Doutrina Monroe

A Doutrina Monroe foi elaborada em 1823 e visava impedir a restauração do colonialismo europeu e expandir a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina.

Selo postal homenageando o quinto presidente dos Estados Unidos, James Monroe, criador da Doutrina Monroe. [1]
Selo postal homenageando o quinto presidente dos Estados Unidos, James Monroe, criador da Doutrina Monroe. [1]

A Doutrina Monroe foi elaborada em 1823, durante o governo do presidente estadunidense James Monroe. Associada aos interesses expansionistas dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, buscava impedir a restauração do colonialismo das nações europeias no continente americano utilizando como justificativa o lema “América para os americanos”.

A Doutrina Monroe invocou o direito de independência dos países latino-americanos perante as práticas intervencionistas europeias, reforçando as áreas de atuação estadunidense no continente. Além disso, associada à Marcha para o Oeste e à Teoria do Destino Manifesto, buscou dar legitimidade à expansão territorial, política e econômica dos Estados Unidos.

Leia também: Como se deu a independência dos Estados Unidos?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a Doutrina Monroe

  • A Doutrina Monroe foi elaborada pelo presidente James Monroe e buscava impedir a restauração do colonialismo das nações europeias na América Latina e no Caribe.
  • Seu lema era “América para os americanos”.
  • Está inserida no contexto da Marcha para o Oeste e da elaboração do Destino Manifesto.
  • Através da Doutrina Monroe e da teoria do Destino Manifesto, os Estados Unidos buscaram dar legitimidade à sua expansão e ampliar o seu poder.
  • A Doutrina Monroe impediu que as monarquias absolutistas europeias reconquistassem suas colônias no continente americano e beneficiou o desenvolvimento tecnológico e econômico dos Estados Unidos.
  • Ela também favoreceu a consolidação da independência dos países latino-americanos.
  • No início do século XX, a Doutrina Monroe foi utilizada pelo presidente Theodore Roosevelt para a criação das políticas “Corolário Roosevelt” e “Big Stick”.
  • Na atualidade, é recorrente a retomada da Doutrina Monroe durante os discursos políticos dos presidentes estadunidenses, buscando justificar a sua missão de manutenção da democracia no mundo.

Videoaula sobre Doutrina Monroe

Contexto histórico da Doutrina Monroe

A Doutrina Monroe foi elaborada em 1823, durante o governo do presidente James Monroe, que governou os Estados Unidos entre 1817 e 1825. Ela buscava impedir a restauração do colonialismo das nações europeias na América Latina e no Caribe e garantir a expansão estadunidense a partir do lema “América para os americanos”.

A Doutrina Monroe pode ser percebida como uma tentativa de oposição ao Império Britânico e à Santa Aliança. Santa Aliança é o nome dado ao acordo firmado por países europeus absolutistas durante a realização do Congresso de Viena, entre maio de 1814 e junho de 1815, na Prússia. Esse acordo foi firmado entre as potências Áustria, Prússia, Rússia, Inglaterra, Portugal, Espanha e estados alemães.

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Após o conturbado fim da Era Napoleônica, a Santa Aliança, orientada pelo princípio do direito divino dos reis, buscou impedir o avanço de ideias liberais defendendo a restauração das monarquias absolutistas europeias aos seus herdeiros por meio do princípio da legitimidade real. Além disso, a Santa Aliança defendeu a devolução das colônias americanas para as suas antigas metrópoles e buscou impedir novas revoluções liberais no continente europeu.

A Doutrina Monroe fez parte da política expansionista dos Estados Unidos e está inserida no contexto de crescimento populacional do país por meio da chegada de migrantes europeus, de busca por ouro nas recém-descobertas jazidas auríferas da Califórnia durante o episódio que ficou conhecido como “corrida do ouro”, da Marcha para o Oeste e da elaboração do Destino Manifesto.

→ Destino Manifesto

“Progresso Americano”, de John Gast, retratando a teoria do Destino Manifesto, que surgiu no contexto da Doutrina Monroe.
Progresso Americano, de John Gast, retrata a teoria do Destino Manifesto ao personificar os Estados Unidos trazendo luz às civilizações.

Destino Manifesto é uma doutrina que apresentava os Estados Unidos como a nação escolhida por Deus para levar o ideal de civilização e de progresso ao continente americano. Por meio da Doutrina Monroe e da teoria do Destino Manifesto, e a partir de um discurso religioso e político, os Estados Unidos buscaram dar legitimidade à sua ocupação sentido Oeste impondo a sua cultura e religião aos outros povos. Nesse sentido, a teoria do Destino Manifesto revestiu de sacralidade um processo violento de desrespeito aos direitos humanos que dizimou os povos indígenas.

Já em 1904, tendo como referência a Doutrina Monroe, o presidente Theodore Roosevelt anunciou a sua política externa que ficou conhecida como “Corolário Roosevelt”, também vista como “Corolário à Doutrina Monroe”.

O “Corolário Roosevelt” buscou unificar as ideias da Doutrina Truman à teoria do Destino Manifesto, impondo uma política expansionista mais agressiva para garantir os interesses econômicos e políticos dos Estados Unidos por meio da “política do Big Stick”, que se baseia na expressão “fale macio, mas use um porrete”. Assim, ao mesmo tempo em que apoiava o processo de independência dos países da América Latina, intervinha nos territórios que não se submetiam à sua política externa.

Charge sobre a “política do Big Stick”, que surgiu a partir da Doutrina Monroe, da Doutrina Truman e do Destino Manifesto.
A charge satiriza a “política do Big Stick” representando o presidente Theodore Roosevelt com um porrete diante das nações latino-americanas. [2]

Atualmente, os Estados Unidos têm cinquentas estados, sendo que os territórios do Oeste e do Sul foram anexados sob o lema “América para os americanos” da Doutrina Monroe associado à teoria do Destino Manifesto. Além disso, é recorrente a retomada da Doutrina Monroe durante os discursos políticos dos presidentes estadunidenses para justificar a sua missão civilizatória de manutenção da democracia no mundo..

Importante: A Marcha para o Oeste foi o processo de expansão territorial dos Estados Unidos da costa do Oceano Atlântico à costa do Oceano Pacífico e se deu por meio do estabelecimento de acordos territoriais, de guerras, da tomada violenta de terras dos povos indígenas e do uso da teoria do Destino Manifesto.

Quais eram os objetivos da Doutrina Monroe?

A Doutrina Monroe buscava impedir a restauração do colonialismo das nações europeias no continente americano e, ao mesmo tempo, expandir a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina e sobre o Caribe. Para isso, utilizava como justificativa o lema “América para os americanos”, que pode ser compreendido como um aviso sobre as intenções intervencionistas dos Estados Unidos.

A Doutrina Monroe invocou o direito de independência dos países latino-americanos perante as práticas intervencionistas europeias, principalmente da Coroa hispânica e da Coroa portuguesa, reforçando as áreas de atuação estadunidense no continente.

Quais são as consequências da Doutrina Monroe?

A Doutrina Monroe impediu que as monarquias absolutistas europeias reconquistassem suas colônias no continente americano e reforçou o poder dos Estados Unidos sobre as nações latino-americanas, possibilitando uma ampliação dos vínculos comerciais e políticos e transformando a América Latina na sua principal fornecedora de matéria-prima.

Utilizando um discurso civilizatório e liberal, a Doutrina Monroe favoreceu o desenvolvimento tecnológico e econômico dos Estados Unidos, impulsionado pela indústria de tecelagem e pela revolução nos transportes, e levou ao enriquecimento dos Estados Unidos por meio da descoberta de jazidas auríferas durante o episódio que ficou conhecido como “corrida do ouro”.

Associada à teoria do Destino Manifesto, Doutrina Monroe possibilitou que os Estados Unidos alcançassem o lado Oeste do continente americano, aproximando o contato comercial com os países asiáticos. Ademais, foi fundamental para o crescimento capitalista dos Estados Unidos, acirrando as disputas entre os estados do Norte e do Sul, o que levou à Guerra de Secessão (1861-1865).

Além disso, a Doutrina Monroe favoreceu a consolidação da independência dos países latino-americanos, bem como levou ao fortalecimento dos Estados Unidos como importante potência econômica.

Veja também: Principais aspectos relacionados aos Estados Unidos no século XIX

Exercícios resolvidos sobre a Doutrina Monroe

Questão 1

(UFMS) A Doutrina Monroe, em conjunto com outros fatores, assinalou o que mais tarde se configuraria no imperialismo norte-americano, auxiliando na consolidação dos EUA como uma das maiores potências mundial do século XX. A questão política expansionista dos EUA está associada:

A) ao desenvolvimento industrial britânico.   

B) ao slogan “América para os americanos”.   

C) ao apoio da intervenção europeia na América.    

D) à propagação do “american way of life – estilo de vida americano”.    

E) à política de expansão territorial, conhecida como “marcha para o Oeste”.  

Resolução:

Alternativa B.

A Doutrina Monroe foi elaborada em 1823, durante o governo do presidente estadunidense James Monroe. Seu lema era “América para os americanos” e pode ser compreendido como um aviso sobre as intenções intervencionistas do Estados Unidos sobre o continente americano.

Questão 2

(Mackenzie) 

“A política externa do Barão do Rio Branco (1903-1912), orientada pela aceitação tácita da Doutrina Monroe e do corolário que o presidente Theodore Roosevelt lhe aplicou, para uma aliança tácita com o Estados Unidos, refletiu uma situação em que o Brasil dependia em cerca de 60% a 70% das exportações de café e estas, em igual proporção, do mercado norte-americano. Naquelas circunstâncias, constituiu igualmente um meio de enfrentar as pressões financeiras da Grã-Bretanha, tradicional credor da nação, bem como as ameaças da Argentina, coligada eventualmente com outros países do continente.”

(BANDEIRA, Moniz. Brasil-Estados Unidos: A rivalidade emergente. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; 1989. p.25-26)

Sobre a política externa brasileira e norte americana do início do século XX, é correto afirmar que

A) os EUA aplicam uma política de continuidade da Doutrina Monroe aproximando-se dos países sul-americanos com a Política da Boa Vizinhança. O Brasil alia-se aos EUA para evitar a influência econômica britânica e a ameaça territorial da Argentina.   

B) o Brasil aproxima-se dos EUA, pois tenta neutralizar a influência das potências europeias no continente sul-americano. Os EUA, a partir do corolário Roosevelt, iniciam série de intervenções em países latino americanos, como é o caso de Cuba e Nicarágua.   

C) o Brasil integra o núcleo de países aliados aos EUA com o desejo de criar uma zona de influência brasileira na América do Sul. Os EUA aplicam sua política externa baseada no Big Stick exclusivamente nas ilhas do Caribe, em especial Cuba e Haiti.   

D) os EUA desenvolvem uma política externa imperialista visando ao controle territorial e econômico de regiões latino americanas. O Brasil apoia a política norte americana, pois almejava uma parte dos territórios que entrariam para o controle estadunidense.   

E) o Brasil e os EUA mantiveram relações de proximidade e auxílio; pois, segundo o programa norte americano Aliança para o Progresso, era importante buscar o apoio político e econômico dos países sul americanos para o crescimento mútuo das nações.  

Resolução:

Alternativa B.

“Corolário Roosevelt” foi a política externa anunciada pelo presidente Theodore Roosevelt em 1904. Ela impunha uma política expansionista mais agressiva para garantir os interesses dos Estados Unidos por meio da “política do Big Stick”, que tinha como base a expressão “fale macio, mas use um porrete”. Assim, ao mesmo tempo em que apoiava o processo de independência dos países da América Latina, intervinha nos territórios que não se submetiam à sua política externa. No caso do Brasil, durante a República Oligárquica, ocorreu uma aproximação com os Estados Unidos devido a interesses econômicos.

Créditos de imagem

[1] Olga Popova / Shutterstock

[2] Everett Collection / Shutterstock

Fontes

BOULOS, A.; ADÃO, E.; FURQUIM, L. Multiversos: Ciências Humanas: ética, cultura e direitos. 1ª Ed. São Paulo: FTD, 2020.

MENDES, R. A. S. América Latina – Interpretações da origem do imperialismo norte-americano. Projeto História: Revista Do Programa De Estudos Pós-Graduados De História, v. 31, n. 2, P; 167-188, 2005. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/2316.

TEIXEIRA, C. G. P. Uma política para o continente reinterpretando a Doutrina Monroe. Revista Brasileira de Política Internacional, Brasília, v. 57, n. 2, p. 115-132, 2014.

VICENTINO, C.; VICENTINO, J., DORIGO, G.. Projeto Múltiplo. História, volume único, São Paulo: Scipione, 2014.

Por: Vanessa Clemente Cardoso

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