O governo Dutra e a nova fase democrática

O general Dutra, cujo governo foi o primeiro depois do Estado Novo, atuou no sentido de abrir a economia ao capital estrangeiro
O general Dutra, cujo governo foi o primeiro depois do Estado Novo, atuou no sentido de abrir a economia ao capital estrangeiro

O general Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente pela coligação PSD-PTB em 1945, depois da deposição de Getúlio Vargas, pondo fim à ditadura do Estado Novo. Esses partidos foram criados por influência de Vargas, ainda no fim de seu governo autoritário, com o objetivo de manter o controle sobre o poder político. Concorreram contra Dutra nessas eleições presidenciais o brigadeiro Eduardo Gomes, pela UDN, e Yedo Fiúza, pelo PCB.

Dutra havia sido ministro da Guerra de Vargas desde 1936, tendo participado da II Guerra Mundial como comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na campanha italiana. Durante seu governo, uma nova Constituição do Brasil foi promulgada, a quinta da história do país, sendo que a surpresa da Assembleia Constituinte foi a participação de 15 membros do PCB, dentre eles, Luís Carlos Prestes, que era naquele momento senador.

Além da promulgação dessa Constituição, com caráter democrático-liberal, principalmente com o estabelecimento de eleições através de voto aberto universal (menos para os analfabetos), o governo de Dutra se destacou pela realização da abertura do mercado brasileiro ao capital estrangeiro. A nova República Liberal foi invadida por uma enxurrada de produtos de consumo não duráveis, vindos principalmente dos EUA, que, com o fim da Guerra de 1939-1945, pôde novamente direcionar sua indústria para a exportação de produtos industrializados.

Aos poucos, porém, essas medidas se fizeram sentir, já que para sustentar a vinda dos produtos importados foi necessária a utilização das reservas nacionais em moedas estrangeiras, que haviam sido acumuladas durante a guerra. A indústria localizada no Brasil sentiu os efeitos das importações, diminuindo seu ritmo de crescimento, além disso, o déficit da balança comercial cresceu, aumentando o valor da dívida externa brasileira. Essa situação obrigou o Estado a ensaiar uma intervenção, principalmente no auxílio à compra de maquinário e dificultando novamente a entrada de algumas mercadorias importadas.

Essa tentativa de intervencionismo do Estado durante o governo de Dutra ficou marcada com o fracassado Plano Salte. O nome do plano era decorrente do interesse em investir em áreas consideradas prioritárias: saúde, alimentação, transporte e energia. Porém, a falta de investimentos não possibilitou que ele fosse aplicado na íntegra. Mas, apesar desses contratempos, no período em que o general esteve no poder, a economia registrou uma média de crescimento econômico na casa de 6 % ao ano.

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No aspecto político, o que marcou foi o autoritarismo e conservadorismo de Dutra. Com o argumento de que o PCB não era um partido brasileiro, mas sim representante dos interesses da URSS, o registro do partido foi cassado em 1946. O motivo real foi o medo das elites conservadoras do país, às quais estava ligado Dutra, frente à força demonstrada pelo PCB nas eleições de 1945.

Dessa forma, o PCB ficou fora das eleições, voltando a atuar na clandestinidade. Mas um novo personagem reapareceu em cena. Getúlio Vargas saiu da reclusão em sua fazenda em São Borja, no Rio Grande do Sul, para se candidatar novamente à presidência da República. Vargas conseguiu o apoio do político paulista Ademar de Barros, do Partido Social Progressista (PSP), com o compromisso do antigo ditador em apoiá-lo para as próximas eleições presidenciais, em 1955. Era a união do “pai dos pobres” (Vargas) com o homem que se intitulou como um político que “rouba, mas faz”, Barros.

Os demais candidatos não tinham expressão nacional, como Cristiano Machado, do PSD, apoiado pelo presidente Dutra, e novamente Eduardo Gomes pela UDN. O resultado registrado mostrou a força de Vargas, que foi eleito com 48% dos votos, deixando Eduardo Gomes com 29% e Cristiano Machado com 21% dos votos. Iniciava-se assim mais um governo presidencial de Vargas, o quarto em sua trajetória política.

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Por: Tales Pinto

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