Crise dos Mísseis em Cuba

A Crise dos Mísseis em Cuba, ocorrida em 1962, foi o momento de maior tensão da Guerra Fria, quando EUA e URSS quase entraram em um confronto com uso de armas nucleares.

Um avião espião dos Estados Unidos fez esse registro do local de lançamentos (à esquerda) e 17 lançadores de mísseis (à direita) em Cuba.
Um avião espião dos Estados Unidos fez esse registro do local de lançamentos (à esquerda) e 17 lançadores de mísseis (à direita) em Cuba.

A Crise do Mísseis em Cuba aconteceu em 1962 e foi o momento de maior tensão da Guerra Fria. Os Estados Unidos acusaram a União Soviética de instalar mísseis em Cuba. No ano anterior, os norte-americanos instalaram mísseis na Turquia e na Itália, fazendo com que a União Soviética se sentisse ameaçada.

Durante 13 dias, as duas superpotências ficaram a um fio de um conflito nuclear, o que desencadearia a Terceira Guerra Mundial. A crise acabou com um acordo que retirou os mísseis de Cuba e da Turquia e limitou o uso de armas nucleares.

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre a Crise dos Mísseis em Cuba

  • A Crise dos Mísseis em Cuba aconteceu em 1962 e foi o ponto crítico da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética quase entraram em um conflito nuclear.

  • A adesão de Cuba ao comunismo soviético se tornou uma ameaça real para os Estados Unidos por conta de sua proximidade com a ilha.

  • Durante 13 dias, norte-americanos e soviéticos travaram uma disputa diplomática sobre o destino dos mísseis instalados pelas duas superpotências.

  • A crise teve como desfecho o desmonte dos mísseis e um acordo que limitou o uso de armas nucleares.

Contexto histórico da Crise dos Mísseis em Cuba

Estados Unidos e União Soviética surgiram como superpotências mundiais logo após o final da Segunda Guerra Mundial. Começava a Guerra Fria, o confronto ideológico travado entre norte-americanos, que lideravam as nações capitalistas, e os soviéticos, liderando os países comunistas.

O conflito entre as duas superpotências não ocorreu de forma direta, por isso se chamou Guerra Fria. Porém, guerras regionais foram motivadas por causa desse embate ideológico. Tanto Estados Unidos como União Soviética objetivavam ampliar suas zonas de influência conquistando o apoio de outros países por meio da força militar ou por empréstimos financeiros.

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A década de 1950 foi marcada pelo acirramento das duas forças antagônicas em questão. Norte-americanos e soviéticos possuíam armas nucleares, e um conflito direto entre ambos certamente contaria com essas armas, que, de tão potentes, poderiam destruir o mundo. Cientistas dos dois lados corriam contra o tempo para apresentar alguma tecnologia inovadora ou armamento perigoso para intimidar o inimigo.

Até o final da década de 1950, a influência soviética alcançava a Europa Oriental, ou seja, a Cortina de Ferro. Porém, um fato marcaria não somente as relações entre as duas superpotências durante a Guerra Fria, mas também chamaria a atenção dos Estados Unidos para seus países aliados na América Latina.

Em janeiro de 1959, um grupo de guerrilheiros liderados por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara desceram da Sierra Maestra, em Cuba, para derrubar Fugêncio Batista do governo. A ação obteve êxito, e, em pouco tempo, os cubanos estavam sob um novo governo, que prometia adotar medidas de cunho social.

A Revolução Cubana não foi apenas a derrubada de um presidente pelos seus opositores, mas o começo de um governo que, meses depois de chegar ao poder, se alinhou com a União Soviética. A adesão do governo Castro ao comunismo fez com que os Estados Unidos percebessem que o perigo da influência soviética tinha ultrapassado a Cortina de Ferro na Europa e chegado bem próximo do seu território.

Logo após a revolução, o governo norte-americano voltou suas atenções para os países latino-americanos. A notícia de que um governo popular foi formado em Cuba se espalhou pelo continente e fez com que outros guerrilheiros seguissem o mesmo caminho. A Casa Branca tratou de se aproximar dos governos aliados na América Latina e buscar uma relação mais amigável com estes.

O presidente norte-americano John Kennedy aceitou a sugestão do presidente brasileiro Juscelino Kubitschek, em 1960, de fazer um plano que favorecesse o desenvolvimento econômico dos países da região. Surgia a Aliança para o Progresso, uma ajuda financeira aos países mais pobres para que se desenvolvessem, evitando, assim, que a propaganda comunista, que utilizava a pobreza como forma de criticar os Estados Unidos e o capitalismo, se espalhasse com facilidade.

Pelo lado soviético, a adesão de Fidel Castro ao comunismo foi muito bem recebida. Além da ajuda financeira e logística a Cuba, essa aliança possibilitaria à União Soviética a posse de um satélite próximo aos Estados Unidos, ameaçando-os quando fosse necessário.

A década de 1960 aprofundaria a rivalidade entre norte-americanos e soviéticos, levando o mundo inteiro a temer uma Terceira Guerra Mundial com o uso de armas nucleares.

  • Videoaula sobre a Guerra Fria

Causas da Crise dos Mísseis em Cuba

A rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria não aconteceu no campo de batalha, mas em outras áreas. O desenvolvimento científico e tecnológico recebeu vultuosos investimentos das duas superpotências, tendo seus feitos amplamente divulgados pelos meios de comunicação. A tecnologia era usada para espionar o inimigo e vistoriar seus passos, para que cada um dos lados não fosse pego de surpresa.

Em 1961, a CIA, agência de inteligência norte-americana, organizou uma missão paramilitar no intuito de invadir Cuba e derrubar Fidel Castro do poder. A ação aconteceu três meses depois de John Kennedy assumir a presidência dos Estados Unidos. A missão desembarcou na Baía dos Porcos, em Cuba, mas foi derrotada por militares fiéis a Fidel e mostrou que uma intervenção norte-americana para depor o líder cubano não seria fácil. Apesar do fracasso, aviões norte-americanos mantiveram vigilância sobre a ilha.

Selo traz John Kennedy, presidente dos Estados Unidos na ocasião da Crise dos Mísseis
John Kennedy era presidente dos Estados Unidos durante a Crise dos Mísseis de 1962.[1]

No mesmo ano, os Estados Unidos instalaram 15 mísseis nucleares, chamados Júpiter, na Turquia e 30 mísseis na Itália. A distância desses mísseis até Moscou era de 2.400 quilômetros. Sentindo-se ameaçada e decidida a revidar essa ação norte-americana, a União Soviética ordenou a instalação de mísseis nucleares em bases cubanas. No dia 14 de outubro de 1961, aviões norte-americanos fotografaram a região de São Cristóvão, em Cuba, registrando a imagem dos mísseis.

O presidente John Kennedy fez um pronunciamento na televisão denunciando a presença de mísseis soviéticos em Cuba e ameaçando utilizar a força militar caso os soviéticos não os removessem do território. O temor de uma nova guerra fez com que o mundo ficasse apreensivo com as reações das superpotências.

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A Crise dos Mísseis em Cuba

Logo após o anúncio de que mísseis soviéticos estavam instalados em Cuba e apontados para os Estados Unidos, Nikita Kruschev, primeiro-ministro da União Soviética, respondeu que os mísseis eram defensivos e foram instalados para evitar uma invasão norte-americana à ilha cubana. A diplomacia foi fundamental para que as duas superpotências negociassem a retirada dos mísseis e evitassem um novo conflito mundial.

O cinema usou a crise de 1962 para produzir filmes e documentários, buscando retratar John Kennedy e seus assessores em reuniões na Casa Branca e os diálogos que resultaram na solução pacífica para aquele momento. Treze dias que abalaram o mundo, dirigido por Roger Donaldson, demonstra o quão tensos foram os dias de crise em 1962.

A publicação de documentos secretos trouxeram à tona os passos do governo Kennedy nesse período e sua busca por apoio na América Latina caso houvesse uma guerra.

  • Sábado negro

O auge da Crise dos Mísseis em Cuba aconteceu em 27 de outubro de 1962. Um avião espião dos Estados Unidos foi abatido enquanto sobrevoava a ilha, e seu piloto morreu. As negociações entre as duas superpotências ficaram cada vez mais difíceis. Eram constantes os telefonemas de embaixadores em Washington contatando os representantes soviéticos em Moscou.

Resolução da Crise dos Mísseis em Cuba

Depois de 13 dias de muita tensão, negociações e acordos secretos, no dia 28 de outubro, Kruschev decidiu retirar os mísseis de Cuba sob a seguinte condição: os Estados Unidos retirariam seus mísseis da Turquia e jamais voltariam a invadir a ilha cubana.

