Crônica

Estrutura previamente definida, características marcantes, obediência fidedigna ao padrão formal da linguagem – eis alguns dos requisitos inerentes à produção textual, aqui enfatizada de forma especial ao elegermos o trabalho com os gêneros.

Imagine você, nesse exato momento, produzindo um texto no qual pudesse mesclar a oralidade, mas também não se esquecendo de que o culto ao formalismo é extremamente necessário. Pense também num texto em que você pode se sentir, de certa forma, livre para trabalhar a comicidade, até mesmo a expressão de opiniões, mas, sobretudo, aquele texto em que podemos realizar uma análise a partir de uma tema banal (concebido no bom sentido), de um assunto extraído de fatos que norteiam o cotidiano. Pois bem, após se certificar desses detalhes, provavelmente que estará apto a produzir o gênero que elegemos para nossa discussão: a crônica.

Assim, para reforçar ainda mais nossa tese, constatemos acerca do que nos pontua um dos mais renomados críticos literários, Antônio Cândido:

A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos, e poetas. Nem se pensariam em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.

“Graças a Deus” – seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós.

Antônio Cândido

Tal modalidade, por sua vez, apresenta-se oscilando entre o universo literário e o jornalístico, e costuma ser veiculada em jornais e revistas. De tão cotidiana que se apresenta, concebida no seu sentido literal, basta folhearmos as primeiras páginas dos jornais que lá ela se encontra, costumeiramente retratando acerca de assuntos polêmicos e atuais, acima de tudo.

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Outro aspecto a que, necessariamente, devemos no ater reside no fato de que a crônica segue o padrão dos textos narrativos, ou seja, ela se constitui daquela gama de elementos dos quais já temos conhecimento, tais como: personagens, tempo, espaço (ainda que resumidos) e narrador, podendo esse se apresentar em 1ª (personagem) ou 3ª pessoa (observador). Nesse sentido, vale afirmar que, pautando nos moldes narrativos, a crônica se baseia no desenrolar das ações, isto é, primeiramente se tem a introdução (apresentação), perpassando pela complicação, indo até ao clímax e se “desaguando” no desfecho final, que pode se materializar de forma cômica (engraçada), triste, alegre ou até mesmo trágica.

No que tange à linguagem, com antes afirmado, há a possibilidade de mesclar ambas as modalidades (linguagem padrão ou coloquial), tudo isso – frisamos - a depender da intencionalidade a que se pretende conquistar mediante a interlocução, evidentemente. Não se esquecendo, também, do tempo, haja vista que ele pode se materializar tanto no presente quanto no pretérito perfeito do modo indicativo.

Vale lembrar, ainda, que o assunto, embora seja extraído de fatos corriqueiros, ganha um toque todo especial, muitas vezes até poético, mediante o trabalho que o emissor realiza com a linguagem, abrilhantando-a com sutileza e requinte.


Aproveite para conferir nossas videoaulas relacionadas ao assunto:

A crônica se constitui de uma modalidade textual que segue o padrão dos textos narrativos

A crônica se constitui de uma modalidade textual que segue o padrão dos textos narrativos

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

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