Guerra do Vietnã

A Guerra do Vietnã foi um desdobramento da Guerra da Indochina e contou com a presença de tropas americanas a partir de 1965.

A Guerra do Vietnã foi um conflito que aconteceu de 1959 a 1975, entre Vietnã do Norte e Vietnã do Sul, ambos lutando pela unificação do país sob seu controle. Essa guerra foi um desdobramento direto da Guerra da Indochina (1946-1954), que resultou na independência do Vietnã. Além disso, a Guerra do Vietnã foi consequência da bipolarização do período da Guerra Fria e contou com a participação efetiva dos Estados Unidos. Estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas tenham morrido nesse conflito.

Antecedentes

A Guerra do Vietnã é um desdobramento direto do conflito que havia acontecido na região, conhecido como Guerra da Indochina. Esse conflito havia sido realizado entre 1946 e 1954 e colocou, principalmente, vietnamitas na luta contra franceses para colocar o fim ao domínio colonial nessa parte do continente asiático. Os franceses mantinham como colônia a Indochina Francesa, a qual agrupava nesse território Vietnã, Laos e Camboja.

Ao final dessa guerra, o domínio colonial dos franceses na região deixou de existir e o Vietnã foi dividido em duas entidades antagônicas em 1954. O paralelo 17 dividiu o país em:

  • Vietnã do Norte: possuía um governo comunista liderado por Ho Chi Minh e tinha como capital Hanói. Aliou-se à União Soviética.

  • Vietnã do Sul: possuía um governo capitalista liderado por Bao Dai e tinha como capital Saigon. Foi aliado dos Estados Unidos.

Essa divisão foi ratificada durante a Conferência de Genebra, em 1954, que pôs fim ao conflito com os franceses e decretou a independência de Laos, Camboja e do Vietnã em duas entidades. Durante essa conferência, também foi estabelecida a realização de eleições para 1955 que determinaria a unificação do Vietnã sob um mesmo governo.

Contudo, as diferenças ideológicas resultaram no surgimento de hostilidades entre os dois governos. Caracterizados como regimes ditatoriais que promoviam perseguição intensa a grupos que não apoiassem sua ideologia, os dois governos, tanto do Vietnã do Norte quanto do Vietnã do Sul, procuravam mecanismos para sabotar seu inimigo.

Em 1955, Bao Dai foi destituído do poder no Vietnã do Sul, e Ngo Diem Dinh assumiu com o apoio dos Estados Unidos. O novo governo formado por Diem Dinh recusou-se a participar das eleições de 1955, alegando que os resultados no Vietnã do Norte seriam forjados. O Vietnã do Norte, por sua vez, passou a apoiar a formação de grupos comunistas que atuavam clandestinamente no Vietnã do Sul.

A tensão entre as duas partes acabou assumindo a condição de guerra civil a partir de 1959, quando o governo de Hanói incentivou o início de rebeliões armadas no Vietnã do Sul. Assim, guerrilheiros comunistas passaram a lutar contra o governo do Sul, e foi estabelecida a Frente Nacional de Libertação, conhecida como vietcongue.

Atuação dos EUA no conflito

As ingerências norte-americanas na região haviam aumentado consideravelmente após a Revolução Chinesa, que transformou a China em uma nação comunista. A sombra chinesa alarmou os líderes americanos preocupados com o crescimento do comunismo no Sudeste Asiático. Assim, os Estados Unidos financiaram fortemente os franceses contra os comunistas vietnamitas e apoiaram, da mesma maneira, o governo sul-vietnamita.

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Os primeiros anos da Guerra do Vietnã não contaram com a participação direta dos Estados Unidos. A atuação americana, até 1965, aconteceu somente pelo fornecimento de armamentos e pelo envio de conselheiros, que faziam o treinamento do exército sul-vietnamita. No entanto, apesar do apoio americano, os exércitos norte-vietnamitas levavam a vantagem no conflito.

A derrota em curso levou o governo de Diem Dinh a encarar um enfraquecimento em todas as frentes: internamente, seu governo era alvo de intensos protestos e, internacionalmente, era mal visto e criticado. Diem Dinh acabou sendo alvo de um golpe militar, que o depôs e o executou em 1963. Isso contribuiu para a instabilidade e o enfraquecimento do Vietnã do Sul.

No final de 1963, o presidente americano John F. Kennedy foi alvo de um atentado nos Estados Unidos e acabou falecendo. Seu vice, Lyndon Johnson, assumiu o governo e alterou o panorama da atuação americana no conflito. O exército americano entrou oficialmente na guerra após o Incidente do Golfo de Tonquim, no qual, supostamente, a embarcação americana USS Maddox foi atacada duas vezes por torpedeiros norte-vietnamitas.

O atentado foi utilizado pelos Estados Unidos como pretexto para aprovar o envio de tropas ao Vietnã. Os ataques norte-vietnamitas, porém, nunca foram comprovados pelo exército americano. Com a aprovação para o envio de tropas, iniciou-se a fase da participação americana efetiva na guerra. Essa participação foi intensa, e estima-se que, em 1969, havia 543 mil soldados americanos no Vietnã.

A entrada americana na Guerra do Vietnã gerou controvérsias, pois foram realizados inúmeros ataques contra aldeias de camponeses vietnamitas. Além disso, os Estados Unidos promoveram intensos bombardeios no país, com o uso de bombas incendiárias e armas químicas como o Agente Laranja, responsável por desfolhar as plantas e por gerar grave contaminação do solo e aumento nos índices de câncer nos locais onde foi usado.

Esses fatores, aliado ao grande número de soldados americanos que morreram no conflito, (calcula-se que 58 mil americanos foram mortos) levaram ao surgimento de uma forte rejeição à participação dos Estados Unidos nessa guerra. Essa rejeição era manifestada, sobretudo, nos movimentos de contracultura que existiam na época no país.

A pressão popular pela saída da guerra fez o presidente americano Richard Nixon assinar um cessar-fogo com o Vietnã do Norte e, assim, as tropas americanas foram retiradas de maneira definitiva do país asiático. A guerra continuou, porém o Vietnã do Sul, sem o apoio americano, não conseguiu manter a luta contra as tropas vietcongues. Em 1975, a cidade de Saigon foi conquistada pelos norte-vietnamitas e rebatizada de Ho Chi Minh.

Com a vitória dos norte-vietnamitas, o país foi reunificado a partir de 1976 sob a liderança dos comunistas. Ao longo de mais de quinze anos de conflito, ao menos 1,5 milhão de pessoas morreram, segundo estimativas, e alguns cálculos chegam a indicar cerca de 3 milhões de mortos.

Aproveite para conferir a nossa videoaula sobre o assunto:

Aeronave norte-americana lançando o Agente Laranja, responsável por desfolhar árvores, em foto de 1966

Aeronave norte-americana lançando o Agente Laranja, responsável por desfolhar árvores, em foto de 1966

Por: Daniel Neves Silva

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