Charles Baudelaire

Charles Baudelaire foi um poeta francês. Foi o precursor do simbolismo na Europa. Seu livro mais famoso, “As flores do mal”, contém poesias que valorizam as sensações.

Charles Baudelaire, em fotografia de Félix Nadar (1820-1910).
Charles Baudelaire, em fotografia de Félix Nadar (1820-1910).

Charles Baudelaire foi o precursor do simbolismo na Europa. Ele nasceu em 09 de abril de 1821, na cidade de Paris, na França. Além de poeta, foi crítico de arte e tradutor. Durante toda a sua vida adulta, enfrentou dificuldades financeiras, já que era um perdulário e fazia muitas dívidas.

 O escritor, que faleceu em 31 de agosto de 1867, em Paris, é o autor do livro de poesias As flores do mal, sua obra mais conhecida, já que foi processada por imoralidade em sua época. Os textos poéticos de Baudelaire apresentam rigor formal, elementos sinestésicos e uma realidade sombria e decadente.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre Charles Baudelaire

  • O poeta francês Charles Baudelaire nasceu em 1821 e faleceu em 1867.

  • Além de escritor, foi crítico de arte e tradutor.

  • As obras do autor apresentam características simbolistas.

  • O rigor formal, o sensorialismo e o pessimismo são traços de sua poesia.

  • A obra mais famosa de Baudelaire é o livro de poesias As flores do mal.

Biografia de Charles Baudelaire

Charles Baudelaire nasceu em 09 de abril de 1821, em Paris, cidade francesa. Ficou órfão de pai em 1827. Logo depois, a mãe do escritor se casou com o militar Jacques Aupick (1779-1857). A partir de então, Baudelaire e o padrasto desenvolveram uma conturbada relação entre pai e filho adotivo.

O casal e o filho se mudaram para Lyon, em 1831. Por volta de 1836, o jovem poeta foi morar em Paris. Boêmio e indisciplinado, logo ficou endividado, apesar de ter recebido a herança paterna ao completar 21 anos de idade. Para proteger o filho de si mesmo, seus pais contrataram um advogado, que passou a controlar os gastos do poeta.

No entanto, as dívidas só aumentavam, e toda essa situação gerava profundo desgaste na relação entre o escritor e seus pais. Já sua vida amorosa era irregular e passional. Durante os anos 1840, apaixonou-se pela atriz Jeanne Duval (1820-1862) e, na década seguinte, pela também atriz Marie Daubrun (1828-1901).

Ainda nos anos 1840, trabalhou como crítico de arte; tentou suicídio em 1845; e participou da Revolução de 1848. Em 1852, afastou-se de questões políticas e se dedicou à escrita e à tradução. Quatro anos depois, em 1856, ele e Jeanne Duval romperam definitivamente o relacionamento. No ano seguinte, precisou enfrentar um processo judicial relacionado à proibição de seu livro As flores do mal.

Em toda a sua vida adulta, Charles Baudelaire enfrentou problemas financeiros. Assim, tentou ganhar dinheiro com palestras em Bruxelas, na Bélgica, durante o ano de 1864. Ficou nesse país até 1866, quando sofreu um AVC, que lhe causou paralisia e dificuldade de se comunicar verbalmente. Então voltou à França, onde morreu em 31 de agosto de 1867, em Paris.

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Características da obra de Charles Baudelaire

Como precursoras do simbolismo, as obras de Baudelaire possuem as seguintes características:

  • caráter subjetivo;

  • misticismo;

  • musicalidade;

  • metrificação;

  • sensorialismo;

  • decadentismo;

  • maiúscula alegorizante;

  • elementos impalpáveis;

  • imprecisão;

  • uso de reticências.

Obras de Charles Baudelaire

Capa do livro “Paraísos artificiais”, de Charles Baudelaire, publicado pela editora L&PM.[1]
Capa do livro “Paraísos artificiais”, de Charles Baudelaire, publicado pela editora L&PM.[1]
  • Salão de 1845 (1845)

  • Salão de 1846 (1846)

  • La Fanfarlo (1847)

  • As flores do mal (1857)

  • Paraísos artificiais (1860)

  • Richard Wagner e Tannhäuser em Paris (1861)

  • Naufrágios (1865)

  • Curiosidades estéticas (1868)

  • A arte romântica (1868)

  • Pequenos poemas em prosa (1869)

  • Diários íntimos (1887)

  • Obras póstumas e correspondências inéditas (1887)

  • Meu coração desnudado (1909)

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Poemas de Charles Baudelaire

Obra precursora do simbolismo, As flores do mal é o principal livro do autor. Publicado, pela primeira vez, em 1857, logo foi alvo de censura na França, acusado de atentado contra a moral e os bons costumes. Nessa obra, observamos, principalmente, o rigor formal, a sinestesia e a musicalidade.

