Terrorismo

O terrorismo está entre as práticas violentas mais utilizadas no século XX e no século XIX, tanto para fins políticos quanto para fins ideológicos ou religiosos.

O terrorismo tem estado cada vez mais presente no mundo inteiro
O terrorismo tem estado cada vez mais presente no mundo inteiro
  • O que é terrorismo?

O terrorismo pode ser definido como uma ação violenta contra vítimas inocentes a fim de promover determinada causa, seja ela ideológica, seja política, religiosa (ou até mesmo pessoal) etc.

  • Origem da palavra “terrorismo”

A palavra terrorismo deriva, obviamente, de “terror”, cujo significado corrente é medo, angústia diante de alguma ameça física ou psicológica. Ela foi usada pela primeira vez pelo filósofo britânico Edmund Burke, em seu escrito Letters on a Regicide Peace (Cartas sobre uma paz regicida), onde critica o período da Revolução Francesa em que os jacobinos estiveram no poder, isto é, de agosto de 1792 a julho de 1794. O terror revolucionário jacobino caracterizou-se pela implacável perseguição política contra todos aqueles que se opunham às suas diretrizes políticas. Os jacobinos valiam-se do uso da guilhotina para decapitar seus opositores. Um dos decapitados foi o rei da França, Luís XVI.

O fato é que, com o passar do tempo, a expressão terrorismo passou a ser usada em outros países para designar situações diversas dessa criticada por Burke. De modo geral, o nome “terrorismo” passou a estar associado a duas coisas: à guerra irregular, ou guerrilha, e à própria ação revolucionária, seja de caráter anarquista, comunista, nacionalista-separatista, seja religiosa, como o de grupos radicais islâmicos.

  • Terrorismo e guerra irregular

A guerra irregular, também entendida como guerra não convencional, existe desde a Antiguidade e é caracterizada por táticas e padrões de ataque assimétricos, isto é, sem formação de linhas militares comuns ou uso de armamento convencional. Na guerra irregular, há emboscadas, uso de armas improvisadas, sequestros, sabotagens, entre outros tipos de ação. Por isso, ela também é conhecida como guerrilha, termo que vem do espanhol guerrilla, a forma de guerra utilizada pelos espanhóis no início do século XIX contra as tropas do exército invasor de Napoleão Bonaparte.

O método da guerra irregular foi expandido ainda no século XIX por grupos revolucionários pertencentes a ideologias diversas. Durante essa expansão, houve a disseminação da tática do atentado contra vítimas inocentes, isto é, as táticas irregulares não eram mais usadas apenas como forma de resistência aos exércitos convencionais.

  • Terrorismo revolucionário anarquista e comunista

No fim do século XIX, o anarquismo e o comunismo tornaram-se ideologias com projetos políticos bastante penetrantes no corpo social e político do Ocidente, sobretudo na Europa. As alas mais radicais desses dois movimentos optaram pelo uso da luta armada, que também se tornaria sinônimo da guerra irregular, e também dos atentados, geralmente com bombas, contra lugares ou pessoas consideradas símbolos do que eles combatiam. Um exemplo famoso de terrorista partidário desse tipo de ideologia foi Ravachol, anarquista francês cujo nome real era François Claudius Koënigstein.

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No século XX, esse tipo de ação prosseguiu, principalmente entre as facções revolucionárias comunistas, e tornou-se intensa no mundo todo, inclusive no Brasil, com grupos como a ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella.

  • Terrorismo nacionalista separatista e terrorismo islâmico

A combinação de guerra irregular e atentados, feita por anarquistas e comunistas, também foi operada, na mesma época, por grupos nacionalistas separatistas, como a Mão Negra, na Sérvia, cujo integrante Gravilo Princip foi o responsável pelo atentado que vitimou o arquiduque austríaco Francisco Ferdinando, em 1914, dando início à Primeira Guerra Mundial. Os grupos mais famosos dessa linha são o ETA (Pátria Basca e Liberdade), da Espanha, e o IRA (Exército Republicano Irlandês), da Irlanda do Norte.

Ainda nesse viés do terrorismo nacionalista, podemos citar as ações da OLP (Organização Para a Libertação da Palestina), que se valeu dos meios da guerra irregular e de atentados contra civis inocentes para tentar conquistar seus objetivos. As facções que dela derivaram, como o Setembro Negro e a Frente Popular pela Libertação da Palestina, foram responsáveis por sequestros e atentados de repercussão nacional, como o massacre nas Olimpíadas de Munique, em 1972.

As ações da OLP e de suas facções, entretanto, estão mais próximas dos revolucionários comunistas (inclusive muitas delas foram articuladas com membros do comunismo revolucionário internacional) do que propriamente de grupos vinculados ao radicalismo islâmico, como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.

Esses dois grupos têm bases ideológicas e religiosas que vêm de uma vertente específica do Islã, o wahhabismo, cuja doutrina extremista desembocou em organizações como a Irmandade Muçulmana, à qual, por exemplo, Osama Bin Laden esteve vinculado. O terrorismo islâmico, isto é, com nítidos fundamentos teológicos, tem por alvo tudo o que representa uma “ameaça” ao Islã. Isso inclui outras interpretações da tradição islâmica que não sejam as extremistas e toda a cultura ocidental.

Por: Cláudio Fernandes

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