Epopeia de Gilgamesh

No século XIX, foram localizadas as tábuas da narrativa da trajetória do rei de Uruk chamado Gilgamesh. Essa obra é considerada a origem do mito hebraico do dilúvio.

Assurbanípal, rei assírio que ordenou a transcrição da Epopeia de Gilgamesh do sumério*
Assurbanípal, rei assírio que ordenou a transcrição da Epopeia de Gilgamesh do sumério*

A Epopeia de Gilgamesh é uma das histórias mais conhecidas de povos de origem mesopotâmica e, atualmente, é considerada a obra de literatura mais antiga da humanidade, sendo, inclusive, cerca de 1500 anos mais antiga que os famosos poemas homéricos. A Epopeia de Gilgamesh foi produzida em 12 blocos de argila, cada qual contendo mais de 300 versos em escrita cuneiforme.

Essa obra foi encontrada no século XIX, durante as escavações arqueológicas lideradas pelo inglês Austen Harry Layard, na região onde havia existido a cidade assíria de Nínive. Essa escavação acabou localizando, em 1849, inúmeras peças que pertenciam à Biblioteca de Nínive, construída a mando do rei Assurbanípal. Entre as peças encontradas, estava a Epopeia de Gilgamesh.

A tradução da obra é atribuída ao trabalho realizado por Henry Rawlinson e George Smith, que se dedicaram ao estudo e deciframento da antiga obra suméria. Esse trabalho de tradução somente foi possível graças à descoberta da Inscrição de Dario, que transcrevia caracteres cuneiformes para três idiomas: o persa, o babilônio e o elamita.

As primeiras tábuas encontradas da Epopeia de Gilgamesh foram transcrições assírias realizadas a mando do rei assírio Assurbanípal (668 a.C. - 627 a.C.). Ao final do século XIX, escavações conduzidas por americanos encontraram antigas tábuas sumérias que continham a Epopeia escrita em sumério. Essas tábuas sumérias remontam a, aproximadamente, 2000 a.C.

A Epopeia de Gilgamesh foi nomeada originalmente de Sha-naqba-imru (“Aquele que viu a profundeza”) ou Shutur-eli-sham (“Aquele que se eleva sobre todos os reis”) e parece ter sido uma história bastante conhecida no mundo antigo, como demonstra a grande quantidade de versões e adaptações em outras línguas. Além do original sumério e da versão assíria, existem traduções da história em hitita, acadiano, língua hurrita etc.

Epopeia de Gilgamesh e o dilúvio bíblico

A Epopeia de Gilgamesh narra eventos relacionados com Gilgamesh, rei da cidade de Uruk. Os historiadores acreditam que ele foi o quinto rei dessa cidade – de acordo com a Lista Real Sumeriana –, no período por volta de 2800 a.C. e 2500 a.C. Esses estudiosos ainda especulam que a influência de Gilgamesh foi tamanha a ponto de inspirar histórias que divinizavam a sua figura.

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A epopeia apresenta Gilgamesh como rei de Uruk, o qual, em seu reinado, foi um governante cruel e arrogante que oprimia seu povo. Os deuses, então, fazem Enkidu do barro e enviam-no para aproximar-se do rei e ensinar-lhe a ser humilde. Eles tornaram-se amigos e acabaram lançando-se por jornadas em que mataram monstros e desrespeitaram a deusa Inana (Ishtar para os acádios). Então, os deuses resolvem matar Enkidu. Gilgamesh, entristecido, inicia outra jornada em busca da imortalidade.

Gilgamesh parte, então, ao encontro de Utnapishtim, apresentado como um herói imortal que era o sobrevivente de um grande dilúvio do mundo. Utnapishtim conta que havia sido designado por Enki (Ea para os acádios) para construir uma grande arca para que ele, sua família e cada espécie de animais pudessem abrigar-se durante esse dilúvio, que aconteceria e mataria a todos. Utnapishtim promete a imortalidade a Gilgamesh, porém o rei de Uruk falha em cumprir as missões que lhe foram conferidas e retorna a sua cidade.

A menção da Epopeia de Gilgamesh trouxe grande repercussão para a história por causa de sua semelhança com o mito hebraico de Noé e do dilúvio. Os historiadores afirmam que essa história dos sumérios serviu de influência para que os hebreus formulassem a sua versão milênios depois. Além disso, esses especialistas também apontam outras similaridades do mito sumério com os mitos bíblicos escritos pelos hebreus.

*Créditos da imagem: Michael A. Rhea e Shutterstock

Por: Daniel Neves Silva

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