Faz parte desse livro o poema “A destruição”, composto por versos alexandrinos (12 sílabas poéticas). Nele, o eu lírico retrata um ambiente místico e sombrio. Ele diz que o demônio nada ao seu redor “como um ar impalpável”. A entidade entra em seus pulmões e o enche de “um desejo eterno e condenável”.

O demônio também toma a forma da mulher com quem o eu lírico sonha e o faz mentir ou ocultar a verdade. Assim, o eu lírico é condenado ao tédio e à destruição. Desse modo, o poema assume um aspecto decadente, estimula as sensações (“impalpável”, “arde”, “crepita” e “sangrento”), além de utilizar as simbólicas maiúsculas alegorizantes (“Demônio”, “Deus”, “Tédio” e “Destruição”):

Sem cessar a meu lado o Demônio se agita,
E nada ao meu redor como um ar impalpável;
Eu o levo aos meus pulmões, onde ele arde e crepita,
Inflando-os de um desejo eterno e condenável.

Às vezes, ao saber do amor que a arte me inspira,
Assume a forma da mulher que eu vejo em sonhos,
E, qual tartufo afeito às tramas da mentira,
Acostuma-me a boca aos seus filtros medonhos.

Ele assim me conduz, alquebrado e ofegante,
Já dos olhos de Deus afinal tão distante,
Às planícies do Tédio, infindas e desertas,

E lança-me ao olhar imerso em confusão
Trajes imundos e feridas entreabertas
— O aparato sangrento e atroz da Destruição!

BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Tradução de Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

o poema “As duas boas irmãs”, também composto por versos alexandrinos, personifica a Orgia e a Morte e as compara a “duas jovens graciosas”. Elas já estão cansadas de beijos e nunca conceberam um fruto. E oferecem ao poeta — o qual é contra as famílias virtuosas e favorito do inferno — o vinho (das caves) e a morte (das tumbas).

As “irmãs” também dão “os prazeres do horror” (na sepultura) e “as carícias malsãs” (na alcova). O eu lírico, por fim, invoca a Orgia e a Morte. Dessa forma, o poema é sombrio e pessimista, utiliza a sinestesia (“frêmito”, “carícias” e “negras”), além de usar a maiúscula alegorizante na personificação da Orgia e da Morte:

A Orgia e a Morte são duas jovens graciosas,
Fartas de beijos e de frêmito incontido,
Cujo ventre engastado em ancas andrajosas
Jamais logrou um fruto em si ter concebido.

Ao poeta infausto, hostil às famílias virtuosas,
Favorito do inferno e cortesão falido,
Caves e tumbas oferecem, generosas,
Um leito em que o pesar jamais foi recebido.

A sepultura e a alcova, em blasfêmias fecundas,
Nos dão de quando em vez, como boas irmãs,
Os prazeres do horror e as carícias malsãs.

Hás de enterrar-me, Orgia, em tuas covas fundas?
Quando virás, ó Morte, envolta em negras vestes,
Sobre os mirtos em flor plantar os teus ciprestes?

BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Tradução de Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

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Frases de Charles Baudelaire

A seguir, vamos ler algumas frases de Charles Baudelaire, extraídas de suas obras Pequenos poemas em prosa, Flores do mal e Diários íntimos:

“Para não sentir o fardo horrível do tempo que quebra seus ombros, é preciso embriagar-se.”

“Aos olhos da memória, o mundo é pequeno!”

“Quando todos os indivíduos se dedicarem ao progresso, então a humanidade estará em progresso.”

“A arte é longa, e o tempo é curto.”

“A voluptuosidade única e suprema do amor está na certeza de fazer o mal.”

Créditos da imagem

[1] Editora L&PM (reprodução)   

Por: Warley Souza

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