Descrição objetiva e descrição subjetiva

Descrever, um ato considerado, em termos linguísticos, como a fotografia verbalizada, situa-se em nosso convívio como algo bastante recorrente. Dessa forma, mesmo que coparticipando de outras modalidades, como é o caso da narrativa, ele faz parte das intenções do enunciador quando o assunto é relatar acerca das impressões captadas por um acontecimento, um determinado lugar, uma pessoa, um objeto qualquer e até mesmo um sentimento. Eis que aí afirmamos e reafirmamos acerca de um dos principais aspectos que norteiam a modalidade em questão: aproximar ao máximo tanto o leitor quanto o ouvinte daquilo que está sendo apresentado, haja vista que, a depender da forma como são repassadas as informações, possibilidades são várias de que uma imagem mental também comece a se desenhar na mente do interlocutor.

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Assim, em termos de estruturas linguísticas, ressaltamos que a descrição, ao contrário do que ocorre com a narração, mostra-se atemporal, ou seja, o sentido de progressão acerca do desenrolar dos acontecimentos não se faz necessário – o que acaba criando a ideia de simultaneidade, isto é, caso haja a inversão da ordem do que é relatado, nada de anormal ocorrerá à natureza do discurso. No que diz respeito aos tempos verbais, esses se manifestam, geralmente, no presente e no pretérito imperfeito. Agora, fazendo referência à natureza do discurso, propriamente dita, pode-se afirmar que essa descrição pode ser de forma objetiva, ou seja, manifestar-se de maneira bem próxima ao objeto (embora também possa ser uma pessoa, um lugar etc.), sem possíveis intermediações de opinião por parte do observador, quanto pode também se revelar como uma descrição subjetiva, que, como o próprio nome já nos revela, trata-se de algo mais próximo às impressões captadas, haja vista que nesse tipo de procedimento se torna nítido o envolvimento do observador com o objeto descrito.

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Partindo então de tais premissas, em se tratando dessa última circunstância, impossível é não fazermos menção às descrições expressas nas obras literárias, mesmo porque a linguagem literária já nos conduz aos extremos do subjetivismo. Nesse sentido, não é demais nos situarmos diante das diferenças que demarcam ambas as modalidades descritivas: enquanto na descrição objetiva o observador somente se limita a descrever as impressões de forma direta, neutra; na descrição subjetiva, constatamos um certo envolvimento por parte dele, deixando às claras algum posicionamento pessoal, algum julgamento de valor.


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A pintura também é uma forma de descrição, tanto objetiva quanto subjetiva

A pintura também é uma forma de descrição, tanto objetiva quanto subjetiva

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte