Saci-pererê

Saci-pererê é um personagem do folclore brasileiro muito conhecido, graças a Monteiro Lobato, e caracterizado pelas travessuras e diabruras com as pessoas que passam por ele.

O saci-pererê é um dos personagens do folclore brasileiro e conhecido pelas suas travessuras e diabruras.
O saci-pererê é um dos personagens do folclore brasileiro e conhecido pelas suas travessuras e diabruras.

O saci-pererê é um personagem do folclore brasileiro caracterizado por ser negro e pequeno, que anda com apenas uma perna, fazendo travessuras e diabruras. A lenda surgiu na região Sul do país e sofreu influência das culturas africana e indígena. O escritor Monteiro Lobato foi responsável por popularizar o personagem em todo o país, principalmente quando adaptou sua história ao publicar o livro O Sítio do Picapau Amarelo, em 1921.

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Resumo sobre o saci-pererê

  • Saci-pererê é um personagem mítico do folclore brasileiro.

  • Ele se apresenta como um negro, de baixa estatura, sem uma perna, fumando um cachimbo e usando um gorro vermelho na cabeça.

  • Segundo a lenda, o saci habita as florestas e faz travessuras.

  • Monteiro Lobato adaptou essa lenda e inseriu o saci-pererê em seu livro Sítio do Picapau Amarelo, tornando o personagem conhecido pelo público infantil.

Origem da lenda do saci-pererê

O folclore bem como suas lendas e personagens despertam a curiosidade das pessoas. A origem de algumas lendas varia de lugar para lugar e pode sofrer variações também com o passar do tempo. Quando um personagem folclórico se torna conhecido por outras sociedades, acresce-se elementos regionais às suas características. Como o Brasil é um país multicultural, existem várias origens para uma lenda e seus personagens. A colonização europeia também contribuiu para ampliar as origens das lendas folclóricas.

Segundo os estudiosos do folclore brasileiro, a lenda do saci-pererê surgiu entre os séculos XVIII e XIX. Contudo, como não há relatos a respeito, não se pode apontar com precisão se o saci-pererê era conhecido no período colonial. Ainda de acordo com os folcloristas, a lenda surgiu na região Sul do Brasil por meio dos índios guarani, que habitavam próximo à fronteira com a Argentina e o Paraguai.

O nome saci-pererê teria origem indígena, çaa cy perereg. A lenda não ficou restrita ao Sul e logo se espalhou para outras regiões do Brasil, recebendo adaptações e sendo acrescida de elementos culturais dos lugares por onde se tornava conhecida.

Outra explicação para a origem da lenda é que ela teria vindo da Europa. No folclore português, existe um personagem chamado trasgo, que possui características semelhantes às do saci-pererê, como a pequena estatura e suas diabruras. Acredita-se também que o hábito de fumar do personagem seja uma influência das culturas indígenas e africanas. A justificativa para o saci ter apenas uma perna é que ele a perdeu jogando capoeira.

Existe ainda outra explicação para a origem da lenda do saci-pererê que o aproxima de outro personagem folclórico: o curupira. Segundo essa explicação, o saci-pererê seria protetor das florestas contra seus destruidores.

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Qual a história do saci-pererê?

O saci-pererê é um personagem do folclore brasileiro que se tornou conhecido pelas suas travessuras e brincadeiras com as pessoas. Fisicamente ele é descrito como um ser negro, com um gorro vermelho na cabeça, fumante de cachimbo e que anda apressado, apesar de ter uma única perna. O saci também é caracterizado pela falta de cabelo e de pelos no corpo.

Segundo a lenda, uma das principais características do saci-pererê é incomodar os cavalos durante a noite ao sugar o sangue deles. Por isso, quando um cavalo se agita durante a noite, acredita-se que seja mais uma travessura armada pelo saci. Além de amedrontá-los, o personagem deixa sua marca ao amarrar nós e tranças nas suas crinas.

Outro alvo das travessuras do saci eram os viajantes. Enquanto trafegavam pelas estradas, o saci se escondia e soltava um assovio alto, assustando os viajantes, que, além de se incomodarem com o barulho, paravam a viagem para ver de onde o som veio. Enquanto isso, o saci se aproximava da carroça e danificava seu freio.

Além disso, o saci entrava na casa das pessoas, principalmente na cozinha, queimando as comidas que estavam no fogão, estragando alimentos e derrubando objetos. Os redemoinhos de poeira e sujeira já foram relacionados como sendo mais uma de suas travessuras para fazer bagunça.

A lenda do saci fala sobre a sua morte. O personagem teria vida máxima de até 77 anos, quando, após morrer, se transformaria em um cogumelo venenoso.

Saci-pererê no Brasil

A lenda do saci surgiu no Sul do Brasil, mas se espalhou por outras regiões, ganhando novas versões e outras características. Em alguns lugares, o saci é considerado um personagem do mal porque protege as ervas sagradas, confundido ou até mesmo matando quem tenta colhê-las.

Para evitar a influência estrangeira no folclore brasileiro, busca-se substituir as comemorações do Dia das Bruxas, uma festa de origem norte-americana que acontece a cada 31 de outubro, pelo festejo não apenas o folclore nacional, mas o saci-pererê. Desde 2005, o estado de São Paulo comemora o personagem nessa data.

Saci-pererê no mundo

Os países da fronteira sul do Brasil também conhecem a lenda do saci-pererê. Na Argentina e no Paraguai, ele é conhecido como yacy-yateré.

  • Argentina: os argentinos acreditam que yacy-yateré tem as duas pernas e atrai as mulheres solteiras para engravidá-las.

  • Paraguai: entre os paraguaios, o yaci atrai crianças para fazer maldades com elas, deixando-as loucas ou surdas.

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Monteiro Lobato e o saci-pererê

Ilustração em preto e branco do Monteiro Lobato e saci-pererê.
Monteiro Lobato foi responsável por divulgar a lenda do saci-pererê por todo o Brasil.

O escritor Monteiro Lobato foi o pioneiro na literatura infantil e juvenil e no estudo e divulgação do folclore brasileiro. Ele se notabilizou ao publicar o livro Sítio do Picapau Amarelo, que ganhou duas versões televisivas na Rede Globo. A lenda do saci-pererê já era conhecida no interior do Brasil, mas foi Lobato quem chamou a atenção nacional para ela. Em 1917, ele fez um inquérito, junto aos leitores do jornal O Estado de São Paulo, para colher informações sobre o saci. A redação do jornal recebeu várias respostas dos seus leitores sobre a lenda.

Munido dessas informações, Monteiro Lobato publicou o livro Sacy-pererê: resultado de um inquérito, em 1918. A publicação foi a primeira que registrou a lenda do saci e a tornou conhecida em todo o Brasil. Lobato voltaria ao personagem em 1921, quando o adaptou sua história para escrever o livro Sítio do Picapau Amarelo. A adaptação televisiva da obra também trouxe o saci como um dos personagens, ampliando para as crianças das gerações seguintes o conhecimento sobre a lenda.

Por: Carlos César Higa

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