O Romantismo brasileiro no estilo prosaico

Tão importante foi o Romantismo brasileiro no estilo poético quanto aquele que se destacou na prosa. Este último teve como principais representantes José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida e Visconde de Taunay. Já quanto ao estilo poético, na primeira fase tivemos a poesia indianista com Gonçalves Dias; na segunda, a poesia ultrarromântica com Álvares de Azevedo; e na terceira fase, Castro Alves com sua poesia condoreira, de cunho social.

Na primeira fase identificamos uma intensa vontade de retratar uma literatura autenticamente nacionalista; na segunda, tal intento se fez ainda mais evidente, surgindo, assim, um novo gênero – o romance. Assim, esse desejo de revelar a “cara” do Brasil se manifestou por meio de uma temática voltada para dois elementos importantíssimos: a terra e o homem brasileiros.

Todo esse frutificar do romance – além de estreitar relações com o sentimento de lusofobia (aversão ao lusitano – Portugal), sobretudo no período demarcado pela Independência e pelo autoritarismo promulgado pela era regencial –, esteve ligado ao surgimento dos folhetins de origem francesa, que vieram também se estabelecer no Brasil em meados do século XIX, caracterizando-se como uma espécie de periódicos destinados à Corte, vindo a culminar com um público leitor bastante significativo daquela época, representado por estudantes, profissionais liberais e, sobretudo, mulheres.

Voltando à questão da temática, os romances se manifestavam como fruto de uma visão do país, centrada, especialmente, em seus espaços geográficos, tendo as pequenas vilas, bem como as cidades maiores, as florestas e praias, cerrados e garimpos, os sítios e fazendas, como principais norteadores.
Ao contrário da poesia, que se dividiu em gerações, o romance se solidificou com base em categorias distintas, entre as quais citamos:

* O romance urbano

Em meio a uma sociedade letrada, a qual se dedicava, entre outras atividades, à leitura, essa modalidade prosaica teve lá suas notáveis recepções, retratando o modo de viver das pessoas somado a uma boa dose de fantasia. Foram mestres nessa habilidade: Joaquim Manuel de Macedo, com o romance A moreninha, bem como Manuel Antônio de Almeida, com Memórias de um sargento de milícias e José de Alencar, autor de Senhora e Lucíola.     

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* O romance indianista ou histórico

Assim como na poesia, a figura do índio foi subliminar também na prosa. Tal personagem, concebido como o herói nacional, notadamente influenciado pelas ideias de Rousseau, representou o ápice de todas as manifestações artísticas voltadas para essa categoria (indianismo). Novamente José de Alencar deixa sua marca ao criar O guarani e Iracema, sem falar em Basílio da Gama e Frei Santa Rita Durão com as epopeias Caramuru e O Uraguai. 

* O romance regionalista

Essa vertente se materializou como sendo autenticamente nacional, abnegando-se de quaisquer influências europeias, haja vista que nela se fez exaltado o desejo de conquistar o espaço brasileiro em sua totalidade. Pautados nessa visão, os artistas souberam criar seu estilo próprio, ao correlacionar reações, sentimentos e emoções, manifestados por seus protagonistas, à realidade regional brasileira, tendo como pano de fundo as regiões nordestinas, os pampas gaúchos, o sertão do Centro-Oeste e a zona baiana, sobretudo a cacaueira. Artistas como Visconde de Taunay, com Inocência, José de Alencar, com a obra O sertanejo, Franklin da Távora, com O matuto e Bernardo Guimarães, com Escrava Isaura, manifestaram seu poder de criação, destacando-se de forma ímpar no cenário cultural brasileiro.

 


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José de Alencar e Visconde de Taunay – representantes do Romantismo brasileiro no estilo prosaico

José de Alencar e Visconde de Taunay – representantes do Romantismo brasileiro no estilo prosaico

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

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