Escândalo de Watergate

O Escândalo de Watergate foi um dos maiores da história política dos Estados Unidos. Em 1972, cinco homens foram presos ao entrar na sede do Partido Democrata, no prédio Watergate, em Washington, para instalar escutas telefônicas ilegais. Os invasores eram pessoas próximas da Casa Branca, e o caso foi visto como uma interferência do presidente Richard Nixon nas eleições presidenciais daquele ano, nas quais ele concorria à reeleição.

O jornal Washington Post publicou uma série de reportagens assinada pelos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward, com base em informações obtidas pela fonte apelidada Garganta Profunda, mostrando a ação da Casa Branca na invasão do Watergate e na obstrução da justiça. Apesar de ter sido reeleito, Nixon renunciou à presidência, em 1974, por causa desse escândalo.

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Invasão do prédio de Watergate

Complexo Watergate, em Washington, onde ficava o escritório do Partido Democrata, nele aconteceu o escândalo que derrubou o governo Nixon.[1]
Complexo Watergate, em Washington, onde ficava o escritório do Partido Democrata, nele aconteceu o escândalo que derrubou o governo Nixon.[1]

Na noite do dia 17 de junho de 1972, cinco homens invadiram o escritório do Partido Democrata, localizado no complexo de Watergate, em Washington. Eles tentaram instalar aparelhos de escutas telefônicas para grampear as ligações feitas por integrantes do partido naquele local. Um segurança de Watergate percebeu a estranha movimentação no escritório e chamou a polícia.

Os cinco homens foram presos, e os policiais encontraram os materiais usados para o crime. O fato foi noticiado pela imprensa, mas sem nenhuma repercussão, pois não se sabia das conexões daqueles homens com os republicanos.

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  • Motivos da invasão de Watergate

A invasão do prédio de Watergate aconteceu durante a campanha presidencial de 1972. O presidente Richard Nixon, do Partido Republicano, buscava a reeleição enquanto os democratas esperavam ser eleitos para retornar à Casa Branca. Como toda eleição, informações secretas que possam apontar erros, contradições ou constrangimentos dos adversários são usadas pelos candidatos para atrair votos e alcançar a vitória.

As campanhas eleitorais norte-americanas são caracterizadas pelas acusações e críticas incisivas entre candidatos. Até nas prévias dos partidos, as acusações são feitas no intuito de se assegurar a nomeação partidária.

Os republicanos organizaram uma grande estrutura para coordenar a campanha pela reeleição de Nixon. Criou-se um comitê para tal fim. Os homens que invadiram Watergate, onde se localizava o escritório do Partido Democrata, instalaram escutas ilegais nos telefones justamente para obter mais informações que os democratas queriam esconder ou saber das estratégias traçadas para a campanha presidencial em curso. Dessa forma, o comitê da reeleição de Nixon poderia antecipar o adversário e estar à sua frente, apesar da forma ilegal como as informações foram obtidas.

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As denúncias do jornal The Washington Post

Sede do jornal “Washington Post”, que publicou as reportagens denunciando o Escândalo Watergate e sua ligação com Richard Nixon.
Sede do jornal “Washington Post”, que publicou as reportagens denunciando o Escândalo Watergate e sua ligação com Richard Nixon.

A imprensa norte-americana noticiou a prisão dos cinco homens que invadiram a sede do Partido Democrata em Watergate, mas tal fato não teve nenhuma repercussão na política e muito menos na campanha eleitoral. No entanto, o jornal The Washington Post, que também repercutiu a invasão, começou a publicar reportagens para apurar com mais profundidade aquele fato.

Os jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward perceberam que aquela invasão poderia ser melhor investigada pela imprensa. Uma fonte, inicialmente apelidada de Garganta Profunda, começou a fornecer informações a respeito daquele caso, dando início às reportagens. Apesar da resistência inicial dos editores do jornal, os jornalistas continuaram publicando as informações enviadas pela importante fonte.

Bernstein e Woodward mostraram as primeiras ligações da invasão de Watergate ao comitê de reeleição de Nixon. Um dos invasores recebeu em sua conta bancária o depósito de 25 mil dólares e que teria saído do comitê eleitoral republicano. Assim, descobriu-se também que esse comitê tinha um “caixa dois”, isto é, dinheiro não declarado, que seria usado para atividades ilegais contra seus opositores.

