Agricultura e Biotecnologia

A intersecção entre agricultura e biotecnologia permitiu uma transformação nos sistemas agrários de produção, com destaque para os produtos transgênicos.

A biotecnologia é o conjunto de técnicas e procedimentos científicos aplicados ao campo da Biologia para manipular seres vivos geneticamente, com vistas a ampliar a produtividade ou a qualidade dos bens e mercadorias. No contexto histórico e social, a biotecnologia desenvolveu-se a partir das inovações tecnológicas propiciadas pela Terceira Revolução Industrial e está associada, também, ao desenvolvimento do meio informacional e demais formas tecnológicas.

Nesse sentido, a associação entre agricultura e biotecnologia gerou profundos efeitos no espaço geográfico do campo, haja vista que as sucessivas transformações técnicas permitiram inovações e alteração na composição dos sistemas de produção. A aplicação da biotecnologia à agropecuária está relacionada, sobretudo, com os modelos agrários intensivos, de alta produtividade.

A biotecnologia agrícola, como ficou conhecida, foi inicialmente desenvolvida na década de 1970, dando os seus primeiros passos durante a Revolução Verde, que consistiu na aplicação de técnicas modernas no campo para aumentar a produtividade e combater a fome no mundo. No entanto, a partir dos anos 1990, a própria biotecnologia agrícola foi considerada como um novo processo revolucionário no bojo produtivo do espaço rural, marcando um novo momento no processo de evolução da produção agrícola.

Um dos principais resultados dessa revolução biotecnológica do campo foi a fabricação dos chamados transgênicos ou organismos geneticamente modificados. Por intermédio da manipulação genética, alteram-se as características de um determinado tipo de vegetal para excluir as suas características indesejáveis. Desse modo, inserem-se genes de outros organismos no DNA das plantas, provocando a combinação de diversas estruturas genéticas e criando novas espécies ou espécies alteradas, sendo essas mais produtivas, mais resistentes a variações climáticas ou com modificações no sabor, na textura, na composição e outros.

Existem vários exemplos de produtos agrícolas alterados geneticamente e inseridos no mercado consumidor, como melancias sem sementes, batatas maiores, soja mais resistente ao clima e com mais proteínas, uvas que se reproduzem em ambientes menos frios etc. Na pecuária, a aplicação da biotecnologia acontece pela utilização de inseminações, anabolizantes e outros compostos empregados para modificar o peso, aumentar a massa muscular dos animais e interferir em seus processos de reprodução.

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Como não poderia deixar de ser, existem muitas polêmicas em relação ao emprego de biotecnologia na agropecuária, o que inclui um acirrado debate entre os defensores e os seus críticos. A seguir, sintetizamos os principais argumentos dos dois lados dessa questão sem o objetivo de tomar partido de nenhuma das posições destacadas.

→ Argumentos em favor dos transgênicos e da biotecnologia no campo

• Melhoria da produtividade de alimentos e combate à fome;

• Maior geração de empregos no campo e também em pesquisas científicas;

• Maior eficiência no combate a pragas, insetos e outros fatores;

• Diminuição da necessidade de uso dos agrotóxicos e outros produtos químicos nocivos.

→ Argumentos contrários aos transgênicos e à biotecnologia no campo

• Os impactos dos alimentos transgênicos na saúde humana não são totalmente conhecidos, com risco de geração de graves problemas e doenças;

• Diminuição da variabilidade genética das plantas (se a maioria dos produtores optar pelos transgênicos), tornando-as suscetíveis a novas e eventuais pragas no campo;

Concentração de renda na produção agrícola em razão da necessidade de uso de patentes para a comercialização de agriculturas transgênicas;

• Elevação da dependência tecnológica dos países subdesenvolvidos em relação aos desenvolvidos.

• Possíveis impactos sobre o solo com o aumento da produção.

De todo modo, devemos admitir que a biotecnologia vem demarcando uma nova fase na produtividade agropecuária, configurando mais um ciclo de inserção das novas tecnologias no meio agrário. Embora a polêmica em questão persista por muitos anos, os debates são importantes e necessários para esclarecer os termos sobre os quais se emprega o uso de conhecimentos científicos no âmbito da produção de bens primários. 


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Por: Rodolfo F. Alves Pena

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