Os Sumérios e seu legado

A escrita cuneiforme foi o principal legado deixado pelos sumérios aos povos do Oriente Médio
A escrita cuneiforme foi o principal legado deixado pelos sumérios aos povos do Oriente Médio

A primeira referência dos sumérios foi o legado deixado com a escrita cuneiforme. Além desta escrita, os primeiros povos a habitarem a região da Mesopotâmia também influenciaram os povos que os substituíram no domínio da região entre os rios Tigre e Eufrates com uma vasta literatura, uma revolução urbana, além do desenvolvimento de técnicas de agricultura baseadas na irrigação e o uso de espécies rentáveis na agricultura.

De origem incerta, os sumérios apareceram aos historiadores já como uma civilização. Há apontamentos de que os sumérios se deslocaram para a Mesopotâmia a partir dos confins da Arábia ou da Ásia, ou, ainda, que teriam se originado na Índia ou na Ásia Central. O certo foi que se fixaram na Caldeia (média e baixa Mesopotâmia) e lá constituíram ao menos 12 cidades-estados, dentre as quais Ur, Uruk, Nipur e Lacash. Essa revolução urbana, iniciada por volta do ano 3.000 a.C., tinha na figura do Patesi a chefia da cidade-estado. O Patesi era um rei-sacerdote com funções religiosas e militares, controlava as obras públicas como a construção de canais, celeiros e templos, além de desfrutar do poder absoluto.

Os sumérios eram um povo com características corporais braquicéfalas, com crânio grande e arredondado, estatura mediana, nariz proeminente e lábios e maçãs do rosto acentuadas. Dentre os hábitos cotidianos há indícios de que vestiam uma única veste no dia, entre a cintura e joelho, além de rasparem todo o corpo, incluindo a cabeça. Eram inteligentes, com capacidades de organização e de comércio, baseadas em apuradas técnicas de contabilidade. Talvez esta atividade econômica que tenha impulsionado o desenvolvimento da escrita.

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Inicialmente, a escrita era mais pictográfica e ideográfica, retratando objetos reais, animais, ações, símbolos, o que apresentou dificuldades para o desenho de linhas sinuosas e complexas nas placas de argila, levando-os a desenvolver uma nova grafia dos símbolos. Desta forma, os sumérios encontraram na escrita cuneiforme uma precisão maior da escrita. Além do controle contabilístico comercial, a escrita cuneiforme permitiu o desenvolvimento da literatura que influenciou durante séculos os povos da região. O caso mais conhecido desta influência é o da Epopeia de Gilgamesh, uma literatura do gênero épico-religioso que originou a história do dilúvio de Noé.

Os sumérios desenvolveram ainda conhecimentos nas áreas de matemática, astronomia, medicina, leis e diversas formas de expressão artística. Destacou-se ainda a arquitetura com a construção dos zigurates, templos religiosos para adoração dos deuses, e planos urbanísticos, com ruas estreitas, pequenas casas e templos diversos.

O declínio do domínio sumério na Mesopotâmia começou por volta de 2350 a.C., quando um povo de origem semita, os acádios, passaram a influenciar os centros urbanos, formando a partir daí o Império Acádio. A língua dos sumérios aos poucos foi sendo relegada ao esquecimento, sobrevivendo na antiguidade apenas em alguns rituais religiosos.

Por: Tales Pinto

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