A frase “follow the money”, em português, “siga o dinheiro”, foi usada pela primeira vez no caso Watergate. Ao rastrear a origem do depósito na conta de um dos invasores do escritório democrata, surgiu a primeira ligação da invasão com os republicanos. Esse método de investigação é usado até hoje pela justiça.

Assim que as reportagens foram divulgadas, Richard Nixon e sua equipe negaram qualquer participação no caso, e a campanha presidencial prosseguiu como se nada estivesse acontecido. Apesar das negativas da Casa Branca, o Washington Post continuou apurando o caso Watergate e sua ligação com o comitê de Nixon.

Campanha presidencial

Apesar das acusações do Washington Post de que teria enviado os homens que invadiram Watergate, o comitê de campanha de Richard Nixon continuou suas ações pela reeleição. O presidente republicano venceu seu adversário, o democrata George McGovern, com uma margem expressiva de votos.

Nessa campanha presidencial, Nixon foi reeleito com uma proposta de continuidade no encerramento da Guerra do Vietnã, trazendo os soldados norte-americanos de volta para casa, e na aproximação com os países comunistas do leste europeu. No primeiro mandato, ele visitou a União Soviética e a China, onde se encontrou com o líder comunista Mao Tsé-Tung, com quem estabeleceu boas relações pessoais.

Em 1973, logo após tomar posse pela segunda vez da presidência dos Estados Unidos, Nixon teve que encarar as acusações relacionadas ao Escândalo Watergate. Com os indícios cada vez mais comprovados da ligação do comitê de reeleição de Nixon com a invasão, o FBI (Federal Bureau of Investigation) abriu um processo para investigar o caso.

Investigação do Escândalo de Watergate

O Senado norte-americano também abriu um processo sobre Watergate em fevereiro de 1973. Com o avanço das investigações, três assessores de Nixon renunciaram. Em julho do mesmo ano, descobriu-se que as conversas feitas no Salão Oval da Casa Branca eram gravadas. Os senadores pediram ao presidente as gravações para análise, mas Nixon se recusou a fazer isso. Somente com a interferência da Suprema Corte que as fitas das gravações foram entregues, mas alguns trechos foram editados, uma clara obstrução da justiça, o que complicou ainda mais a situação política de Nixon.

As sessões do Senado envolvendo as investigações de Watergate foram transmitidas pela televisão, e a opinião pública criticou a atuação da Casa Branca no caso. Inúmeros manifestantes saíram às ruas de Washington exigindo a renúncia ou o impeachment de Nixon.

Renúncia de Richard Nixon

Quando as investigações mostraram que Richard Nixon obstruiu a justiça e que ele tinha não apenas ciência da invasão de Watergate como aprovou tal medida, ele renunciou à presidência dos Estados Unidos, em 8 de agosto de 1974, logo após pronunciamento na televisão. Seu vice, George Ford, assumiu a Casa Branca e lhe concedeu o perdão presidencial, encerrando assim os processos contra Nixon relativos a Watergate.

O caso Watergate chamou a atenção do mundo todo e mostrou a importância do papel da imprensa na vigilância do poder. A invasão de Watergate até que foi noticiada, mas foram os jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward que decidiram aprofundar as investigações sobre o caso e publicaram as reportagens no Washington Post, revelando as ligações com o comitê de reeleição de Nixon e a participação de assessores da Casa Branca e do próprio presidente.

Em 1976, foi lançado o filme All the president’s men (Todos os homens do presidente), com Robert Redford e Dustin Hoffman interpretando Carl Bernstein e Bob Woodward. O filme se tornou um clássico sobre a política e o jornalismo político/investigativo. Os dois jornalistas só revelaram a verdadeira identidade do Garganta Profunda, a fonte que forneceu as informações que deram sustentação às reportagens do Washington Post, em 2005. W. Mark Felt, ex-diretor do FBI, foi o informante dos dois jornalistas.

Créditos das imagens

[1] Sean Pavone / Shutterstock

[2] Nicole Glass Photography / Shutterstock

Por: Carlos César Higa

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