muito apropriado que Joana D'Arc seja hoje inscrita entre os Santos, para que a partir de seu exemplo, todos os cristãos aprendam que a obediência à vontade de Deus é santa e devota, e obtenham dela a graça de converter seus concidadãos para que obtenham a vida celestial”

Em 1920, o Papa Bento XV celebrou no Vaticano a canonização de Joana D’Arc.
Em 1920, o Papa Bento XV celebrou no Vaticano a canonização de Joana D’Arc.

Resumo sobre Joana D’Arc

  • Joana D’Arc foi uma camponesa que lutou contra os ingleses durante a Guerra dos Cem Anos.
  • Desde a infância ela alegava ter visões divinas e foi por meio dessas visões que ela recebeu a ordem para participar do exército francês.
  • Joana D’Arc conseguiu derrotar os ingleses na região de Orleans.
  • Ela foi condenada pelo tribunal eclesiástico inglês à morte na fogueira.
  • Em 1456, o Papa Calisto III a inocentou das acusações e, em 1920, ela foi canonizada pelo Papa Bento XV.

Veja também: Relação entre religião e política na Idade Moderna

Exercícios resolvidos

Questão 1 – Joana D’Arc foi uma camponesa francesa que lutou na Guerra dos Cem Anos. Assinale a alternativa que aponta corretamente de que forma ela ingressou no exército francês.

A) Joana D’Arc infiltrou-se no exército inglês e repassou informações para o rei francês Carlos VII, que conseguiu derrotar o inimigo.
B) Após receber uma visão divina, Joana D’Arc foi até o rei Carlos VII e pediu para entrar no exército francês e lutar contra a Inglaterra na Guerra dos Cem Anos.
C) Joana D’Arc assumiu o trono francês após a morte do seu marido, o rei Carlos VII, e assumiu a frente das tropas contra a Inglaterra.
D) Ela foi a responsável por orientar o rei a abrir mão das armas e negociar a paz com os ingleses, propondo uma trégua.

Resolução

Alternativa B. Joana D’Arc afirmou ao rei Carlos VII que teve uma visão com o Arcanjo São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia para participar da Guerra dos Cem Anos ao lado das tropas francesas.

Questão 2 – Leia as alternativas abaixo e assinale o item que corretamente traz o destino final de Joana D’Arc.

A) Após a vitória dos franceses na Guerra dos Cem Anos, ela foi coroada rainha da França.
B) Joana D’Arc foi considerada culpada pela derrota da França e, por causa disso, foi apedrejada em praça pública.
C) O rei Carlos VII mandou prender Joana D’Arc por conta das visões divinas que ela alegava ter recebido.
D) Joana D’Arc foi entregue para os ingleses, que a julgaram no tribunal eclesiástico e condenaram-na à morte na fogueira.

Resolução

Alternativa D. Logo após ser derrotada na batalha contra Borgonha, Joana D’Arc foi vendida aos ingleses por 100 mil libras. Ela foi condenada à fogueira pelo tribunal eclesiástico da Inglaterra sob a acusação de heresia, bruxaria e possessão demoníaca.

Por: Carlos César Higa

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