Consequências da Crise dos Mísseis em Cuba

A principal consequência da Crise dos Mísseis em Cuba foi a assinatura de um acordo entre Estados Unidos, União Soviética e Inglaterra que limitava o uso de armas nucleares. O Tratado de Não Proliferação Nuclear trazia em seu texto a proibição de testes nucleares na atmosfera, em alto-mar ou no espaço. A fabricação de armas nucleares foi limitada, e a tecnologia nuclear seria permitida desde que apresentasse fins pacíficos.

Com o acordo, a rivalidade entre norte-americanos e soviéticos mudaria de foco e passaria para a corrida espacial. As duas superpotências disputariam a liderança na conquista do espaço. Além disso, um canal de comunicação entre Washington e Moscou foi estabelecido para evitar que outra crise como a de 1962 pudesse acontecer novamente.

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Participação do Brasil na Crise dos Mísseis em Cuba

Durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962, o Brasil era governado por João Goulart. John Kennedy enviou para os presidentes dos países da América Latina um apelo para que se mantivessem unificados com os Estados Unidos em um eventual conflito militar com a União Soviética. Jango respondeu a carta por intermédio do chanceler brasileiro San Thiago Dantas, se posicionando contra uma invasão a Cuba, defendendo a autodeterminação dos povos e a colaboração do Brasil para a preservação da paz mundial e da soberania dos países.

Em 2012, o Arquivo Secreto de Segurança Nacional dos Estados Unidos divulgou documentos até então secretos que revelaram a participação brasileira na solução da Crise dos Mísseis de Cuba. O governo brasileiro havia enviado um representante para Havana, capital de Cuba, no intuito de intermediar o fim da crise.

Exercícios resolvidos sobre a Crise dos Mísseis em Cuba

Questão 1

(Mackenzie) O episódio conhecido como a Crise dos Mísseis, de 1962, que pôs em grande risco a paz mundial, resultou da:

a) invasão do território sul-coreano pelo exército da Coreia do Norte, então apoiada pela União Soviética e pela China.

b) intervenção militar realizada pela URSS na Hungria, com a ocupação de Budapeste e a deposição de I. Nagy.

c) descoberta, pelos EUA, dos trabalhos de instalação de armas nucleares soviéticas em Cuba.

d) ereção de um muro em Berlim, pelo governo comunista, dividindo fisicamente a cidade e a República Democrática Alemã.

e) ruptura das relações diplomáticas entre a China e a URSS, em razão das acusações de “revisionismo” feitas pelo PCC a dirigentes soviéticos.

Resolução:

Letra C

Aviões espiões dos Estados Unidos descobriram a instalação de mísseis em bases cubanas, o que provocou uma forte reação do presidente John Kennedy, dando início à Crise dos Mísseis, em 1961.

Questão 2

(UFPB 2011) Ao final da II Guerra Mundial, a derrota das forças do Eixo — Alemanha, Japão e Itália — e o enfraquecimento econômico, militar e político das potências europeias levaram o mundo a um período de grandes transformações geopolíticas, organizadas, especialmente, pelos Estados Unidos da América e pela então União Soviética. Esse processo de reorganização estendeu-se até o final dos anos de 1980. Durante esse período, o mundo passou por vários momentos de tensão, colocando as forças armadas desses dois países em alerta máximo, com a iminência de uma guerra nuclear. No âmbito da geopolítica mundial, é correto afirmar que, durante a chamada Guerra Fria, um dos momentos mais tensos entre Estados Unidos da América e União Soviética foi:

a) a Guerra da Coreia, em que a porção norte, apoiada pelos Estados Unidos, invadiu a porção sul, apoiada pela União Soviética, causando a divisão do território coreano.

b) a instalação, pela União Soviética, de mísseis balísticos de longo alcance nos países membros da Otan localizados no Leste Europeu.

c) a Guerra do Vietnã, em que a porção sul, apoiada pelos Estados Unidos, invadiu a porção norte, apoiada pela União Soviética, ocasionando a divisão do território vietnamita.

d) a instalação, pelos Estados Unidos, de mísseis balísticos nos países-membros do Pacto de Varsóvia, localizados no Oeste Europeu.

e) a instalação secreta, pela União Soviética, de mísseis balísticos em Cuba, país localizado no continente americano que se orientou para o socialismo.

Resolução:

Letra E

A Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962, foi o momento de maior tensão entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. A presença de mísseis em solo cubano por pouco não fez com que os Estados Unidos invadissem a ilha, o que acarretaria em consequências militares advindas dos soviéticos.

Créditos da imagem

[1] chrisdorney / Shutterstock.com

Por: Carlos César Higa

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