Nelson Mandela

Nelson Mandela foi um líder sul-africano que lutou contra o apartheid e a discriminação racial e se tornou o primeiro presidente negro eleito na história da África do Sul.

Nelson Mandela, em 1994, foi eleito presidente da África do Sul, buscando unir o país para superar a segregação racial. [1]
Nelson Mandela, em 1994, foi eleito presidente da África do Sul, buscando unir o país para superar a segregação racial. [1]

Nelson Mandela foi um dos principais líderes políticos do século XX. Sua luta contra a discriminação racial e a política do apartheid o fez conhecido no mundo inteiro. Após anos de prisão por conta da sua militância, ele foi liberto e, em 1994, tornou-se o primeiro negro eleito presidente da África do Sul, propondo a superação da discriminação racial por meio da união de todos os sul-africanos.

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Primeiros anos e juventude de Nelson Mandela

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em Mvezo, distrito de Cabo Oriental, na África do Sul, em 19 de julho de 1918. Sua educação inicial se deu pela escuta das histórias e dos ensinamentos de seus parentes mais velhos. Aos cinco anos de idade, Mandela começou a trabalhar no campo tal qual seus colegas próximos.

Em 1925, ele começou a estudar na escola primária, na vila próximo a Qunu. Ao terminar a formação primária, Mandela entrou para a Clarkebury Boarding Institute, colégio exclusivo para negros, quando entrou em contato com a cultura ocidental.

Em 1939, ele ingressou na Faculdade de Direito e começou a ministrar cursos para negros. Sua atuação no movimento estudantil o fez ser expulso da faculdade. Ele se formou em Artes pela Universidade da África do Sul, em 1943, e tentou retornar ao curso de Direito por correspondência. Logo após sua liberdade, Mandela foi homenageado com o título de doutor honoris causa, uma forma de reaver sua expulsão.

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Militância e luta pelo apartheid

Mandela começou a atuar politicamente em 1940, quando integrou o Congresso Nacional africano. Naquela época, a África do Sul vivia o apartheid, política adotada pelo governo que segregava negros e brancos. A cor da pele se tornou a principal exigência para o acesso ou não aos direitos. Aos negros, que eram a maioria da população, eram negados direitos e qualidade de vida, enquanto à minoria branca eram concedidos amplos direitos. Mandela participou da luta contra a segregação racial.

Essa luta se deu primeiramente por meio da política de não violência e do descumprimento das leis de segregação. Contudo, as manifestações contrárias ao apartheid foram violentamente reprimidas pelo governo sul-africano. Percebendo que a resistência pacífica não estava dando resultados e que a separação entre negros e brancos persistia, Mandela e seus companheiros optaram pela luta armada como forma de destituir o governo de minoria branca.

A tática da violência ocasionou no ataque às instituições públicas e só fez aumentar a reação violenta da polícia do governo. Em 1964, Mandela e seus companheiros foram presos, julgados e condenados à prisão.

Nelson Mandela na prisão

Cartazes colados em parede pedindo ao governo da África do Sul a liberdade de Nelson Mandela.
Enquanto esteve na prisão, vários eventos foram organizados para pressionar o governo sul-africano a libertar Nelson Mandela da prisão. [2]

Nelson Mandela ficou preso nas ilhas Robben, e registrava em cadernos ou calendários seus pensamentos. Quando foi preso, ele já era conhecido mundialmente por conta da sua luta contra o apartheid, e a comunidade internacional se manifestou contrária à sua prisão bem como à política de segregação racial na África do Sul. Sanções econômicas e a proibição dos times sul-americanas de participar de eventos esportivos foram impostas como forma de coibir a política violenta do governo.

Os negros tentaram manter a luta contra o apartheid, mas foram reprimidos pelo governo. Estudantes que moravam em Soweto se revoltaram, em 1976, contra o ensino da língua africâner, mas foram reprimidos com violência pela polícia.

Nelson Mandela foi liberto em 11 de fevereiro de 1990 e se tornou o líder sul-africano mais conhecido do mundo. Sua libertação foi transmitida para todo o mundo e bastante festejada. Em 1993, ele foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz por conta da sua luta contra o racismo e pelos direitos dos negros sul-africanos.

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Nelson Mandela na presidência

Mandela se tornou o primeiro presidente negro na história da África do Sul. Em 1994, os sul-africanos participaram de uma eleição multirracial e elegeram-no. Seu governo foi marcado pela aprovação de leis em favor dos negros e a criação de uma comissão para averiguar a violação dos Direitos Humanos durante o período do apartheid. Essa comissão não puniria, mas sim exporia a dor e a violência sofridas pelos negros.

Como presidente da África do Sul, Mandela buscou a reconciliação racial e a unidade dos sul-africanos. Durante a Copa do Mundo de Rugby, em 1995, Mandela usou o evento para unir a população da África do Sul em torno do time de rugby. Esse gesto inspirou a produção do filme Invictus, lançado em 2009.

Últimos anos e morte de Nelson Mandela

Quando deixou a presidência da África do Sul, em 1999, Nelson Mandela anunciou a sua aposentadoria da política. A partir de 2001, ele começou a apresentar problemas de saúde, o que dificultou sua participação em eventos públicos. Em 2010, a África do Sul se tornou sede da Copa do Mundo de Futebol, promovendo o país e trazendo à tona a memória do apartheid e a luta de Nelson Mandela e seus companheiros pelo fim da segregação racial em seu país.

Inúmeros turistas de várias partes do mundo que foram até a África do Sul para assistir as partidas da Copa visitaram o local onde Mandela esteve preso e Soweto, onde estudantes foram presos e alguns mortos ao serem reprimidos em manifestações contra o governo.

A última aparição em público de Nelson Mandela foi na partida final da Copa do Mundo de 2010. Com 92 anos, ele saudou o público no estádio e os que estavam em casa assistindo pela televisão. Ele não fez nenhum pronunciamento por causa da sua saúde, que estava bastante debilitada. Nelson Mandela morreu em Joanesburgo, aos 95 anos, vítima de uma infecção pulmonar, em 5 de dezembro de 2013.

Créditos das imagens

[1] mark reinstein / Shutterstock

[2] Adwo / Shutterstock

Por: Carlos César Higa

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