José de Anchieta

Para que possamos compreender a importância dessa importante figura – representada por José de Anchieta -, torna-se relevante nos inteirarmos acerca de seus dados bigráficos, obviamente. Cumpre então  dizer que ele nasceu em Tenerife, Ilhas Canárias, em 1534, e morreu no Espírito  Santo, Brasil, em 1597. Cientes disso, aproveitamos também para sabermos que ele integrava os jesuítas – missionários da Companhia de Jesus, que vieram para cá para atuar como instrumentos de recuperação do poder da Igreja Católica, que aos poucos foi perdendo o prestígio em função da Reforma Protestante.

Dessa forma, José de Anchieta, Fernão Cardim e Manuel da Nóbrega ocuparam a nobre posição de autores da chamada Literatura de formação, cujos registros se fizeram vistos na época do Quinhentismo, época essa em que o Brasil ainda era colônia de Portugal. Assim, cumprindo justamente a intenção a que se propunha, demarcada por um ideário catequético, o objetivo de José de Anchieta era justamente converter os índios ao cristianismo, por isso escreveu poemas, canções, hinos e autos, sendo que esses últimos remontavam as criações de Gil Vicente e toda a manifestação cultural presente na Idade Média.

Foi assim que no teatro (representado pelos autos) é que ele alcançou de forma efetiva suas propostas, haja vista que às vésperas das comemorações religiosas escrevia peças que, de forma amena, levava ao público, fazendo com que aquele sentimento fizesse renovar a fé e não se tornasse tão cansativo, como o que ocorria com os Sermões. Assim, por se tratar de um púbico heterogêneo, composto por soldados, indígenas, colonos, marujos, comerciantes etc., Anchieta se propôs a escrever de forma multilíngue, aspecto esse que conferia às produções uma maior acessibilidade.

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Equivale dizer também que a figura do índio representava o foco principal da atuação dele, pois levando em consideração os hábitos desses primeiros habitantes, bem como o gosto que dispunham por festas, danças, músicas e representações, Anchieta fez desses costumes seu ponto de partida. Assim, aliava esse pendor natural aos dogmas católicos e à moral, fazendo uso de jogos dramáticos, cuja intenção era de que ao mesmo tempo em que instruía, também fazia com que seus propósitos se tornassem materializados. Deixando se levar pelo espírito medieval, escreveu diversas poesias, tanto pessoais quanto catequéticas, cujos versos seguiram essa mesma linhagem. Muitas delas, sobretudo as últimas, foram escritas em latim, destacando De beata virgine dei Matre Maria (Poema à virgem, 1563) como uma das mais importantes.

Monumento do padre José de Anchieta situado na Praça da Sé, em São Paulo

Monumento do padre José de Anchieta situado na Praça da Sé, em São Paulo

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

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