Literatura de Cordel

A Literatura de Cordel difere-se das demais literaturas por seu caráter regional e por sua linguagem coloquial. Tem raízes na tradição popular e na literatura portuguesa.

Literatura de Cordel
Literatura de Cordel

Aos poetas clássicos

Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês […].

Patativa do Assaré

Os versos que você leu no fragmento acima representam bem a literatura sobre a qual falaremos agora e pertencem a um dos maiores poetas da nossa Literatura Brasileira: Patativa do Assaré. A Literatura de Cordel apresenta características bastante distintas, o que a difere de qualquer outro tipo de literatura. Por este motivo, nem sempre recebeu a devida atenção por parte dos estudiosos, mas é reverenciada, principalmente, pelo povo que se vê retratado nela.

A Literatura de Cordel ousou, e ainda o faz, ser popular em uma área em que a erudição quase sempre reinou. Como você pode ter observado no fragmento do poema de Patativa do Assaré, as marcas da oralidade estão presentes e por conta do linguajar despreocupado, – o poeta transfere para a escrita seus “vícios” de linguagem - nem sempre foi uma modalidade de literatura respeitada pelo meio acadêmico. Entretanto, esta situação vem mudando, e a Literatura de Cordel vem ganhando maior aceitação e respeito.

A despeito dos meios convencionais de publicação de livros, o cordel, como é popularmente chamado, é publicado em livretos e quase sempre são feitos artesanalmente por seus autores, comercializados de maneira informal e a preços bastante acessíveis. Visitando feiras do nordeste, berço da Literatura de Cordel, você certamente encontrará uma banquinha repleta de opções, com títulos e autores variados. Alguns poetas, como Leandro Gomes de Barros e João Martins de Athayde, já possuem obras publicadas por editoras e vendem milhares de exemplares, o que demonstra a força que o cordel vem adquirindo, solidificando no mundo das letras aquilo que a sabedoria popular já havia reconhecido, intuitivamente, como arte.

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O cordel tem origens na literatura portuguesa e nossos cordelistas são os trovadores de outrora, pois assim como os trovadores portugueses, apresentam-se para o povo utilizando uma linguagem regional e coloquial. Os temas abordados no cordel são variados, mas geralmente falam sobre os acontecimentos e sobre a cultura local. As narrativas tradicionais também têm seu espaço, assim como as histórias de humor, ficção, amor; os temas religiosos são frequentes, assim como os profanos, que podem ganhar um divertido ponto de vista do autor. O cordel pode apresentar também um caráter jornalístico ao fazer críticas sociais ou políticas, retratando a realidade de um povo através de uma linguagem denunciativa.

Não pense que você encontrará no cordel qualquer tipo de compromisso com a imparcialidade, os textos são pessoais e provavelmente você será convencido, pois nossos cordelistas são experientes argumentadores, capazes de persuadir o leitor a acreditar em suas histórias, até mesmo as fantásticas. O cordel tem compromisso firmado com a literatura oral e por isso apresenta grande importância para a formação da identidade cultural de um povo, especificamente o povo nordestino.





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Por: Luana Castro Alves Perez